Francisco planeja uma comovente viagem em prol dos imigrantes

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03 Julho 2013

Para os europeus, especialmente para os italianos, a ilha de Lampedusa, no sul do Mediterrâneo, tornou-se o que os desertos ao longo da fronteira entre o México e os Estados Unidos são para os norte-americanos – o cenário de terríveis tragédias humanitárias enquanto migrantes desesperados tentam alcançar uma vida melhor, assim como uma metáfora para as tensões políticas e culturais em torno da política de imigração. O fato de o Papa Francisco ter escolhido Lampedusa para a sua primeira visita fora de Roma na próxima segunda-feira, portanto, não é nada casual.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 02-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para ter uma noção do seu impacto, imagine um presidente dos EUA recém-eleito anunciando que a sua primeira viagem fora da capital será para a fronteira, para ver por si mesmo onde pessoas morreram e para abraçar os detidos em uma sede da Immigration and Customs Enforcement [entidade do governo dos EUA responsável pela imigração]. Isso seria entendido como uma forma ousada de proclamar que a compaixão será uma marca do novo governo. É exatamente assim que os italianos e os europeus em geral estão reagindo à planejada viagem de Francisco.

Viajando sem a pompa de costume, está agendado que Francisco irá chegar na segunda-feira de manhã para abraçar os migrantes que chegaram a Lampedusa, a maioria da África e do Oriente Médio, e para prestar homenagem àqueles que morreram ao longo do caminho. O Vaticano anunciou a viagem com apenas uma semana de antecedência, o que sugere que se trata de uma decisão muito pessoal.

A viagem tem uma dimensão inter-religiosa, já que grande parte das pessoas que chegam à costa da ilha são muçulmanos. Ela também tem um claro subtexto político, inclusive nos EUA, onde os bispos católicos estão pressionando pela reforma da imigração.

Como parte da província italiana da Sicília, Lampedusa é tradicionalmente conhecida pela boa pesca e pelas suas belas praias. Ao longo da última década, no entanto, ela se tornou o primeiro ponto de chegada para os migrantes que tentam atravessar o Mediterrâneo rumo à Europa. Eles muitas vezes chegam em barcos superlotados e perigosos, com muitos afogamentos ao longo do caminho.

A Comunidade de Santo Egídio, um movimento católico que defende os direitos dos imigrantes, estima que 19 mil pessoas morreram dessa forma entre 1998 e hoje.

Mais recentemente, oito pessoas se afogaram em meados de junho, depois que uma pequena embarcação projetada para uma dúzia de pessoas, mas na realidade transportando mais de 100, virou. Os sobreviventes disseram que se agarraram a uma rede de atum gigante que estava sendo arrastada atrás de um barco de pesca nas proximidades da Tunísia, mas logo viram que a tripulação cortou a rede quando alguns dos imigrantes tentavam subir a bordo.

No fim, a Guarda Costeira italiana apareceu e levou os sobreviventes para Lampedusa.

Um comunicado vaticano disse que Francisco estava "profundamente tocado" pelo naufrágio do navio, chamando-o de "o mais recente em uma série de tragédias semelhantes". O texto dizia que o papa pretende "rezar por aqueles que perderam suas vidas no mar, visitar os sobreviventes e os refugiados presentes, encorajar os moradores da ilha e apelar à responsabilidade de todos para cuidar desses irmãos e irmãs em extrema necessidade".

Quando Francisco chegar, ele vai embarcar em um dos navios da Guarda Costeira utilizados para resgatar migrantes e se dirigirá para o mar, para jogar uma coroa de flores na água em memória daqueles que morreram. Depois, ele irá voltar para as docas para se encontrar com os refugiados antes de rezar a missa em um centro de esportes e visitar uma paróquia local.

Incisivamente, Francisco pediu que as únicas autoridades presentes sejam locais – nada de VIPs da cena política italiana e nenhum séquito de príncipes da Igreja.

Escrevendo no La Repubblica dessa terça-feira, o observador vaticano Paolo Rodari informou que a viagem não foi discutida previamente com a Secretaria de Estado, a usual "controladora" do papa, onde as autoridades provavelmente iriam querer ponderar sobre as consequências políticas e diplomáticas de tal expedição antes de assiná-la embaixo.

O padre Stefano Nastasi, pároco local, foi quem inicialmente convidou Francisco para ir logo depois da sua eleição, lembrando ao novo papa que ele também é um "filho da imigração".

"As lágrimas que marcam os rostos das pessoas resgatadas do mar falam de sol e de sal, de arrepios de frio e de fome", escreveu Nastasi ao papa em março. "Eu gostaria de pensar que as lágrimas dos seus olhos, que fluíram no momento da sua eleição, poderiam se encontrar com as lágrimas de todo homem e de toda mulher que sofrem nos quatro cantos do mundo".

Embora Francisco irá lançar a sua primeira encíclica na sexta-feira, pode-se argumentar que a sua rápida viagem 48 horas depois pode realmente representar o momento de ensino mais poderoso do seu jovem papado.

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