Paraguai. O Papa remove o bispo acusado de encobrir abusos

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Por: Jonas | 26 Setembro 2014

“Sérias razões pastorais”. Problemas graves que obrigaram o papa Francisco a remover definitivamente o bispo, nomeando em seu lugar um administrador apostólico. Trata-se do caso da diocese de Ciudad del Este e da decisão do Pontífice em afastar seu pastor, Rogelio Ricardo Livieres Plano, que foi divulgada nesta quinta-feira pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vaticano Insider, 25-09-2014. A tradução é do Cepat.

Bastaram apenas três linhas para informar a “árdua decisão”. “O Santo Padre Francisco removeu o bispo de Ciudad del Este (Paraguai), dom Rogelio Ricardo Livieres Plano, e nomeou administrador apostólico, da sede vacante da mesma diocese, Ricardo Jorge Valenzuela Ríos, bispo de Villarrica del Espíritu Santo”, apontou a nota.

Esse comunicado foi acompanhado por um breve texto explicativo, que ofereceu pouquíssimos detalhes para uma situação que é muito delicada. O mesmo estabeleceu que a “sucessão” de Livieres foi determinada “após um cuidadoso exame das conclusões das visitas apostólicas efetuadas pela Congregação para os Bispos e a Congregação para o Clero, ao bispo, à diocese e aos Seminários de Ciudad del Este”.

Acrescentou que a medida tomada pela Santa Sé foi definida por “sérias razões pastorais” e obedece ao “bem maior” da unidade da Igreja de Ciudad del Este e da comunhão episcopal no Paraguai.

“O Santo Padre, no exercício de seu ministério de fundamento perpétuo e visível de unidade, tanto dos Bispos como da multidão dos fiéis, pede ao clero e a todo o Povo de Deus de Ciudad del Este que acolha a decisão da Santa Sé com espírito de obediência, docilidade e sem desavenças, guiado pela fé”, apontou.

“Por outro lado, convida-se toda a Igreja do Paraguai, guiada por seus pastores, a um sério processo de reconciliação e superação de qualquer sectarismo e discórdia, para não ferir o rosto da única Igreja adquirida com o sangue de seu Filho e para que o rebanho de Cristo não se veja privado da alegria do Evangelho”, acrescentou.

Até aí a informação oficial. Do anúncio realizado neste dia já estava inteirado Livieres, que se encontra em Roma, onde conversou com o prefeito da Congregação para os Bispos, Marc Ouellet. Segundo informou o setor de comunicação da diocese de Ciudad del Este, o religioso seria recebido pelo Papa aqui, mas a Sala de Imprensa vaticana não pôde confirmar este dado. A agenda pública de Jorge Mario Bergoglio também não incluiu este particular.

A remoção do bispo veio dois meses após concluírem as investigações “in loco”, realizadas pelos enviados do Papa: o cardeal espanhol Santos Abril y Castelló e Milton Luis Tróccoli, bispo auxiliar de Montevidéu (Uruguai). Eles realizaram consultas durante uma semana e concluíram seu trabalho no sábado, 26 de julho. Naquele dia, anunciaram uma medida cautelar imediata e contundente: Por ordem de Francisco suspenderam todas as ordenações sacerdotais e diaconais na circunscrição eclesiástica.

Essa suspensão já era uma luz vermelha que ajudava a intuir a gravidade do caso, ainda que muitos defensores de Livieres, integrante do Opus Dei, negaram-se a aceitar as circunstâncias e se empenharam em denunciar uma espécie de complô contra ele. O conflito entre seu bispo e outros membros do episcopado paraguaio é de domínio público há vários anos.

As denúncias por gestão deficiente contra Livieres tocam diversos setores. Publicamente o acusaram de má administração de recursos, de ter quebrado a unidade episcopal, de ter ordenado sacerdotes sem a suficiente preparação (encurtando seu tempo de formação) e de ter encoberto a Carlos Urrutigoity, presbítero argentino destacado por supostos abusos sexuais contra menores nos Estados Unidos. Junto a tudo isto se somam episódios desagradáveis, como quando acusou abertamente de homossexual Pastor Cuquejo, arcebispo de Assunção.

Ele, de sua parte, defendeu-se argumentando que alguns bispos e sacerdotes o têm na ponta da mira por denunciar irregularidades e ter se oposto, de maneira férrea, à candidatura presidencial do ex-bispo de San Pedro, Fernando Lugo (que deixou o episcopado com a permissão do Papa Bento XVI e foi eleito). Por sua parte, a diocese de Ciudad del Este respondeu com um exaustivo documento, no qual rejeitou cada uma das acusações.

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