Os muçulmanos que condenam a violência do Estado Islâmico

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Por: André | 08 Setembro 2014

Os jihadistas do Estado Islâmico semeiam violência e morte. Parece não ter fim o horror que se desencadeou após o assassinato dos dois jornalistas estadunidenses James Foley e Steven Sotloff, cujas decapitações foram documentadas em vídeos macabros. A política internacional trata de reagir, mas ainda se aguarda iniciativas precisas por parte dos países islâmicos.

 
Fonte: http://bit.ly/1ubRihx  

A reportagem é de Gerolano Fazzini e publicada por Vatican Insider, 06-09-2014. A tradução é de André Langer.

No entanto, pelo menos entre a sociedade civil, “muitas vozes do Islã sunita se levantaram contra o Estado Islâmico, embora nem sempre sejam ressaltadas pelos meios de comunicação, não só no Ocidente, mas tampouco nos países muçulmanos mais conservadores”. A informação está no sítio da revista mensal italiana dos jesuítas Popoli.

Entre os que condenaram a feroz estratégia do Estado Islâmico, noticia a Popoli, destaca-se o grão-mufti da Arábia Saudita, o xeique Abdulaziz Al al-Sheikh, que, em 19 de agosto passado, definiu tanto o Estado Islâmico como a Al Qaeda como “inimigos número um do Islã”, que não pertencem de maneira alguma à fé comum. A corrente wahabita que apóia o regime saudita compartilha algumas posturas doutrinais com os terroristas, mas rechaça os métodos violentos e o perigo da desestabilização que estes representam.

Também algumas autoridades importantes dos principais países da zona condenaram os massacres, recorda a Popoli, a começar pelo grão-mufti da Universidade de al-Azhar (foto), com sede no Cairo, Shawqi Allam, que denunciou a ameaça que o Estado Islâmico representa para o Islã. A revista dos jesuítas também cita o responsável pelos Assuntos Religiosos da Turquia, Mehmet Görmez, que afirmou: “A declaração feita contra os cristãos é verdadeiramente terrível. Os estudiosos islâmicos necessitam concentrar-se neste aspecto, porque a incapacidade para apoiar pacificamente outras religiões e culturas anuncia o colapso de uma civilização”.

Na mesma frequência, os missionários xaverianos da Bréscia escrevem na Missione Oggi: “No Iraque não existem somente os extremistas do Estado Islâmico, mas também muitos muçulmanos que querem a paz. Há, inclusive, aqueles que se sacrificaram para defender os cristãos, em Mosul. Chamava-se Mahmoud al’Asali e era um professor do Departamento de Pedagogia da Universidade de Mosul. Foi assassinado porque teve a coragem de dizer aos homens do Estado Islâmico que isso não era o Islã no qual ele acreditava; apesar de conhecer o perigo que enfrentava como educador, expôs-se publicamente. Não quis ser cúmplice da violência e pagou com sua vida esta decisão”.

Também a coluna East east east, no número de setembro da revista Jesus, reflete sobre o mesmo tema. Fala-se nela de “pecado de omissão” em relação à pouca divulgação midiática do assassinato do professor al’Asali. “Sua história, efetivamente – explica a revista dos paulinos – é emblemática de como existem muçulmanos que se colocam do lado dos cristãos perseguidos. Muitas vezes são chamados de “moderados”, mas o adjetivo beira a banalidade, pois, muitas vezes, o preço que pagam é muito alto”.

A revista Jesus também recorda que o caso do professor iraquiano não é um caso isolado e recorda outras situações semelhantes nas quais expoentes muçulmanos se pronunciaram contra o extremismo violento: “Pagou um preço muito caro, também com o seu sangue, outro muçulmano, o juiz Arif Iqbal Bhatti, assassinado em 1997 em Lahore, Paquistão, porque havia absolvido três anos antes dois cristãos: Rehmat Masih e Salamat Masih, acusados de blasfêmia". Além disso, recorda a Jesus, “em 2011, outro muçulmano paquistanês, Salman Taseer, governador da região do Punjab, foi morto porque lutava contra o extremismo islâmico e simpatizava – segundo alguns, excessivamente – com as razões dos cristãos perseguidos. Salman Taseer havia defendido a Asia Bibi, a mulher cristã de 45 anos que foi condenada à morte por blasfêmia e que continua aguardando um processo de apelação. Ao seu lado também estava comprometido na batalha Shahbaz Bhatti, ministro (cristão) das Minorias Religiosas: foram assassinados num intervalo de três meses.

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