Um dia de protestos contra a Monsanto

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Por: André | 25 Maio 2013

Os protestos acontecerão entre esta quinta-feira e o sábado. Em Córdoba, a população se opõe à instalação de uma planta da Monsanto na localidade de Malvinas Argentinas e reclamam uma consulta.

A reportagem é de Darío Aranda e publicada no jornal Página/12, 23-05-2013. A tradução é do Cepat.

A Monsanto, a corporação líder do agronegócio, tem um dia em todo o mundo: em 300 cidades de 36 países milhares de manifestantes marcharão para denunciar a companhia e o modelo agrário industrial a base de agrotóxicos e sementes transgênicas. Na Argentina, um dos epicentros será Córdoba, onde a multinacional constrói sua maior planta da América Latina (na localidade de Malvinas Argentinas) e uma estação experimental em Río Cuarto. Uma pesquisa recente realizada na primeira cidade afirma que nove de cada dez habitantes solicitam uma votação para decidir se a Monsanto deve ou não se instalar e assinala que 58% da população não quer que a empresa se instale ali.

A Monsanto tem 112 anos de história. Com sede central nos Estados Unidos, domina 27% do mercado de sementes (transgênicas e convencionais) e 86% do mercado de transgênicos.

“Milhões contra a Monsanto” é o nome da campanha internacional nascida em 2011 e que nos próximos dias mobilizará ativistas de 298 cidades de 36 países de todos os continentes. “Levantamos a voz contra a gigante biotecnológica, levantamos a voz contra seus excessos contra a natureza, os agricultores e os consumidores”, explica a convocatória.

A Monsanto conta com plantas em Zárate, Pergamino e Rojas, na província de Buenos Aires. Em junho passado, o Governo anunciou a chegada da empresa a Córdoba e a Tucumán. Em agosto, o Ministério da Agricultura aprovou a nova semente de soja (RR2 Intacta).

A principal jornada será no dia 25 de maio, mas durante toda a semana haverá atividades. Em Río Cuarto será hoje [quinta-feira passada] ao meio-dia: “A Monsanto controla o mercado das sementes, é responsável pela aplicação de milhões de litros de agrotóxicos, expulsa camponeses, destrói o ambiente e a soberania alimentar e prejudica a saúde de milhares de pessoas”, denuncia em seu comunicado a Assembleia por um Río Cuarto Sem Agrotóxicos.

Na capital cordobesa, os protestos serão hoje [dia 23 de maio] às 18h, no Centro Cívico do Bicentenário. “Fora Monsanto de Malvinas Argentinas, de Córdoba e da América Latina”, será a consigna principal. Vanina Barboza Vaca, da Assembleia de Malvinas, recordou que a localidade é uma cidade “cercada” pelas fumigações, onde se repetem abortos espontâneos, malformações, câncer e doenças respiratórias. “Dizemos não à Monsanto porque já conhecemos os males do modelo que representa. Também sabemos que são mentiras suas promessas de trabalho e rechaçamos a instalação, em nosso bairro, de 200 silos de sementes transgênicas tratadas com agrotóxicos”, alertou Barboza Vaca.

Em abril passado, sete pesquisadores da Universidade Nacional de Córdoba, da Universidade Católica de Córdoba e do Conicet publicaram uma pesquisa realizada em Malvinas Argentinas: nove de cada 10 (87%) desejam que se realize uma consulta popular e 58% explicitaram que rechaçam a instalação da multinacional. Realizada entre março e abril, a pesquisa foi feita em 352 domicílios com pessoas maiores de 18 anos. Destaca que 73% têm medo de opinar contra a Monsanto por temor de sair prejudicados e 65% não têm confiança no estudo de impacto ambiental (que a própria empresa realizará sob a supervisão do governo provincial).

55,3% dos consultados discordam do papel que o governo municipal teve no conflito. 48,4% se expressaram contra a ação do governo municipal. E 50,2% discordam da ação do governo federal. A Monsanto obteve o rechaço de 49,3% dos consultados.

Na marcha de hoje [quinta-feira passada], sobressai o pedido de que os moradores de Malvinas Argentinas sejam consultados sobre a instalação da Monsanto. E o principal lema é: “O progresso que contamina, envenena, desaloja e mata não é progresso”.

Cristina Arnulphi, professora da Universidade de Córdoba e militante do Coletivo Parem de Fumigar, recordou que a marcha também é para “dizer não à lei de sementes imposta pelas transnacionais do agronegócio” e advertiu que “o avanço deste modelo será à custa dos ecossistemas e da vida dos camponeses e indígenas”. E recordou que a soja hoje abrange uma área de 20 milhões de hectares.

Além de Córdoba, haverá marchas em Bahía Blanca, Rojas, Tucumán, Rawson, Godoy Cruz (Mendoza), Rosario, Calafate, Villa Governador Gálvez (Santa Fe), San Pedro (Misiones) e Resistencia. Na capital federal, as manifestações serão no sábado (25 de maio), às 14h.