Cardeais e Conclave: proposta de reforma que vem dos Estados Unidos

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Por: André | 19 Abril 2013

O colégio cardinalício e o Conclave precisam de reforma. Quem defende esta tese, em artigo publicado no First Things, é o intelectual católico estadunidense George Weigel, venerável conselheiro do Ethics and Public Policy Center e autor de uma das maiores biografias sobre Karol Wojtyla. Weigel indicou que o colégio cardinalício durante o último Conclave estava composto por um “eleitorado estranho”, pois 20% dos eleitores já estavam aposentados. “Apenas oito dos cardeais eleitores tinham menos de 65 anos (e a metade dos mais jovens era estadunidenses: os cardeais Burke, Di Nardo, Dolan e Harvey)”.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 18-04-2013. A tradução é do Cepat.

Depois, Weigel fez notar que nem o decano nem o vice-decano do colégio tinham direito de voto. E também observou que a Índia, por exemplo, tinha mais cardeais eleitores do que a França (cinco contra quatro) e a Grã-Bretanha (nenhum, depois da renúncia do escocês Keith O’Brien). O cardeal Lubomyr Husar, arcebispo emérito da maior Igreja católica oriental, não participou do Conclave porque havia completado 80 anos no dia 26 de fevereiro, dois dias antes da sede vacante, ao passo que o presidente emérito do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, Walter Kasper, participou da eleição apesar de ter completado os 80 anos 5 dias depois da renúncia oficial de Bento XVI.

O colégio cardinalício, segundo indicou George Weigel, não é efetivamente representativo da população católica, posto que a América Latina, onde vive a metade dos fiéis católicos, enviou apenas 19 eleitores à Capela Sistina, enquanto a Itália, “onde a prática católica não é, digamos, robusta” e cuja população representa 4% do total dos fiéis em nível mundial, teve 28 cardeais eleitores.

Weigel, pois, propõe algumas reformas. Sobretudo, o cancelamento automático da criação cardinalícia para as arquidioceses nas quais a fé “está morrendo”. “Se 7% da população católica local vai à missa aos domingos”, como acontece em algumas cidades da velha Europa, por que seus bispos deveriam ver garantida a participação no colégio cardinalício? Weigel propõe esperar que os bispos destas dioceses demonstrem que são capazes de reevangelizar seus territórios antes de obter a púrpura.

A segunda proposta consiste em transformar os Pontifícios Conselhos em “institutos de pesquisa” que estejam sob a direção não de cardeais, mas de sacerdotes religiosos ou leigos qualificados. Uma terceira proposta está relacionada ao “automatismo” que leva ao cardinalato os líderes dos diferentes departamentos administrativos do Vaticano, como o Governadorado, a Aspa, a Prefeitura para Assuntos Econômicos...

Para concluir, Weigel propõe que o colégio dos cardeais eleitores seja reorganizado segundo um critério geográfico e demográfico, e que o número máximo seja de 144 membros (atualmente são 120): o número 144 é “bíblico”, 12 tribos vezes 12 apóstolos. Além disso, indica que seria necessário que todos os cardeais perdessem o direito de votar quando renunciam aos seus serviços nas dioceses ou na Cúria, e não quando completam 80 anos, porque, argumenta, “um eleitorado em que quase um de cada cinco está aposentado não é um eleitorado bem planejado”. Nem o decano nem o vice-decano do colégio cardinalício deveriam ser cardeais eleitores. Weigel também propõe que os eleitores se reúnam regularmente, a cada 18 meses, para que se conheçam melhor entre si.

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