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05 Outubro 2015

A linguagem que o Papa Francisco usou para descrever mulheres religiosas durante sua visita aos Estados Unidos na semana passada foi muito bem-vinda. Elas são "mulheres de força, lutadoras, com aquele espírito de coragem que as coloca na linha de frente", ele disse a elas durante as Vésperas na Catedral St. Patrick, em Nova York. Os comentários do papa enviaram uma mensagem clara, dado que as mulheres americanas religiosas tenham sido submetidas a inspeções por parte dos bispos do Vaticano e dos Estados Unidos nos últimos anos devido à alegada falta de ortodoxia. Em vez disso, Francisco expressou seu profundo reconhecimento do seu trabalho com os mais desfavorecidos na sociedade, refletindo uma solidariedade que ele fortemente compartilha.

O comentário é publicada pela revista inglesa The Tablet, 01-10-2015. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

Mas a linguagem que descreve as mulheres como determinadas e corajosas indivíduas também é bem-vinda por outras razões. Este Papa foi previamente inclinado a uma visão sentimental, na melhor das hipóteses, de mulheres, e em ocasiões usou palavras que muitos consideraram peculiares. Mulheres teólogas eram os "morangos no bolo", disse ele, quando elas foram nomeadas para uma comissão teológica superior, enquanto a Europa foi descrita como uma avó, "já não mais fértil e vibrante". Ao fazê-lo, o Papa Francisco soou exatamente como ele é: um homem de 78 anos de uma geração onde os papéis das mulheres eram essencialmente domésticos.

Esta não é a história toda, no entanto. Este papa considerou as disparidades salariais entre homens e mulheres um escândalo; assim como o Cardeal Bergoglio, ele repreendeu os sacerdotes que não batizavam os filhos de mães solteiras; ele enfatiza a misericórdia para aquelas que tenham sido submetidas ao aborto.

Conforme o mais recente Sínodo sobre a Família iniciar, a atenção se voltará para as questões complexas e controvertidas que cercam as famílias que inevitavelmente repercutem no bem-estar das mulheres, desde o tratamento das divorciadas, à educação dos filhos e abordagem da Igreja sobre contracepção. Mas por outro lado, as questões que afetam as mulheres não estão no topo da agenda deste pontificado. Ao invés de capacitar as mulheres para esculpir papéis mais influentes na Igreja, o Papa Francisco centrou-se mais sobre a reforma da administração e sua renovação, incluindo o nível local. Ele também silenciou os rumores de que ele iria nomear uma cardeal mulher, dizendo que fazê-lo seria clericalizar mulheres.

Mas se o clericalismo é algo que diz respeito ao Papa, então desenvolver o papel das mulheres na Igreja sem alterar a doutrina pode ser parte da solução. Diplomatas da Santa Sé, canonistas trabalhando no mais alto nível, funcionários administrando o gabinete de imprensa ou assuntos financeiros: todos estas são posições que não precisam ser ocupadas por aqueles nas ordens sagradas, ainda que quase sempre sejam. Este papa tem mostrado em muitas ocasiões que ele está disposto a inquietar os que o rodeiam. Repensar a posição das mulheres na Igreja seria outra oportunidade para desafiar preconceitos arraigados que causaram à Igreja o seu pior em ser misógina e até mesmo o seu melhor na fronteira com o paternalista.

Durante a visita da última semana para os EUA, se o Papa falava no Congresso, nas Nações Unidas e na Casa Branca, ou falando em uma escola ou uma prisão, a mensagem era a mesma: a atenção do mundo deve estar no bem comum. Ao expressar isso, o Papa foi um grande defensor das mulheres. Elas estarão atentas para ver como ele defenderá sua causa dentro da Igreja.

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