Falhas da hierarquia persistem apesar do fim amigável na investigação à LCWR

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05 Maio 2015

Parece, no que podemos deduzir do relatório final da avaliação doutrinal junto à Conferência das Religiosas dos EUA LCWR, que certa razoabilidade prevaleceu, em última instância, num exercício que foi corretamente chamado de um “desastre”.

 O editorial é publicado por National Catholic Reporter, 01-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

As religiosas continuam sendo um dos grandes tesouros do catolicismo americano. De todos os problemas na Igreja que precisam ser investigados, a organização cujas participantes são as lideranças de mais de 80% das religiosas nos EUA não está entre eles.

A “avaliação” sobre a LCWR feita pela Congregação para a Doutrina da Fé foi um desastre, um sinal desnecessário de desconfiança. Esta avaliação deveria balizar a comemoração, feita em alguns ambientes da Igreja e por comentaristas em geral, de que ela – a avaliação – foi um “diálogo” bem-sucedido.

Se há algum motivo para nos alegrarmos, este é o fato de que estas mulheres conseguiram mostrar ao Vaticano que elas não tinham a intenção de enquadrar o problema exclusivamente sob os protocolos arcanos da cultura clerical masculina predominante. Assim, aparentemente as religiosas americanas sofreram neste diálogo de iguais.

Nesse ínterim, a cultura clerical pôde vivenciar uma imersão impressionante para dentro da realidade da Igreja, em sua forma de existência por debaixo no nível hierárquico. O fato inequívoco – um fato necessariamente político, como se viu – é que a maioria dos católicos e muitos outros conhecem estas irmãs, foram ajudados ou influenciados por elas de várias formas, enquanto poucos reconheceriam o seu bispo caso ele aparecesse na porta de suas casas.

As duas investigações – a avaliação doutrinal da LCWR e a investigação das ordens religiosas femininas nos EUA feita pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica – foram conduzidas por pessoas que não habitavam alguns dos lugares mais marginais da Igreja. As versões estreitas da identidade católica e as noções do que a vida religiosa deveria ser estão rapidamente ficando no passado.

Com todo este sentimento de camaradagem concernente ao sucesso do diálogo entre as freiras e as autoridades vaticanas, é possível dizer que a estratégia delas funcionou, pelo menos para diminuir o “calor” imposto inicialmente.

Parece óbvio que Dom J. Peter Sartain conseguiu, discretamente, diminuir os elementos da cultura de guerra da equipe que realizava a investigação, além de conduzir algumas discussões razoáveis com as religiosas. A eleição da Irmã Sharon Holland (do Imaculado Coração de Maria) para a presidência da LCWR, formalmente a mulher do mais alto escalão a trabalhar na Cúria e uma líder respeitada entre as religiosas, mostrou-se um movimento esclarecido por parte da LCWR.

Tão importante quanto isso foi, no entanto, a liderança sábia e deliberada mostrada no início da própria avaliação pelas irmãs Mary Whited (da Congregação do Preciosíssimo Sangue), J. Lora Dambroski (franciscana), Marlene Weisenbeck (franciscana da Perpétua Adoração), Mary Hughes (dominicana) e Pat Farrell (franciscana). Elas pavimentaram o caminho para a relação que vimos emergir no mês passado. Mesmo sob pressão, estas irmãs configuraram aquilo que tinham em mente: uma liderança contemplativa e colaborativa, que Farrell tão eloquentemente expressou em 2012, logo depois que a ordem para a investigação fora anunciada.

A Irmã Farrell, a irmã franciscana Florence Deacon, a Irmã Carol Zinn (da Congregação de São José), Holland e Marcia Allen (também da Congregação de São José) menter-se-iam no curso da investigação até a sua resolução final – tarefa nada fácil dadas as pressões que chegavam de dentro e de fora da organização, aumentadas pelo interesse intenso da imprensa.

Não é coincidência que o Vaticano, duelando com as irmãs americanas – tanto na visitação de seis anos iniciada pelo Cardeal Franc Rodé quanto na investigação doutrinal à LCWR –, acabou chegando a um final conciliatório no papado de Francisco. O quanto este papa tem a ver com cada uma dessas coisas não se sabe, mas é pouco provável que as representações das irmãs – como estando em crise e refletindo o secularismo da cultura americana e europeia – fossem se transformar, tão de repente, em representações positivas nos papados anteriores. Às mesmas irmãs que haviam sido caracterizadas como lembrando alguns inimigos da Igreja eram, agora, concedidas visitas junto a um papa que expressava a sua admiração pelo trabalho delas. As autoridades vaticanas estiveram subscrevendo documentos que beiraram o uso excessivo do termo “gratidão”.

Nós, também, estamos felizes que este capítulo na história da Igreja chegou ao seu fim. No curto prazo, parece que tudo está bem. Mas, pelo menos, duas questões profundas continuam não resolvidas.

O que está impedindo a Congregação para a Doutrina da Fé de começar uma investigação parecida sobre algum outro grupo ou indivíduo na Igreja hoje? A resposta: nada.

Esta “avaliação doutrinal” começou atrás de portas fechadas por acusadores ainda desconhecidos. Permitiu-se que as acusações que impugnaram toda uma classe de religiosas – lembremos: elas foram acusadas de “dissidência coletiva” e heresia – fossem dissolvidas.

Onde estão os que apresentaram estas acusações? Será que este relatório inicial permanece em alguma gaveta no Vaticano, pronto para indiciar, de novo, estas mulheres quando chegar uma hora mais propícia e quando um novo homem se tornar o papa?

Enquanto o trabalho do departamento doutrinal vaticano estiver envolto em segredo e enquanto não se souber do seu processo básico, este medo continuará a existir.

Quando veremos o fim do monopólio masculino de poder na Igreja? Esta investigação foi iniciada por homens, conduzida por homens e terminou quando os homens finalmente pediram uma trégua. Essa é uma falha que existe em outros lugares da Igreja, e não só numa única Congregação, pois ela toca em suas estruturas de governança.

Facilmente, poderíamos dizer que estas mulheres têm uma leitura verdadeira sobre o que se passa na Igreja – o que as pessoas estão fazendo, sentindo, o quão estão magoadas, como vivenciam a fé. Mas elas, as irmãs, não podem fazer muito além do que assessorar um homem. Isso é um absurdo. A inclusão das mulheres nas fileiras de liderança da Igreja não será fácil – reformas e renovação nunca o são –, mas é algo essencial.

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