O obrigado de Francisco às irmãs religiosas "rebeldes": "O que seria da Igreja sem vocês?"

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28 Setembro 2015

Os aplausos soam estrondosos e libertadores quando o Papa Francisco se dirige diretamente a elas: "Eu gostaria, de modo especial, de expressar a minha admiração e a minha gratidão às religiosas dos Estados Unidos". Um rugido de alegria, sob as curvas neogóticas da catedral nova-iorquina de Saint Patrick, que explode ainda mais quando o papa continua a sua "laudatio": "O que seria da Igreja sem vocês? Mulheres fortes, lutadoras, com esse espírito de coragem que as coloca na linha de frente do anúncio do Evangelho. A vocês, religiosas, irmãs e mães deste povo, eu quero lhes dizer: 'obrigado', um 'obrigado' muito grande. E dizer-lhes também que eu as quero muito".

A reportagem é de Gianni Valente, publicada no sítio Vatican Insider, 25-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Assim, em poucas palavras, o Sucessor de Pedro enterra anos de suspeitas, hostilidades, maldades e "investigações" doutrinais que choveram sobre uma grande parte das religiosas dos EUA, até mesmo com o aval e a direção de personagens e setores vaticanos.

Na Catedral de Saint Patrick, hoje apertada entre os arranha-céus, construída "com o sacrifício de tantos homens e mulheres", o Papa Francisco chegou atravessando fileiras de multidão festiva que o esperavam ao longo do caminho, para se encontrar com representantes do clero e dos consagrados dos EUA.

Mas as suas primeiras palavras foram dirigidas por ele aos "irmãos islâmicos", saudando-os no dia em que celebram a festa do sacrifício. Ele faz referência à tragédia dos peregrinos muçulmanos esmagados pela multidão em Meca: "Gostaria que a minha saudação fosse mais calorosa. Meu sentimento é de proximidade diante da tragédia que esse povo sofreu hoje em Meca. Neste momento de oração, uno-me, e nos unimos, na oração a Deus, nosso Pai Todo-Poderoso e misericordioso".
 
No seu discurso, depois da recitação das Vésperas, ele testemunha o trabalho de gerações de sacerdotes, religiosos e leigos "que contribuíram para a edificação da Igreja nos Estados Unidos". O papa começou o seu discurso citando, nas primeiras passagens, Santa Elizabeth Ann Seton – a primeira canonizada nascida nos EUA, cofundadora da primeira escola católica gratuita para as meninas dos EUA. E São John Neumann, fundador do primeiro sistema de educação católica do país, para ressaltar a importância fundamental da missão educativa.

Depois, imediatamente trouxe à tona a questão mais dolorosa e incômoda: falou da "vergonha provocada por tantos irmãos que feriram e escandalizaram a Igreja nos seus filhos mais indefesos". Pôs ao lado do caso da pedofilia – sem nunca usar essa palavra – a "grande tribulação", anunciada no livro do Apocalipse.

Mas não se deteve para analisar com atitude de patologista essa chaga que alguns gostariam de manter aberta para sempre no corpo vivo da Igreja. "Acompanho-os neste momento de dor e dificuldade", disse. E seguiu adiante, agradecendo a Deus "pelo serviço que vocês realizam acompanhando o Povo de Deus" e oferecendo algumas breves reflexões, com o objetivo declarado de "ajudá-los a seguir no caminho da fidelidade a Jesus Cristo".
 
Na vida religiosa e na vida cristã em geral – sugeriu o Papa Francisco – "tudo parte do espírito de gratidão". Só "a alegria dos homens e das mulheres que amam a Deus atrai outros" a eles. A alegria que brota de um coração agradecido, do coração daqueles que podem dizer: "Recebemos muito, tantas graças, tantas bênçãos, e nos alegramos".

Também faz parte desse gratidão – reconheceu o Papa Francisco – "a graça da memória. Memória daquele primeiro chamado, memória do caminho percorrido, memória de tantas graças recebidas e, especialmente, memória do encontro com Jesus Cristo em tantos momentos ao longo do caminho".
 
O reflexo autêntico e eficaz de uma verdadeira gratidão – continuou o Papa Francisco, introduzindo a segunda expressão-chave do seu discurso – é "o espírito de laboriosidade. Um coração agradecido busca espontaneamente servir ao Senhor e levar um estilo de vida de trabalho intenso. A recordação do tanto que Deus nos deu nos ajuda a entender que a renúncia a nós mesmos para trabalhar por Ele e pelos demais é o caminho privilegiado para responder ao Seu grande amor".

Se não for alimentado pela gratidão, o espírito de sacrifício autoproduzido, mais cedo ou mais tarde, se apaga, se esgota, desaparece. E isso – acrescentou o Papa Francisco – geralmente acontece de duas formas, que são "dois exemplos de espiritualidade mundana": "Podemos cair na armadilha de medir o valor dos nossos esforços apostólicos com os critérios da eficiência, da funcionalidade e do êxito externo, que rege o mundo dos negócios", enquanto "o verdadeiro valor do nosso apostolado é medido pelo valor que ele tem aos olhos de Deus".

Ver as coisas na perspectiva de Deus – continuou o bispo de Roma – "exige que nos voltemos constantemente ao começo da nossa vocação e, não é preciso dizer, exige uma grande humildade".

A cruz de Cristo sugere "uma forma distinta de medir o êxito: corresponde a nós semear, e Deus vê os frutos das nossas fadigas. Se, alguma vez, nos pareceu que os nossos esforços e trabalhos desmoronam e não dão frutos, temos que lembrar que nós seguimos Jesus Cristo, cuja vida, humanamente falando, acabou em um fracasso: no fracasso da cruz".
 
O segundo perigo – advertiu o Papa Francisco falando aos sacerdotes e consagrados dos EUA – tem espaço quando "somos zelosos do nosso tempo livre. Quando pensamos que as comodidades mundanas vão nos ajudar a servir melhor". Seguindo esse caminho, pouco a pouco, pode-se ofuscar "a força do contínuo chamado de Deus à conversão, ao encontro com Ele".

O repouso é necessário, reconhece o papa, mas "devemos aprender a descansar de forma que aumente o nosso desejo de servir generosamente". E nesse horizonte – sugeriu Bergoglio – "a proximidade aos pobres, aos refugiados, aos imigrantes, aos doentes, aos explorados, aos idosos que sofrem de solidão, aos presos e a tantos outros pobres de Deus nos ensinará outro tipo de descanso, mais cristão e generoso".
 
Depois de fazer o elogio das irmãs norte-americanas, o Papa Francisco encorajou os sacerdotes, consagrados e consagradas a não perderem o ânimo diante das situações muitas vezes desmoralizantes que a sua obra apostólica pode conduzir: "Eu sei que muitos de vocês", continuou o Sucessor de Pedro, "estão enfrentando o desafio da adaptação a um panorama pastoral em evolução. Assim como São Pedro, peço-lhes que, diante de qualquer prova que devam enfrentar, não percam a paz e respondam como fez Cristo: deu graças ao Pai, tomou a sua cruz e olhou para a frente".

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