Um superministério da Economia no Vaticano é o plano do Papa para frear os escândalos

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23 Abril 2013

Primeiro as palavras do cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, que dirigirá o conselho dos sábios, chamado a apoiar o novo governo do Papa Francisco: “Também o IOR poderá ser reformado”. Depois, faz poucas horas, aquelas do cardeal Francisco Xavier Errázuriz Ossa, arcebispo emérito de Santiago do Chile, que diz: “Quarenta bispos europeus que trabalham para o Santo Padre e para o governo da Igreja são demasiados”. São duas declarações de peso que dizem que no futuro pouco, muito pouco restará do que é agora além do Tibre.

A matéria é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 21-04-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

“Não ficará pedra sobre pedra", dizem alguns no Vaticano. Em particular no que se refere às finanças, o terreno onde desde sempre borbulham os maiores escândalos, e não por último um memorial do ex-presidente do IOR, Ettore Gotti Tedeschi, que diz temer por sua vida. Trata-se de um “documento que tinha sido mantido expressamente reservado enquanto tinha sido redigido num momento de grande tensão e de preocupação pelo que estava acontecendo em razão dos ataques e das polêmicas”, esclarece o próprio Gotti Tedeschi. De fato, o texto mostra tensões pesadas, a ação do presidente do banco vaticano obstacula curiais que a certa altura não confiam mais nele, em seu trabalho, talvez também por causa de sua vontade de denunciar as demasiadas contas cifradas presentes no Instituto, e ao mesmo tempo a “ameaça” de colaborar com a Autoridade de informação financeira instituída por Ratzinger de maneira paradoxal precisamente para vigiar sobre as sagradas finanças.

De que modo o Papa reformará a cúria romana? O que será dos seus dicastérios financeiros? O Padre Frederico Lombardi desmente as notícias sobre a vontade do Papa de criar um superministério da economia. “No momento não existe absolutamente nada”, diz. No entanto, as declarações dos dois purpurados Maradiaga e Errázuriz Ossa, ambos inseridos no novo conselho de sábios querido pelo Papa, dizem que pelo fim do ano algo acontecerá, com a provável atribuição das responsabilidades sobre os dicastérios financeiros a um único centro de decisão.

No centro dos pensamentos dos reformadores está obviamente o IOR. Tanto que é previsível que a reforma partirá daqui, do IOR, dos seus balanços até hoje não controlados devidamente, talvez chegando a unificar as competências financeiras do Vaticano, hoje divididas em até cinco secretarias.

Em dezembro, além disso, os inspetores de Moneyval, o Comitê do Conselho Europeu que avalia as medidas nacionais para o conferimento da reciclagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo, apresentarão o próximo “Progress Report” da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano centrado não só sobre as “Core Recommendations”, mas também sobre todos os âmbitos cobertos pelas “Key Recommendations”.

Para essa ocasião o Vaticano poderia atender a uma das exigências mais urgentes levadas em frente por Moneyval: conferir mais poderes ao AIF e menos à comissão de cardeais que vigia sobre o IOR, aquela mesma comissão que de fato, junto à Secretaria de Estado vaticana, desincumbiu Ettore Gotti Tedeschi através de um comunicado redigido junto com os membros da junta do próprio Instituto. A luta foi e é entre o poder político detido pela Secretaria de Estado e poder de controle atribuído por Ratzinger ao AIF. Este é também o vulnus [a lesão] denunciado por Moneyval.  Sem isso a Santa Sé não poderá ser incluída Lista Branca dos países financeiramente eficazes onde “controlado e controlador se identificam”.

O Papa Francisco sabe muito bem que os vários dicastérios vaticanos dotados de autonomia financiera – além do IOR, a primeira secção da Secretaria de Estado, a Apsa, Propaganda Fide e a Governadoria – têm competências pouco claras e não gozam de um único balancete. Por isso, também poderia decidir simplificar os mesmos dicastérios no interior de uma tentativa aliás já posta em campo por Bento XVI quando uniu, para pouco depois tornar a desincorporá-los, os dicastérios da Cultura com o do Diálogo inter-religioso e o dicastério dos Migrantes com o de Justiça e Paz.

A ideia de Ratzinger era enxugar a Cúria. Porém algo em seu projeto não funcionou. Hoje o Papa Francisco, decidindo viver em Santa Marta, tem de certo modo feito entender que quer superar os antigos esquemas e abrir também em Roma uma nova estrada. Seu contínuo apelo à Igreja para que saia de si mesma até abraçar todas as periferias do mundo, fala da vontade de reformar profundamente uma estrutura onde também carreirismo e privilégios têm prosperado. Limpeza e transparência lhe pediram os cardeais elegendo-o. E não será por certo Francisco a desiludi-los. Além disso, os custos exorbitantes dos demasiados dicastérios entram em todos os colóquios que o Papa faz discretamente em Santa Marta. Por isso, está para disparar a hora do plano da reforma.

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