O curioso caso de Carlos Urrutigoity

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21 Agosto 2014

No início de julho, o Vaticano anunciou que iria enviar investigadores para a diocese de Ciudad del Este, no Paraguai. A visita apostólica foi motivada por queixas dos bispos locais e de leigos após notícias de que um sacerdote argentino acusado de molestar de alunos do Ensino Médio, na Pensilvânia, EUA, tinha sido acolhido na Ciudad del Este por Dom Rogelio Livieres e promovido a vigário geral.

O artigo é de Grant Gallicho, publicado na revista Commonweal, 14-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Semanas mais tarde, o Vaticano revelou que havia retirado o Pe. Urrutigoity do cargo de vigário geral e - em um passo incomum - proibiu o bispo Livieres de fazer qualquer ordenação por enquanto. (A decisão final será tomada depois que o Vaticano terminar de analisar o relatório dos investigadores). Em resposta, a diocese de Ciudad del Este publicou uma defesa longa e energética de Urrutigoity e Livieres. A declaração, publicada no site da diocese, afirma que Urrutigoity é inocente, que ele e o bispo são vítimas de uma campanha difamatória, que o bispo anterior aprovou sua transferência para o Paraguai, e que ele foi com a recomendação de vários cardeais - incluindo Joseph Ratzinger.

Em uma ação federal, nos EUA, de 2002, o requerente alegou que Urrutigoity e outro sacerdote, Eric Ensey, o haviam molestado sob o pretexto de "direção espiritual". Ele acusou Ensey de tê-lo abusado enquanto era um aluno de ensino médio na diocese de Scranton, Pensilvânia, e acusou Urrutigoity de má conduta sexual depois que ele tinha se formado e se preparava para o sacerdócio. (Nenhuma acusação criminal foi arquivada porque o tempo já tinha sido prescrito). Além das acusações de abuso, depoimentos e declarações tomadas no âmbito da ação alegam que os sacerdotes muitas vezes forneciam álcool para meninos menores de idade e regularmente compartilhavam suas camas com eles. O bispo da época, James Timlin, acabou suspendendo os dois clérigos, e a diocese finalmente resolveu o caso fora do tribunal por cerca de quatrocentos mil dólares. O caso abalou a diocese durante anos, não só por causa das denúncias chocantes do requerente, mas também porque os padres acusados ​​não eram naturais de Scranton. O bispo Timlin os tinha convidado a ir para lá.

Uma revisão feita a partir de centenas de páginas de documentos - incluindo correspondências privadas, depoimentos e declarações oficiais - deixa claro que o caso Urrutigoity é um dos mais complicados surgidos durante a onda de escândalos de abuso sexual de 2002. Ele se estende por três décadas, dois continentes, três países e dois estados. Ele involve vários bispos - alguns cismáticos - várias dioceses e muitas autoridades de alto escalão do Vaticano. A proeminente ascensão do sacerdote anda junto com a consciência crescente da Igreja sobre a gravidade do abuso sexual clerical. As acusações de má conduta seguiram-no da Argentina para a Pensilvânia. Isso é o que torna a sua reaparição em Ciudad del Este - onde ele estava ajudando o bispo na formação dos seminaristas antes de ser promovido como vigário geral - tão difícil de entender. Como um padre católico com essa história pode acabar como segundo no comando de uma diocese em 2014?

A rota de Carlos Urrutigoity para a Ciudad del Este foi notavelmente tortuosa. Sua carreira clerical começou em La Reja, na Argentina, onde ele entrou em uma seminário dirigido pela cismática Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), uma organização tradicionalista que rejeita o Concílio Vaticano II e celebra a missa não reformada em latim. Urrutigoity foi expulso quando surgiram denúncias de que ele tinha feito assediado sexualmente um colega seminarista, de acordo com documentos judiciais. Foi-lhe dada uma segunda chance em outro seminário da FSSPX em Winona, Minnesota, onde o superior era Richard Williamson, um dos quatro bispos ordenados ilicitamente pelo arcebispo Marcel Lefebvre em 1988 - um ato que trouxe excomunhão automática da Igreja Católica.

