Católicos e evangélicos conservadores: casamento gay pior do que divórcio e coabitação

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03 Fevereiro 2015

Uma aliança de alto escalão feita por católicos conservadores e evangélicos está pronta para publicar um manifesto contra o casamento gay, chamando as uniões homoafetivas de “uma ameaça mais grave” do que o divórcio ou habitação fora do casamento, ameaça que vai levar a uma distopia moral nos EUA e uma perseguição aos fiéis tradicionalistas.

A reportagem é de David Gibson, publicada por Religion News Service, 28-01-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Se a verdade sobre o matrimônio pode ser deslocada por pressão social e política operando através da lei, outras verdades podem ser postas de lado também”, dizem os quase 50 assinantes do manifesto, que deve ser tornado público na edição de março da revista conservadora First Things.

E este deslocamento pode levar, no devido tempo, à coerção e perseguição daqueles que se recusam a reconhecer a redefinição estatal do matrimônio, o qual está além da competência do Estado”, dizem.

O manifestou acrescenta que algumas pessoas “já estão sendo censuradas e outras perderam os seus empregos por causa de seu compromisso público com o matrimônio como união entre um homem e uma mulher”.

Os conservadores sociais se uniram em torno de uma série de casos que, dizem eles, anuncia a chegada de um futuro sombrio, incluindo a remoção recente do chefe dos bombeiros em Atlanta, no estado da Georgia, quem havia dado aos funcionários uma cópia de seu livro onde detalhava suas crenças, baseadas na tradição cristã, de que a homossexualidade é “vil”.

Outros casos incluem uma fotógrafa do Novo México que perdeu uma batalha jurídica por optar não tirar fotos de um casamento homoafetivo; padeiros e floristas que queriam se afastar de clientes gays; uma capela para casamentos em Idaho cujos proprietários cristãos queriam que só fosse usada para realizar casamentos heterossexuais.

A declaração presente no manifesto: “E os dois serão uma só carne” vem do grupo “Evangelicals and Catholics Together – ECT” [Evangélicos e Católicos Juntos], coalizão formada em 1994 sob a égide do ex-assessor do presidente Nixon, Charles Colson, fiel evangélico, e o Richard John Neuhaus, padre católico.

Um dos objetivos deles era encorajar as duas comunidades cristãs a superar suas suspeitas históricas e diferenças doutrinais no intuito de enfrentar aquilo que consideravam uma frouxidão moral crescente nos EUA.

Neuhaus morreu em 2009, e Colson em 2012, mas o movimento continuou e, de certa forma, se tornou mais enfático na medida em que cristãos conservadores se uniram contra a rápida e difundida aceitação dos direitos homoafetivos, especialmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

As discussões referentes a um documento sobre o casamento gay começaram em junho de 2013 – no mesmo mês que o Supremo Tribunal americano exigiu que o governo federal reconhecesse os casamentos homoafetivos –, segundo Russell Reno, editor da First Things e membro da ECT; Reno forneceu uma cópia do texto ao sítio Religion News Service.

Reno disse, porém, que os membros tiveram, primeiramente, que aceitar deixar de lado suas diferenças sobre a legitimidade do divórcio e uso de métodos contraceptivos artificiais, por exemplo, e até mesmo se o matrimônio é um sacramento.

Isto os permitiu focarem-se no avanço do casamento gay, que eles dizem que não só trai a tradição religiosa como também, mais do que qualquer outro aspecto, enfraquece a sociedade porque o “casamento é a instituição humana primordial, uma realidade que existia muito antes do estabelecimento daquilo que conhecemos como o Estado”.

O que o Estado define como casamento não mais incorpora os propósitos de Deus na criação”, diz o manifesto de 5 mil palavras, sobre o qual a agência noticiosa Baptist Press foi a primeira a informar. “Uma aceitação fácil do divórcio prejudica o casamento; a coabitação generalizada desvaloriza o casamento. Mas o assim-chamado casamento homoafetivo é uma ameaça mais grave, porque aquilo que agora recebeu o nome de casamento no Direito é uma paródia do casamento”.

Entre os que assinam o documento estão o popular pastor Rick Warren e a inimiga de longa data do casamento gay Maggie Gallagher, bem como os destacados intelectuais conservadores católicos George Weigel e Robert George.

Timothy George, membro da Igreja Batista e reitor da Beeson Divinity School (ligada a Samford University); Mark Galli, editora da revista evangélica Christianity Today; e J.I. Packer, da Regent University, também apoiam o manifesto.

Os signatários dizem que “não contestam o fato evidente das irregularidades hormonais e cromossômicas, nem das atrações e desejos sexuais diferentes”. Mas dizem que, ao se legitimar o casamento gay, “uma espécie de alquimia se realiza, não simplesmente na instituição, mas na própria natureza humana”.

Hoje, somos instados a abraçar uma concepção abstrata da natureza humana que ignora a realidade dos nossos corpos. Os seres humanos não mais devem ser compreendidos como macho ou fêmea”, lê-se. O resultado, conclui o texto, irá enfraquecer a sociedade ao eliminar todo e qualquer compasso moral, exceto aquele que o Estado declara ser a norma, para a exclusão de todas as demais.

Qual o efeito que o documento pode ter não se sabe. Aparentemente, trata-se uma declaração de guerra, porém numa batalha que até muitos conservadores consideram uma causa perdida, ou uma que consideram não ser motivo para se lutar. De acordo com várias pesquisas, um número crescente de cristãos, assim como o resto da sociedade, está mais tolerante e aceitando os gays e as lésbicas.

O documento declara, no entanto, que uma “testemunha cristã fiel não pode aceitar o casamento homoafetivo”, e sugere que os fiéis que o aceitam não são mais cristãos plenos.

Os signatários não apresentam um plano detalhado de ação para contrariar o casamento gay, que agora é legal em 36 estados e no Distrito de Columbia [capital federal americana] e que está pendente em vários outros estados. Reno disse que o manifesto não tem a intenção de ser um guia para alguma ação política ou jurídica, sendo mais como um grito de guerra para os cristãos e para “desiludir as pessoas da noção de que podemos simplesmente continuar sendo como temos sido”.

Os signatários levantam a possibilidade – que foi debatida entre religiosos conservadores nos últimos meses – de que o clero poderia se recusar a assinar as licenças estatais matrimoniais como um ato de desobediência civil.

Mas eles concluíram que “quaisquer que sejam as ações consideradas necessárias, os próximos anos vão exigir um discernimento cuidadoso”. Dizem que a melhor estratégia é que os próprios cristãos e outras pessoas de “boa reputação” vivam suas vidas de forma que sejam exemplos fiéis do matrimônio tradicional. “Só com base nisto é que podemos ter sucesso”, dizem.

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