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07 Novembro 2014

Uma das vantagens de ser católico é que acreditamos na Tradição, e acreditamos em uma Igreja que tem a autoridade para interpretar as Escrituras e a Tradição. O poder de "ligar e desligar" é parte dessa Tradição. No entanto, estamos perdendo metade disso se formos apenas nos concentrar em "ligar". Se nós ficarmos somente na porta da frente a vigiar, esqueceremos uma parte importante da nossa missão.

A opinião é de Pat Perriello, professor aposentado do sistema público de educação de Baltimore, tendo atuado também na Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos. O artigo é publicado por National Catholic Reporter, 04-11-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Eis o texto.

Dom Charles Chaput, da Filadélfia, está confuso sobre o Sínodo da família recém-concluído em Roma. Ele observa que "confusão é coisa do diabo".

Chaput quer reafirmar claramente a doutrina da Igreja sobre os homossexuais e o casamento. Eu me pergunto quantas vezes temos de reafirmar o óbvio. É essa a nossa única função? É simplesmente continuar a repetir as mesmas palavras que todo mundo já sabe e já ouviu muitas vezes?

Uma das vantagens de ser católico é que acreditamos na Tradição, e acreditamos em uma Igreja que tem a autoridade para interpretar as Escrituras e a Tradição. O poder de "ligar e desligar" é parte dessa Tradição. No entanto, estamos perdendo metade disso se formos apenas nos concentrar em "ligar". Se nós ficarmos somente na porta da frente vigiando-a, esqueceremos uma parte importante da nossa missão. Os apóstolos começaram a adaptar a mensagem de Jesus, mesmo nos tempos do Novo Testamento. Temos de permanecer fiéis à doutrina da Igreja e às Escrituras, mas também precisamos ouvir e aprender sobre o mundo e como podemos melhor levar a mensagem cristã para a cultura em que vivemos.

O Papa Francisco disse recentemente que a teoria da evolução e mesmo a teoria do Big Bang não entram em conflito com a nossa fé. Podemos chegar a essa conclusão, porque não estamos vinculados a uma interpretação literal ou fundamentalista das Escrituras. Dentro da Igreja, somos livres para usar as ferramentas da crítica histórica, da ciência e de uma investigação racional.

Se alguém segue a lógica de Chaput, conclui-se que vivemos em um mundo hostil com o qual temos de estar sempre em conflito. Chaput diz que o conflito purifica a Igreja e nos permite saber quem são os inimigos que nos odeiam. Ele especifica que os ativistas dos direitos dos homossexuais estão entre esses inimigos. Ele ainda determina que os católicos tradicionais estão vivendo no exílio, como os antigos israelitas na Babilônia. Ele parece apreciar o fato de ir para a batalha.

É muito fácil verificar que o Papa Francisco tem uma visão muito diferente do mundo e do nosso papel dentro dele. É um pouco difícil de entender como alguém versado no Jesus dos Evangelhos e na mensagem de amor e compaixão que o Papa Francisco está espalhando pode ver o mundo de uma forma tão negativa.

A proposta de Chaput é a de que a Igreja se recuse a certificar todos os casamentos civis. Em um comentário um tanto sarcástico, ele disse: "Em um espírito de franqueza incentivado pelo Papa Francisco" devemos discutir esse assunto. Ele o vê como uma questão de resistência com base nos princípios.

Chaput questiona como um padre pode assinar uma certidão entre cônjuge A e cônjuge B. Naturalmente, nenhum sacerdote irá, de fato, fazer isso, porque eles não irão oficiar casamentos do mesmo sexo. A Igreja irá realizar apenas os casamentos que considerar adequados dentro da Igreja. Se o Estado optar por reconhecer as relações do mesmo sexo dentro da alçada do casamento civil, isso não tem impacto sobre a Igreja ou sobre o que ela faz.

Um ano importante de debate se avizinha. Se os tradicionalistas continuarem obstinados e se recusarem a reconhecer a possibilidade de qualquer mudança, vai ser um longo ano. Chaput e outros precisam ter um outro olhar para o que eles acreditam e discernir a diferença entre o que é verdadeiramente essencial e o que não é. Eu acredito que o seu foco está errado. Gostaria de incentivá-los a se concentrarem não tanto na manutenção de alguma pureza etérea na Igreja, mas sim em descobrir como ajudar o povo cristão que precisa da Igreja como uma mãe amorosa e atenciosa.

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