(Como parte de seu esforço não sucedido de trazer a FSSPX de volta à plena comunhão com Roma, Bento XVI suspendeu excomunhões dos bispos da FSSPX em 2009. Pouco depois, um vídeo veio à tona onde Williamson negava que os nazistas tivessem usado câmaras de gás, e alegou que não mais de trezentos mil judeus morreram no Holocausto. Ele acabou sendo expulso da FSSPX.)

Em 1997, Urrutigoity estava lecionando no seminário de Winona. Ele tinha um bom número de seguidores entre os padres e seminaristas, um séquito que o bispo Bernard Fellay, superior geral da FSSPX, mais tarde chamaria de "estranho" e "anormal". Urrutigoity traçou um plano para criar uma sociedade dentro da FSSPX que defendia práticas espirituais mais rigorosas. Eles começaram a denominar-se de Sociedade de São João. Mas quando o plano foi descoberto por Williamson em maio de 1997, o bispo não ficou satisfeito, e ele expulsou Urrutigoity do seminário. Ele não foi embora sozinho.

Dentro de semanas, Urrutigoity e um punhado de outros ex-membros da FSSPX, inclusive Eric Ensey - arranjaram um encontro com James Timlin, então bispo de Scranton. Eles disse ao bispo que eles estavam "buscando retornar para a Igreja verdadeira", segundo uma cronologia de 2007 elaborada por James Earley, então chanceler da diocese de Scranton. Timlin foi persuadido.

Isso aconteceu em junho de 1997. No dia 15 de setembro, Timlin escreveu à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, responsável por normalizar as relações com os membros da FSSPX e outros tradicionalistas. Bento XVI encarregou a Comissão de supervisionar a aplicação de seu motu proprio de 2007, Summorum Pontificum, que concedeu a permissão do uso mais amplo da antiga missa em latim (a "forma extraordinária", como é chamada agora). Timlin procurou o conselho da comissão sobre a restauração da Sociedade de São João, de seus padres e diáconos, à plena comunhão com Roma. Apenas sete dias depois, "as censuras dos ex-membros da FSSPX ocorridas em virtude de receber o sacramento da Ordem ilicitamente foram removidas", de acordo com a cronologia de Earley. Eles eram católicos novamente.

Os membros da Sociedade de São João passaram a residir em uma ala não utilizada da St. Gregory's Academy, uma escola católica para meninos dirigida pela Fraternidade Sacerdotal de São Pedro [Priestly Fraternity of St. Peter], um pequeno grupo tradicionalista em comunhão com a Santa Sé. Seus membros celebram exclusivamente a forma extraordinária da missa. A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro tinha estabelecido a sua sede norte-americana em Scranton, em 1992, na época em que Timlin era bispo. Ensey tornou-se capelão da St. Gregory's Academy, e outros membros da Sociedade de São João davam aulas lá.

Em 24 de maio de 1998, menos de um ano depois que os ex-membros da FSSPX chegaram com a proposta de retornar para a Igreja Católica, o bispo Timlin estabeleceu a Sociedade de São João como uma "associação pública de fiéis", uma designação que lhes confere certos direitos sob o direito canônico. O bispo realizou uma série de reuniões com os membros da Sociedade, agora oficialmente liderada por Urrutigoity, a fim de elaborar a missão da organização. Sua ambição era criar uma comunidade para os católicos comprometidos com os ritos do Missal Romano de 1962 - isto é, os ritos latinos não reformados -, uma faculdade católica de belas artes e uma aldeia católica. Timlin aprovou o plano, sem fazer quaisquer verificações de antecedentes dos membros da Sociedade de São João ou revisar seus registros de formação no seminário.

