14 Dezembro 2013
Nenhuma vontade de impedir debate, ao contrário. Mas o ensinamento de Cristo e da Igreja não pode ser objeto de discussão. É essa a resposta que o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller, dá o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, que o havia criticado pelas afirmações sobre a pastoral matrimonial.
A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 13-12-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Algumas semanas atrás, de fato, durante uma assembleia dos bispos da Baviera, Marx declarara que ninguém, muito menos Müller, podia truncar o debate sobre todas aquelas problemáticas inéditas que estarão no centro do Sínodo programado para meados do ano que vem em Roma.
Acima de tudo, a possibilidade de que os divorciados em segunda união sejam admitidos aos sacramentos. "O credo religioso não deve ser confundido com um programa de partido, que pode ser desenvolvido e interpretado de acordo com os desejos dos membros ou dos eleitores dessa formação política", disse o segundo sucessor de Joseph Ratzinger no ex-Santo Ofício em uma entrevista ao jornal Passauer Neue Presse, também publicada pela agência católica alemã Kath.net. "A responsabilidade pastoral – acrescenta Müller – deve sempre se fundamentar na sã doutrina".
O ensinamento da Igreja não pode ser posto de lado, nem mesmo quando se invoca a misericórdia para apagar os pecados e justificar práticas contrárias à vontade de Deus (como Müller definiu em um artigo no L'Osservatore Romano em outubro passado a possibilidade de que um divorciado em segunda união tenha acesso novamente à comunhão, como concedido pelas Igrejas ortodoxas).
Em reforço ao seu argumento chegou o prefeito da Signatura Apostólica, o cardeal norte-americano Raymond Leo Burke: "Müller não deu a conhecer a sua opinião pessoal, mas recordou o ensinamento da Igreja, que não pode ser mudado. Difundir a ideia de que haverá uma mudança radical e que a Igreja deixará de respeitar a indissolubilidade do matrimônio é equivocado e muito prejudicial".
No entanto, justamente nessa quinta-feira, em uma entrevista publicada no Zeit, o cardeal Walter Kasper disse estar seguro de que, em breve, os divorciados em segunda união poderão ter acesso aos sacramentos: "O que é possível para Deus, ou seja, o perdão, também deve valer para a Igreja".
Müller também esclareceu que a proposta dos 30 sacerdotes e diáconos de Colônia de abrir o procedimento de eleição do novo bispo também aos leigos não deve ser feita. Se essa iniciativa fosse aprovada, disse, iríamos ao encontro do risco muitas vezes relembrado por Bergoglio de conceber a Igreja como "uma organização feita de homens".
A nomeação de um bispo, ao invés, não tem nada a ver com "lutas de poder, distribuição de poderes e conquista de poder por parte de facções ideologicamente restritas que destroem a unidade da Igreja. O bispo é eleito por Cristo e constituído como tal pelo Espírito Santo".
Não, portanto, a urnas e cédulas eleitorais para escolher o bispo preferido. Serão seguidos os procedimentos habituais, que preveem o voto do capítulo da catedral. E não importa se, entre aqueles que veem na renúncia do cardeal conservador Joachim Meisner a ávida oportunidade para dar uma guinada progressista na liderança da rica Colônia, também está Hans Küng.
O teólogo suíço que se insurgiu contra a nomeação de Müller à Congregação para a Doutrina da Fé, definindo-a de uma "Katastrophe!", viu também nas últimas declarações do guardião da ortodoxia católica a atitude do prefeito Ratzinger, a sua verdadeira obsessão. Ao ponto de alertar Francisco sobre o risco de ter um "papa-sombra". Uma teoria que diverte Müller: "Que prazer em ver ainda como Hans Küng, na sua velhice, está cheio de entusiasmo pelo sucessor de Cristo e cabeça visível de toda a Igreja, como diz o Vaticano II".