Al Azhar: quem comete atos terroristas em nome do Islã não pode, por isso, ser declarado infiel

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17 Dezembro 2014

Terroristas sim, infiéis não. A Universidade de Al Azhar – universalmente reconhecida como  o mais autorizado centro teológico do islã sunita – difundiu há alguns dias um comunicado para reafirmar explicitamente que a definição de “infiel” ou “ateu” pode legitimamente ser aplicada somente aos não muçulmanos, e não pode ser atribuída a nenhum fiel islâmico, quaisquer que forem os crimes por ele cometidos. 

A reportagem foi publicada pela agência Fides, 15-12-2014.

“É um dos dados adquiridos pelo Islã”, pode-se ler no pronunciamento “que alguém pode ser definido infiel somente quando nega a shahada” (a definição de fiel com a qual se proclama que não existe Deus fora de Alah, e Maomé é o seu Profeta, ndr). A tratar como infiéis, ateus e apóstatas os outros muçulmanos, são precisamente os grupos e as facções da galáxia jihadista, como os milicianos do Estado Islâmico (IS). Por isso, tais grupos se tornam artífices de uma manipulação do Islã que no mundo árabe é definida como “takfirismo”: um desvio sectário que considera descrente toda a sociedade muçulmana, e define como hereges todos os islâmicos que não compartilham de seu ponto de vista, legitimando também a eliminação física.

Precisamente para não cair no erro do “takfirismo” – assim argumentam os teólogos de al-Azhar – é preciso abster-se de definir como infiéis ou apóstatas os milicianos jihadistas, também quando difundem terror entre a população em nome de sua ideologia islamita e citam sem cessar os versículos do Corão.

No início de dezembro, a Universidade de al Azhar tinha hospedado uma importante Conferência internacional sobre o extremismo e o terrorismo. A declaração final da Conferência tinha sido lida como um importante sinal de condenação do terrorismo e do extremismo de pendores islamitas, expressa pela mais autorizada instituição teológica do Islã sunita. “Todos os religiosos que tem participado da conferência contra o terrorismo – sublinha agora a declaração publicada pela própria Universidade – estão bem conscientes do fato que eles não podem omitir sentenças de apostasia contra um crente, prescindindo dos seus pecados”.

Anba Antonios Aziz Mina, Bispo copta católico de Guisê, não encontra contradição entre a condenação do terrorismo expressada por al Azhar e seu abster-se de marcar como ateus e infiéis os grupos jihadistas. “Aqueles que praticam atos de terrorismo – diz Anba Antonios à Agência Fides – são terroristas e são condenados como terroristas, também quando dizem agir em nome de Deus e do Corão. Marcá-los como ateus ou infiéis pode também tornar-se uma escamotagem para esconder o verdadeiro problema. Isto é, o perpetuar-se do fanatismo no interior de correntes que fundam sua violência numa interpretação distorcida do Islã. Ritualizando uma ‘teologia do sangue’, que pertence a épocas já passadas da civilização islâmica”. 

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