Se ele tivesse, talvez teria sido poupado da surpresa de ler uma carta de fevereiro de 1999 de Dom Fellay, superior geral da FSSPX, advertindo-o de que Urrutigoity tinha se aproximado da cama de um seminarista de Winona chamado Matthew Selinger por duas vezes "para atos desonestos óbvios". Fellay informou Timlin de que Urrutigoity tinha sido "acusado de uma ação similar" na Argentina - "com um seminarista que é agora um membro da Sociedade de São João". Mas o que mais perturbou Fellay foi que Urrutigoity "tinha uma influência estranha, anormal sobre os seminaristas e sacerdotes, a quem ele parecia anexar a sua brilhante, personalidade carismática". Uma das razões para que Fellay rejeitasse a proposta de Urrutigoity para estabelecer a Sociedade de São João no interior da FSSPX, explicou, era por causa desse "apego do tipo 'guru' entre os discípulos e seu líder". Se Timlin quisesse investigar mais, "estamos à sua disposição", escreveu Fellay, prometendo que Selinger estava "pronto para declarar sob juramento os fatos mencionados acima". Eventualmente Salinger faria isso.

Urrutigoity reuniu-se com Timlin pouco tempo depois e negou as afirmações de Fellay. Passados cerca de cinco meses, Timlin enviou três pessoas para entrevistar Selinger: o bispo auxiliar John Dougherty, o então vigário-geral padre Joseph Kopacz e um advogado leigo da diocese, Francis X. O'Connor. Em um relatório dessa reunião escrito para Timlin, os três concluiram: "Todos os auditores estão inclinados a acreditar em Matthew Selinger", de acordo com um histórico preparado pelo conselho interno da diocese em 2002. No entanto, quando o conselho considerou o caso em 1999, ele não recomendou a suspensão de Urrutigoity. "Não só o padre acusado nega a acusação, mas as outras partes fizeram observações que parecem diminuir a força de muito do que foi relatado pelo requerente" de acordo com a ata de uma reunião do conselho de 1999. "É do pensamento do bispo Timlin que, sem maior conhecimento, no momento não disponível, uma conclusão, neste caso, não pode ser alcançada". As atas não questionam a credibilidade das afirmações de Selinger.

Ele detalhou essas afirmações, quatro anos depois, em testemunho juramentado feito em conexão com a ação judicial de 2002. Durante esse depoimento, Selinger contou sua relação com Urrutigoity. O sacerdote, então professor do seminário, foi diretor e confessor espiritual de Selinger. Perguntado sobre como havia começado a Sociedade de São João, Selinger disse que "eles queriam santos, e queriam imediatamente, e basicamente uma elite".

Na primeira vez que ele viu Urrutigoity, disse Selinger, o padre sugeriu que ele e outro seminarista nadassem nus com ele.

Em uma quaresma, Selinger abriu mão de comer carne. "Eu fiquei com prisão de ventre". Ele pediu a Urrutigoity para ajudá-lo a conseguir Metamucil, mas o padre voltou com supositórios. Sem nunca sequer ter visto um antes, Selinger tentou tomá-lo por via oral. Urrutigoity o corrigiu. Quando Selinger começou a ir em direção ao banheiro, Urrutigoity perguntou: "O que você está fazendo?". Selinger explicou que ele ia colocar o supositório privadamente, mas Urrutigoity persistiu. "O que, eu não sou seu amigo?" Selinger respondeu que não "queria que [os amigos] o observassem" no banheiro. "Isso faz parte do seu orgulho, Matt", disse-lhe Urrutigoity. Segundo Selinger, o padre falou que, porque o seminarista vinha de "um contexto difícil" e dependia de sua "força para fazer tudo", o padre tinha de "quebrar" o "orgulho" de Selinger, a fim de "deixar Deus entrar no [seu] coração". Selinger foi ao banheiro de qualquer maneira. "Ele ficou com muita raiva de mim".

