Braz de Aviz pede um Colégio Cardinalício ''mais universal''

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21 Fevereiro 2012

O brasileiro João Braz de Aviz, único latino-americano que recebeu nesse sábado, 18 de fevereiro, o título de cardeal, espera que o Colégio Cardinalício seja mais "universal" e pede que a Europa e os Estados Unidos desçam do pedestal e "mudem o seu olhar" para a América Latina.

A reportagem é do sítio Religión Digital, 19-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em entrevista à agência de notícias católica I-Media, o purpurado de 64 anos, próximo do movimento italiano dos Focolares, que representa no novo Colégio Cardinalício o país mais católico do mundo, convidou seus colegas purpurados a reconhecer que o mundo mudou.

"Na América Latina e em outras partes, temos que admirar a grande história da Europa, a sua beleza. Mas a Europa, por sua vez, deve descer das alturas e ter uma atitude fraternal com os outros continentes e deixar de olhar os outros de cima", afirmou.

"Isso a partir de um ponto de vista político e econômico, mas também dentro da Igreja", especificou.

"Não podemos deixar de notar que a América Latina, a Ásia e a África mudaram, nem continuar pensando que são colônias ou do Terceiro Mundo", acrescentou.

O novo purpurado, que recebeu em São Pedro, juntamente com outros 21 colegas, das mãos do Papa Bento XVI, o título cardinalício, há mais de um ano é prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e é responsável por cerca de 800 mil religiosos e religiosas espalhados por meio mundo.

Ex-arcebispo de Brasília, que confessou ter no corpo 130 bolinhas de chumbo por causa de um tiroteio em que se viu envolvido há 30 anos, é, segundo o site de notícias religiosas Vatican Insider, um defensor da "teologia de libertação".

Para o purpurado brasileiro, a corrente teológica latino-americana que surgiu na década de 1960 contra a opressão e em favor da luta dos mais desfavorecidos, foi "útil" e até "necessária", porque fez com que a Igreja descobrisse a "opção preferencial para os pobres", diz o site.

A designação de inúmeros cardeais provenientes da Europa, em particular da Itália, o que pesaria no caso de um conclave ou eleição do papa, já que contaria com 30 cardeais de um total de 125, provocou polêmicas por causa do "eurocentrismo" do papa alemão, que, para vários observadores, está preparando a sua sucessão.

Questionado sobre o desequilíbrio que existe no órgão diretor da Igreja, o novo cardeal latino-americano estimou que, "quanto mais universal for o Colégio Cardinalício, melhor ele representa a Igreja".

"Trabalhamos duro para conseguir isso e continuaremos fazendo. A Igreja é tão original, tão unida e ao mesmo tempo tão cheia de diferenças!", comentou.

Dias antes da proclamação dos novos purpurados, houve vazamentos de notícias com documentos internos sobre a corrupção no Vaticano e a guerra oculta entre hierarcas da Santa Sé por cargos influentes.

"Acusam-no [a Bento XVI] de tudo. Não podemos fazer nada contra ele. Eu acho que é a pessoa certa para este momento da história. Ele tem uma grande coragem. Recentemente, ele pediu a todos os chefes da Cúria Romana que sejam transparentes em tudo e trabalhem como pastores dispostos a dar a vida pelos demais. Esse chamado à transparência me surpreendeu muito. Mudou-se de época", destacou.

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