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Por: Jonas | 15 Maio 2014

No sábado passado, soube-se da notícia de falecimento de Andrés Carrasco, médico embriologista que denunciou os efeitos devastadores do glifosato e questionou duramente o papel da ciência em seu vínculo com as corporações do agronegócio.

A reportagem é publicada por Rebelión, 14-05-2014. A tradução é do Cepat.

Ao longo de sua frutífera trajetória, Carrasco presidiu o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), entre 2000 e 2001, e foi um reconhecido especialista internacional em biologia do desenvolvimento.

No ano de 2009, quando ainda ressoavam os ecos do conflito entre o governo nacional e a Mesa de Enlace, publicou na revista Chemical Research in Toxicology sua pesquisa que denunciava que o glifosato pode produzir malformações cerebrais, intestinais e cardíacas nos embriões humanos. De acordo com suas próprias palavras, “não descobri nada de novo. Digo o mesmo que as famílias que são fumigadas. Apenas confirmei isso em laboratório”.

A partir daquele acontecimento, sobreveio uma campanha de desprestígio midiático, político e científico. Advogados da Câmara de Saúde Agropecuária e Fertilizantes (CASAFE) o desconsideraram em seu próprio laboratório, na Faculdade de Medicina da UBA, ao mesmo tempo em que começou a receber chamadas anônimas com ameaças. O próprio ministro de Ciência e Tecnologia, Lino Baraño, desacreditou seu trabalho e, dois anos mais tarde, soube-se por meio de uma publicação do Wikileaks que a Embaixada dos Estados Unidos na Argentina esteve investigando-lhe em razão de suas publicações relacionadas ao uso de glifosato.

Por sua parte, Carrasco não se deixou intimidar e não parou de percorrer o país transmitindo os resultados de suas pesquisas e acompanhando as diversas lutas contra os efeitos da soja transgênica, sobretudo aquelas vinculadas diretamente à contaminação do mencionado agrotóxico. Em 2012, foi um ator importante no julgamento por fumigações no bairro Ituzaingó Anexo (Córdoba), que sentenciou a condenação a três anos de prisão condicional para o produtor rural Francisco Parra e o piloto Edgardo Pancelllo, por causa das fumigações.

Diante da notícia de sua morte, o CONICET publicou um comunicado em sua página, onde “(...) expressa o seu pesar pela morte de Andrés Carrasco, principal pesquisador do CONICET (...) aonde conduzia o Laboratório de Embriologia Molecular. (...) Ao longo de sua carreira, especializou-se em embriologia molecular, especificamente no estudo de genes associados com o desenvolvimento embrionário de vertebrados”.

Trata-se do mesmo organismo que, em 2013, negou-lhe a promoção de pesquisador Principal a Superior, último escalão da carreira acadêmica. Segundo se assinala, Carrasco não elaborou grande quantidade de publicações importantes. “No quantitativo, escondem dados, e no qualitativo ignoram o peso das contribuições, sua importância e impacto”, havia denunciado Carrasco ao jornal MU, nesse mesmo ano.

Em inícios de 2014, em seu retorno do México, do Tribunal Permanente dos Povos, ofereceu sua última entrevista ao jornalista Darío Aranda, sentenciando que “os melhores cientistas nem sempre são os mais honestos cidadãos, deixam de fazer ciência, silenciam a verdade para escalar posições em um modelo com consequências sérias para o povo (...). Seria necessário perguntar: ciência para quem e para quê? Ciência para a Monsanto e para os transgênicos e agroquímicos em todo o país? Ciência para Barrick Gold e para perfurar toda a Cordilheira? Ciência para o fracking e a Chevron?”

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