Urrutigoity colocava um alto valor na lealdade, de acordo com Selinger. "Ele tinha essa ideia de que, quando você é amigo, você faz tudo para o outro (...) Tanto é que a amizade nessa esfera sobrenatural onde somos amigos, você sabe, nós temos a mesma fé e tudo mais, é mais profunda". Porque ambos eram católicos, Urrutigoity acreditava que "estávamos perto espiritualmente", continuou Selinger. "Nós éramos um". Afinal, "se duas pessoas se tornam uma [no casamento], por que dois amigos não podem se tornar um?" Esse sentimento ficou evidente na proteção de tela de Urrutigoity, que Selinger disse que exibia a seguinte citação das Escrituras: Ego et Pater unum sumus [Eu e o Pai somos um].

Em algumas ocasiões, Urrutigoity foi para a casa de Selinger durante as férias. "Ele ficou fascinado com a ideia de que eu havia três irmãos", disse Selinger. "Ele me perguntou onde todos nós dormíamos". A família de Selinger não tinha muito dinheiro, "por isso todos nós dormíamos na mesma cama".

Um lugar para dormir tornou-se um problema depois que Urrutigoity tinha sido expulso do seminário de Winona. Ele e os homens que tinham saído com ele - incluindo Selinger - acabaram ficando na casa de um dos amigos de Urrutigoity. No começo, de acordo com Selinger, havia camas suficientes. Mas, em seguida, mais pessoas apareceram e Urrutigoity sugeriu que os dois dormissem juntos.

Nessas alturas, Selinger já estava descontente. Ele não estava feliz com as obras de arte da casa. As imagens de mulheres nuas eram demasiadamente tentadoras. Mais preocupante, ele não via evidência do rigorismo espiritual que Urrutigoity disse que o havia motivado a criar a Sociedade de São João. "Ninguém usava batina", e "eu não via ninguém rezar o breviário". Ele também não via ninguém rezar o terço. "Mas o ponto de tudo o que estávamos fazendo era fazer mais coisas e fazê-las em comunhão", disse Selinger. Então, quando Urrutigoity ofereceu para dividir a cama com Selinger para abrir espaço para os novos hóspedes, ele não estava disposto a aceitar. Ele iria dormir no chão em vez disso, como um sacrifício, disse Urrutigoity, esperando que o padre ficasse satisfeito. Ele ficou naquele momento.

Mais tarde naquela noite, disse Selinger, ele acordou quando sentiu a mão de Urrutigoity em seu pênis. Chocado e dividido entre o desejo de atacar o sacerdote e o medo de prejudicar um homem de batina - "meu pai me disse uma vez que um homem bateu em um padre, e seu braço ficou congelado para sempre" - Selinger virou de lado, e fingiu não notar. Preocupado que Urrutigoity fosse tentar novamente na noite seguinte, Selinger tentou tirar cochilos durante o dia para que ele pudesse ficar acordado.

Urrutigoity se aproximou da cama de Selinger novamente naquela noite, "obviamente, para fazer o que ele fez na noite anterior", mas, desta vez, agindo como se nada estivesse acontecendo, Selinger perguntou a Urrutigoity se ele estava tendo problemas para dormir. O clérigo afirmou que ele estava "tendo tentações em meu sono, sonhando com mulheres" e quis ir rezar perto de Selinger, de acordo com o testemunho de Selinger. Poucos dias depois, Selinger confrontou Urrutigoity, disse ao padre que ele precisava de ajuda psicológica e deixou a Sociedade de São João para voltar para sua família.

Quase imediatamente, o pai de Selinger desconfiou que algo estava errado. Eventualmente, ele contou a seu pai o que tinha acontecido. Seu pai telefonou para o Pe. Eric Ensey, que por sua vez chamou Selinger e convidou-o para ir à Califórnia. Foi lá que Selinger compartilhou com Ensey o que tinha acontecido com Urrutigoity, como diz seu testemunhou. Selinger disse que Ensey prometeu confrontar Urrutigoity. Algumas semanas mais tarde, disse Selinger, Ensey informou-lhe que Urrutigoity tinha "admitido" tudo.

