“Esta é a intervenção magistral do cardeal Bergoglio no pré-conclave”

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Por: André | 26 Março 2013

Durante a homilia que pronunciou na Missa do Crisma, a primeira que celebrou em Cuba após várias semanas em Roma para despedir Bento XVI e participar do conclave que elegeu o Papa Francisco, o cardeal Jaime Ortega revelou as palavras do cardeal Jorge Mario Bergoglio em sua intervenção na congregação geral de cardeais em preparação ao conclave e que, mais tarde, o hoje Papa Francisco, entregou por escrito, de punho e letra, ao arcebispo de Havana.

A reportagem está publicada pelo sítio Zenit, 26-03-2013. A tradução é do Cepat.

Ao referir-se ao momento de “novidade” que vive a Igreja pela eleição do novo sucessor de Pedro à frente da Igreja – revela à Zenit o porta-voz da Arquidiocese de Havana, Orlando Márquez – o cardeal Ortega disse: “Permitam-me que lhes dê a conhecer como primícia quase absoluta o pensamento do santo padre Francisco sobre esta missão da Igreja”, e acrescentou que o tornava público com a autorização do próprio Francisco.

Aos centenas de fiéis que participaram da celebração na catedral de Havana na manhã do sábado, 23 de março – com a presença do núncio apostólico em Cuba, Mons. Gruno Musaró, dos bispos auxiliares de Havana Alfredo Petit e Juan de Dios Hernández, e do clero local que renovou suas promessas sacerdotais –, o arcebispo de Havana acrescentou que, durante uma das reuniões dos cardeais em preparação ao Conclave, “o cardeal Bergoglio fez uma intervenção que me pareceu magistral, esclarecedora, comprometedora e correta”.

Na sequência leu na íntegra o texto que lhe entregara o futuro papa, onde recolhe em quatro pontos o pensamento que o cardeal Bergoglio desejava compartilhar com seus irmãos cardeais e que expressa sua visão pessoal sobre a Igreja no tempo presente.

O primeiro desses pontos é sobre a evangelização, e expressa que “a Igreja deve sair de si mesma e ir às periferias” não apenas geográficas, mas também existenciais, manifestadas no mistério do pecado, da dor, da injustiça e da ignorância, entre outras. O ponto dois assinala uma crítica à Igreja “autorreferencial”, que se olha a si mesma em uma espécie de “narcisismo teológico” que a afasta do mundo e “quer Jesus Cristo dentro de si e que não o deixa sair”.

Em consequência disso, há duas imagens de Igreja, segundo indica o ponto três da intervenção do cardeal Bergoglio: uma é “a Igreja evangelizadora que sai de si” e a outra é “a Igreja mundana que vive em si, de si e para si”. E é esta consideração dual que deve “dar luz às possíveis mudanças e reformas que tenha que fazer” na Igreja.

Em seu último ponto, o ainda arcebispo de Buenos Aires confessava aos cardeais o que esperava de quem fosse eleito para dirigir a Igreja sem saber que seria ele próprio: “um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo (...), ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais”.

O arcebispo de Havana revelou também em sua homilia que, por concordar com esse pensamento sobre a Igreja, perguntou ao cardeal Bergoglio após sua intervenção se tinha o texto por escrito, pois desejava conservá-lo, o que este negou.

Mas acrescentou que na manhã seguinte, “com extrema delicadeza” lhe entregou o texto da “intervenção escrita de seu punho e letra tal e como ele a recordava”.

Então, pela primeira vez, o cardeal Ortega pediu, e recebeu, autorização do cardeal Bergoglio para divulgar seu pensamento sobre a Igreja.

A segunda ocasião em que solicitou a permissão foi durante um encontro posterior com o já eleito Papa Francisco, que ratificou sua autorização para a difusão do texto, cujo original o cardeal Jaime Ortega guarda como um tesouro especial da Igreja e uma recordação privilegiada do atual Sumo Pontífice.

Ao terminar a celebração eucarística, o cardeal Jaime Ortega convidou todos os fiéis para viver uma autêntica Semana Santa, e aproveitar o feriado da Sexta-feira Santa para estar mais próximo do Senhor na oração pessoal e comunitária.

A revista da Arquidiocese de Havana, Palabra Nueva, dirigida pelo Orlando Márquez, oferece uma transcrição do manuscrito entregue pelo cardeal Jorge Mario Bergoglio ao cardeal Jaime Ortega, onde se recolhe a intervenção do futuro Papa Francisco em uma congregação geral antes do Conclave em que fora eleito sumo pontífice da Igreja Católica.

Segue-se o texto da intervenção do cardeal Bergoglio.

A doce e confortadora alegria de evangelizar

Fez-se referência à evangelização. É a razão de ser da Igreja. “A doce e confortadora alegria de evangelizar” (Paulo VI). É o próprio Jesus Cristo quem, a partir de dentro, nos impulsiona.

1. Evangelizar supõe zelo apostólico. Evangelizar supõe na Igreja a parresía de sair de si mesma. A Igreja é chamada a sair de si mesma e ir para as periferias, não apenas geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, da dor, das injustiças, das ignorâncias e recusa religiosa, do pensamento, de toda miséria.

2. Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece (cf. a mulher encurvada sobre si mesma do Evangelho). Os males que, ao longo do tempo, se dão nas instituições eclesiais têm raiz na autorreferencialidade, uma espécie de narcisismo teológico. No Apocalipse Jesus diz que está à porta e bate. Evidentemente, o texto se refere ao fato de que Jesus bate do lado de fora da porta para entrar... Mas penso nas vezes em que Jesus bate do lado de dentro para que o deixemos sair. A Igreja autorreferencial quer Jesus Cristo dentro de si e não o deixa sair.

3. A Igreja, quando é autorreferencial, sem se dar conta, acredita que tem luz própria; deixa de ser o mysterium lunae e dá lugar a esse mal tão grave que é a mundanidade espiritual (Segundo De Lubac, o pior mal que pode sobrevir à Igreja). Esse viver para dar-se glória uns aos outros. Simplificando: há duas imagens de Igreja: a Igreja evangelizadora que sai de si – a Dei Verbum religiose audiens et fidenter proclamans, ou a Igreja mundana que vive em si, de si e para si. Isto deve dar luz às possíveis mudanças e reformas que tenha que fazer para a salvação das almas.

4. Pensando no próximo Papa: um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo e da adoração de Jesus Cristo ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe fecunda que vive da “doce e confortadora alegria de evangelizar”.

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