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Por: André | 31 Março 2013

É equivocado observar a América do Sul como um conjunto homogêneo. Alguns partidos hegemônicos retornam ao poder, como Revolucionário Institucional (PRI), no México, no ano passado, ou como tentará fazer o Colorado, no Paraguai, em 21 de abril próximo. Outros ex-presidentes querem voltar, como a chilena Michelle Bachelet ou o uruguaio Tabaré Vázquez, ambos socialistas. Muitos chefes de Estado buscaram sua reeleição e a conseguiram, como o falecido Hugo Chávez, na Venezuela, em 2012, ou Rafael Correa, no Equador, no mês passado.

A reportagem é de Alejandro Rebossio e publicada no jornal espanhol El País, 27-03-2013. A tradução é do Cepat.

Contudo, alguns analistas observam tendências comuns, como a do avanço da esquerda: “Estamos em uma etapa excepcional na América Latina: há governos de mais longa duração, com presidentes que terminam seu mandato com alta popularidade e não precisam fugir de helicóptero da sede do Governo”, opina o diretor do curso de Relações Internacionais da argentina Universidade de Belgrano, Julio Burdman. O cientista político também assinala que “em termos históricos, as esquerdas latino-americanas – pois não há uma só esquerda, mas que vão do chavismo à social-democracia –, estão atravessando um bom momento e têm perspectivas de continuidade”. Burdman esclarece que neste sentido a América do Sul cada vez se parece menos com o México e com a América Central.

“Após o retorno da democracia à região, nos anos 1980, havia uma rejeição das reeleições e agora acontece o contrário”, observa o diretor para a América Latina da Ong International IDEA, Daniel Zovatto. “Todos os que a buscaram ganharam, salvo Daniel Ortega na Nicarágua, em 1990, e Hipólito Mejía na República Dominicana em 2002. Muitos presidentes mudaram as Constituições para contemplar a reeleição. E ganharam as eleições, com muita comodidade, no primeiro turno e com maioria no Congresso”, acrescenta Zovatto, que chama a atenção para a falta de renovação de lideranças e sobre o impacto na política de uma eventual desaceleração do alto crescimento econômico da região, sobretudo da América do Sul.

A esquerda bolivariana está conseguindo manter-se no poder. Depois dos 54% de Chávez em outubro passado, este ano Correa começou com 57% dos votos. O calendário eleitoral latino-americano continuará no dia 14 de abril com a disputa entre o sucessor interino do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o opositor Henrique Capriles. Algumas pesquisas indicam que Maduro tem 48% da intenção dos votos, frente aos 33% de Capriles, que optou por abraçar a centro-esquerda inspirado no ex-presidente brasileiro Lula.

Em dezembro de 2014, haverá eleições presidenciais na Bolívia e espera-se que Evo Morales concorra a um terceiro mandato. A Constituição boliviana de 2009 proíbe uma segunda reeleição, mas os seguidores de Morales argumentam que o presidente foi eleito pela primeira vez, em 2006, sob a vigência da Carta Magna anterior. A oposição rechaça esta interpretação, mas a sua constitucionalidade será decidido pela Justiça.

Onde a esquerda social-democrata perdeu um Governo foi no Paraguai, depois da polêmica destituição, em 2012, do então presidente Fernando Lugo, o ex-bispo que havia acabado, em 2008, com 61 anos do Partido Colorado no poder. Para as próximas eleições as pesquisas indicam que os colorados podem voltar ao Governo, como o fez o PRI no México depois de 71 anos de hegemonia interrompidos por outros 12 do conservador Partido Ação Nacional (PAN). O colorado Horacio Cartes está com 30% da intenção dos votos em algumas pesquisas, frente aos 22% do liberal Efraín Alegre, correligionário do atual presidente Federico Franco. A esquerda encontra-se dividida entre o âncora Mario Ferreira, que perdeu o apoio de Lugo, e o candidato do ex-bispo, Aníbal Carrillo, com 19% e 7%, respectivamente. Lugo, a quem a Constituição proíbe de concorrer novamente, irá concorrer por uma vaga no Senado. As eleições normalizarão a situação institucional do Paraguai, que no ano passado foi suspenso do Mercosul e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O motivo foi que a destituição de Lugo foi considerada um golpe de Estado parlamentar arquitetado por colorados e liberais.

No Chile, Bachelet, que presidiu o país entre 2006 e 2010, acaba de retornar ao seu país e tem altas probabilidades de liderar o retorno ao poder da centro-esquerda, que governou durante 20 anos até que a direita de Sebastián Piñera a derrotou. As eleições acontecerão em 17 de novembro próximo. Outro ex-presidente que está voltando é Vázquez, que governou o Uruguai entre 2005 e 2010. Vázquez admitiu que será candidato em outubro de 2014, caso tiver o apoio dos dois setores da Frente Ampla: o do presidente uruguaio, José Mujica, e o do seu vice-presidente, Danilo Astori, que representam a ala esquerda e a centrista.

Mas antes, no final deste ano, haverá eleições legislativas na Argentina. Estas eleições são fundamentais para ver se o kirchnerismo, que atualmente tem maioria no Congresso, consegue ampliar seu controle para dois terços dos deputados necessários para reformar a Constituição e abolir a proibição de que Cristina Fernández busque uma segunda reeleição em 2015. A chefa de Estado disse, em 1º de março passado, que não haverá reforma constitucional, mas ministros e governadores de província a alentam. Burdman acredita na palavra de Fernández e considera que seus seguidores na realidade procuram que não se antecipe a luta pela sucessão, sobretudo diante das intenções explícitas do governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, de sucedê-la sempre e quando ela não se postular. Burdman considera que nas eleições o peronismo decidirá se o próximo candidato presidencial será kirchnerista, isto é, mais de esquerda, ou uma liderança de centro ou direita, como Scioli, que, por enquanto, é fiel a Fernández. A Frente Ampla Progressista (FAP), do socialista Hermes Binner, deverá brigar nestas eleições para se mostrar como a principal força de oposição à conservadora Proposta Republicana (PRO), de Mauricio Macri, e ao peronismo antikircherista.

Em 2014, também haverá eleições presidenciais no Brasil. No gigante sul-americano prevê-se que o PT busque a reeleição de Dilma Rousseff, frente a um PSDB que ainda carece de um líder claro.

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