“Finalmente está se fazendo justiça”, diz vítima de abusos sexuais

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29 Setembro 2014

“O que penso da prisão no Vaticano do ex-núncio na República Dominicana, o Arcebispo Jozef Wesolowski? Como vítima de abusos sexuais cometidos por um sacerdote, posso dizer que estou feliz, embora todas essas notícias me fazem reviver momentos infelizes”.

As palavras são de Marie Collins que aceitou falar com “La Repubblica” sobre o caso Wesolowski e de como o Papa Francisco está fazendo por merecer o seu Pontificado. Ela o faz apenas para que suas palavras sejam consideradas confirmações de ordem pessoal.

Vítima dos abusos de um padre irlandês quando tinha apenas 13 anos, Collins não quer que suas declarações sejam vistas opiniões dela como membro da Comissão pela Proteção dos menores, instituída pelo Papa Francisco em dezembro de 2013. Assim sendo, diz: “Trabalho na Comissão, por vontade do Papa, mas não acredito que seja correto falar como membro desta, porque os trabalhos ainda estão em andamento e é preciso discrição”.

A entrevista é de Paolo Rodari, publicada pelo jornal La Repubblica, 26-09-2014. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Eis a entrevista.

A senhora disse que ficou feliz, se é que se pode dizer, com a prisão do ex-núncio Wesolowski.

Para nós que somos vítimas de abusos sexuais cometidos pelo clero é fundamental ter a certeza que dentro da Igreja católica as máximas autoridades estão buscando fazer justiça. E que essa justiça de qualquer forma, antes ou depois, chegará e será colocada em prática. Acredito, pessoalmente, que nenhum dos que cometem abusos sexuais contra menores deve ter a felicidade de viver em liberdade, podendo andar pelas cidades sem que primeiro faça o acerto de contas com a justiça. É necessário que quem cometeu determinados abusos assuma o peso dos seus atos,  pague por eles, e se  não for possível assumir a culpa, que ao menos pague as consequências de suas próprias ações. Não existe justiça, porém, onde um clérigo culpado anda livremente com se todo o seu passado não valesse nada, como se os seus crimes não existissem.

Ontem chegou pela imprensa Vaticana a notícia da remoção do Bispo de Ciudad del Este, no Paraguai, Monsenhor Rogelio Ricardo Livieres Plano, por “sérias razões pastorais”. Porém parece que foi acobertado um caso de pedofilia na sua diocese e que, dessa forma, essa remoção seria derivada desse caso. O que pensa a respeito?

Os motivos dessa retirada não são totalmente claros e, por essa razão, prefiro me manter cautelosa. Pelo comunicado do Vaticano, me parece que existe mais de um motivo. Todavia, sempre como vitima, ressalto que os que acobertam os que são marcados por abusos sexuais a menores devem ser punidos. Eu também sofri muito por essas razões. E quero dizer que não sofri somente pelos abusos, mas também pela proteção que a alta cúpula da Igreja concedeu ao meu molestador. Não acreditavam em mim. Ou apenas diziam não acreditar. 

Em julho passado, a senhora pode encontrar o Papa Francisco durante uma missa celebrada no convento de Santa Marta, no qual participaram também outras vítimas. Como foi o encontro? O que permanece das palavras do Papa?

Falo a verdade, saí de Santa Marta muito esperançosa. Senti realmente que alguma coisa está mudando na Igreja, e mudará. A possibilidade de uma esperança é o que de maior eu senti dentro de mim e ainda sinto. Foi uma emoção muito grande para mim, um encontro no qual serei eternamente grata, como também agradeço por fazer parte da Comissão pela Proteção aos Menores.

Para a senhora, o Papa Francisco aparenta estar construindo um novo caminho em relação ao passado?

Essa mudança para uma política da verdade e sem proteções, antigamente impedida de ocorrer, me parece que com o Papa Francisco está acontecendo com força. E estou muito feliz com isso.

A senhora acredita que seja importante que todos os países do mundo obriguem qualquer pessoa, incluindo a Igreja, a denunciar os abusos?

A melhor coisa que aconteceu na minha vida teve início quando o meu agressor foi levado a julgamento. Durante esses anos, eu tenho trabalhado juntamente com minha diocese e, de uma maneira geral, com toda a Igreja Católica Irlandesa para melhorar suas políticas de proteção aos menores. A minha vida não é mais uma terra infértil. Sinto que ela tem significado e valor.

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