Era junho de 1998 - um ano após a Sociedade de São João ter convencido Dom Timlin para convidá-los para a diocese de Scranton. Como o advogado que questionou Selinger observou, em março de 1999, Ensey escreveu a Timlin alegando que "o próprio Urrutigoity sempre negou ter cometido quaisquer dos vícios os quais lhe estão acusando, e sempre atuou com a maior fidelidade ao seu papel de diretor espiritual e amigo de Matthew".

Conforme o tempo ia passando, Selinger se perguntava por que Ensey não tinha saído de Scranton. Então, ele perguntou. Ensey disse que "o Pe. U. afirmou que você [Selinger] estava doente e que ele estava fazendo isso [agarrando seu pênis], porque ele sabe que, se você está excitado, você está doente, é como se você olhasse para a língua de alguém e, se ela estivesse toda rachada, então há algo de errado na alma", segundo Selinger. Ele explicou que não era incomum para Urrutigoity reivindicar tal especialidade: "Ele disse que dava a comunhão e olhava para as línguas das pessoas e podia dizer se essa pessoa estava sofrendo mais do que a pessoa seguinte". Selinger parou de atender as ligações de Ensey.

Mas, no verão de 2003, Ensey contatou Selinger com o que soou como um pedido urgente. Ele queria se encontrar com ele pessoalmente. Ele avisou Selinger que ele poderia ser intimado em uma ação judicial pendente. Ele admitiu que tinha sido acusado de abusar sexualmente de um menino, Selinger disse no testemunho, mas jurava que era inocente. Ensey estava preocupado que se Selinger testemunhasse contra Urrutigoity, isso iria "enterrar" Ensey também. "Então ele me disse: 'Você sabe, se eles intimam você, você não consegue mais sair. Agora, você pode deixar o país". Mas, a essas alturas, Selinger estava casado e com filhos. Então, segundo o testemunho de Selinger, Ensey sugeriu que ele mentisse. "Você sabe que eu não minto", Selinger respondeu. Finalmente, Ensey cogitou a possibilidade de Selinger conversar com seu advogado. "Ele é um bom rapaz", Selinger lembrou ele dizendo. "Ele tem fortes laços com a máfia".

Selinger interpretou isso como uma ameaça, por isso decidiu aceitar a oferta de Ensey para falar com o advogado. Mas o advogado nunca entrou em contato com ele. E ele nunca mais falou com Ensey novamente.

Selinger, disse que ele compartilhou toda essa informação com os auditores da diocese de Scranton e que eles acreditaram nele. No seu testemunho, ele também disse que informou Dom Timlin sobre Urrutigoity por escrito. (Eu não vi a carta.) "Eu não quero nada", disse Selinger. Nenhum dinheiro. Nenhuma compensação de qualquer espécie. Mas ele ficou chateado quando soube que a diocese tinha tomado a palavra de Urrutigoity acima da sua:

"Esse cara vai para Argentina, é acusado, e ele diz: 'Eu não fiz isso', e todo mundo diz: 'Ok'. Em seguida, ele vai para os Estados Unidos, e eu sei de duas pessoas, e então, você sabe, inclusive eu, no seminário, e ele é acusado e diz: 'Eu não fiz isso'. Em seguida, ele vai para Scranton e fica tocando os rapazes quando eles estão dormindo (...) Eles dizem: 'Ele me tocou', e ele fica dizendo que não fez isso. E todo mundo está dizendo: 'Ok'. Então, sim, eu sou o louco enquanto ele continua fazendo isso, e as pessoas continuam deixando, e todo mundo só diz: 'Ok'. Nada é feito.".

O depoimento de Selinger foi dado em 28 de outubro de 2003. Ele não poderia ter sabido disso na época, mas, apenas algumas semanas antes, Scranton tinha recebido um novo bispo, Joseph Martino, que, em pouco tempo, faria que o seu bispado fizesse alguma coisa.

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