Em 26 anos, Maranhão destruiu 24,1 mil km² de Floresta Amazônica

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15 Outubro 2015

Quase 130 mil Maracanãs de Floresta Amazônica foram destruídos nos últimos 26 anos no Maranhão. Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o monitoramento da floresta por satélite. São, ao todo, 24.195 km² de área desmatada no período.

A reportagem foi publicada por Amazônia, 13-10-2015.

De 1988 a 2014, desde que o projeto monitora o desmatamento na região, foram 407.675 km² de floresta devastados em toda a Amazônia Legal. No ranking do período, o Maranhão fica em quarto lugar, atrás de Mato Grosso (138.316 km²), Pará (137.981 km²) e Rondônia (55.455 km²).

A área desmatada é equivalente a pouco mais que o território do Estado de Sergipe, que possui 21,9 mil km², como destaca Luis Eduardo Maurano, tecnologista do Programa de Monitoramento de Queimadas da Divisão de Processamento de Imagens Programa Amazônia, ligado ao Inpe.

Queda

Pelos dados do projetos, é possível verificar uma queda no índice de desmatamento no Maranhão após 2008 (1.271 km²), com um único pico em 2013 (403 km²). De uma forma geral, o desmatamento registrou uma queda nos últimos anos em toda a Amazônia Legal. “Na realidade as taxas começaram a declinar em 2004. Na Amazônia Legal, em 2014, tivemos a segunda menor taxa da série histórica (5.012 km²)”, afirma Maurano.

O tecnologista do Inpe esclarece que a queda só foi possível após o aumento do rigor nas fiscalizações e ações de combate do governo federal, em especial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Em 2004, foi instituído pelo governo federal o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM), que representou um avanço nas questões relacionadas à prevenção e combate ao desmatamento. Muito da queda pós-2004 se deu em virtude deste plano, onde a fiscalização, principalmente do Ibama, teve e tem papel preponderante”, conclui.

Parte da estratégia do Ibama, agora, é incendiar tratores e caminhões usados na extração ilegal de madeira.

O G1 solicitou do superintendente do Ibama no Maranhão, Pedro Leão da Cunha Soares Filho, informações sobre a atuação do órgão no PPCDAM, mas não houve retorno por parte do Ibama.

Região de conflito no Maranhão

As ações de madeireiros no Maranhão afetam não só a flora, mas a fauna do Estado. No início do mês de setembro, policiais federais e agentes do Ibama encontraram mortos uma mãe e um filhote de macacos da espécie Guariba-de-Mãos-Ruivas – espécie típica do Maranhão, Piauí e Ceará e com alto risco de extinção – na Reserva Biológica do Gurupi, no município de Bom Jardim, a 275 km de São Luís. O Ibama acredita que os animais fora mortos por caçadores para consumo. “Eles atiraram na mãe e o filhote, que estava grudado com ela, morreu na queda”, disse o agente ambiental federal, Roberto Cabral Borges, ao G1.

A Rebio dos Gurupi é, atualmente, uma das regiões de maior conflito no Maranhão por causa da disputa de territórios e a extração ilegal de madeira, considerada pela Polícia Federal como zona vermelha por causa do risco de emboscadas. Foi nessa região que, em 25 de agosto, o ambientalista e conselheiro da Rebio, Raimundo Santos Rodrigues, foi assassinado em uma emboscada.

Tecnologia contra os madeireiros

Para tentar frear ainda mais o desmatamento no Maranhão, ao fim de agosto, ativistas da organização não governamental (ONG) Greenpeace deram orientação a lideranças da etnia indígena Ka’apor e moradores da Terra Indígena (TI) Alto Turiaçu, na região norte do Maranhão, em um projeto pioneiro: os índios vão usar equipamentos de alta tecnologia – com uso de câmeras fotográficas e restreadores via satélite – para registrar a atividade dos madeireiros dentro da terra indígena. O objetivo é fechar o ‘quebra-cabeça’ entre a origem e o destino dos veículos que transportam a madeira obtida de forma ilegal.

A TI é alvo de constantes invasões de madeireiros: segundo dados da ONG, até 2014, 8% (quase 41 mil hectares) dela foram desmatados. Com a iniciativa, a organização pretende, também, diminuir os conflitos na região já que, segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), quatro índios Ka’apor foram mortos e outros 15 atentados registrados nos últimos quatro anos.

“A gente faz essas ações porque a nossa realidade é a floresta. É na floresta que está a nossa vida. Sem a floresta, nós não somos os Ka’apor. ‘Ka’apor’ significa ‘moradores da floresta’ e por isso nós estamos defendendo ela”, explica Miraté Ka’apor, liderança na TI em Alto Turiaçu.

Área desmatada é equivalente a pouco mais que o território de Sergipe.

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