A encíclica do Papa sobre o clima causa medo ao gigante Exxon

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09 Junho 2015

A Exxon recusou participar da inciativa lançada ontem pelas companhias europeias do setor energia para combater o aquecimento global, mas sobre este ponto deve sentir-se cercada, pois nos dias passados sentiu a necessidade de enviar uma delegação a Roma para explicar as suas posições no Vaticano. Os porta-vozes do colosso petrolífero americano dizem que a iminente encíclica do Papa Francisco sobre o ambiente não foi explicitamente discutida, mas no encontro de fim de semana revelado pelo Wall Street Journal participou Curtis Mckenzie, um canadense perito em finanças e energia que trabalha como consultor para o cardeal Peter Turkson, encarregado de redigir a encíclica.

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada pelo sítio La Stampa, 02-06-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

A cúpula de Paris

Em vista da cúpula da ONU de Paris, em dezembro, as mudanças climáticas estão se tornando uma emergência no só pelo efeito que causam sobre nossa saúde, mas também sobre as finanças das companhias do setor. Alguns “investidores ativistas” começaram a fazer pressão sobre as empresas, a tal ponto que a Igreja da Inglaterra e o fundo soberano norueguês venderam as ações de companhias empenhadas na extração do carvão. Se a isso se acrescenta a encíclica do Papa, para quem opera neste campo fica sempre mais difícil resistir às pressões da opinião pública.

A Exxon até agora o fez. O seu gerente, Rex Tillerson, sustentou que os modelos para fazer as previsões das temperaturas “não são tão bons”, pondo, portanto, em discussão a solidez científica das próprias mudanças climáticas, e a necessidade de agir para conter o aquecimento global nos dois graus com respeito aos níveis pré-industriais, em vez dos 3,6 previstos, que seriam acompanhados pela saturação da atmosfera com as emissões de anidrido carbônico até 2040.

Tillerson disse que entre três décadas os 80% da energia mundial ainda virá dos combustíveis fósseis, e quando escutou as propostas avançadas pelas companhias europeias para gerar sul gás e criar um sistema de carbon pricing [fixação de custo do carvão] homogêneo, respondeu assim: “Não, obrigado. Não fingiremos sobre este tema. Nós expressaremos uma visão na qual pensamos muito; propomos soluções e ideias políticas que cremos terem mérito”.

Na casa de um diplomata

Começou a falar disto um dos principais lobistas da Exxon, acompanhado por um colega estabelecido em Roma, num almoço que se realizou na casa de um diplomata da missão americana junto à Santa Sé. Além de McKenzie, participaram também um membro leigo da Ordem dos Franciscanos e um professor universitário, não ligados diretamente ao Vaticano. O lobista mostrou uma apresentação PowerPoint em 16 slides, para explicar as ideias de sua empresa, sem discutir abertamente a encíclica de Francisco. Visto o lugar, os convidados e a iminente publicação do documento, é, no entanto, menos óbvio que o tema fosse o mesmo. Encontrar-se contemporaneamente na posição oposta à das companhias europeias, de alguns acionistas e do Papa se torna complicado, e a esperança é que se encontre um compromisso eficaz da cúpula ONU de Paris.

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