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25 Fevereiro 2012

Eles são de esquerda. Bebem das ideias de Karl Marx e Michel Foucault. Definem-se como herdeiros do "Operaísmo", movimento político italiano do pós-guerra que queria renovar o marxismo.

A resenha é de Eleonora de Lucena e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 25-02-2012.

O filósofo e ativista Antonio Negri, cuja trajetória esteve ligada às Brigadas Vermelhas e que se notabilizou como autor de "Império" (com Michael Hardt), é o nome de maior peso do grupo.

"A Crise da Economia Global" (Civilização Brasileira), organizado pelos italianos Andrea Fumagalli, professor de economia política da Universidade de Pavia, e Sandro Mezzadra, professor de história política da Universidade de Bolonha, traz a análise dessa linha de pensamento sobre o terremoto econômico que eclodiu em 2008.

É uma coletânea reunindo dez autores - filósofos, historiadores, sociólogos e economistas - com posfácio de Negri. Alguns dos textos, de 2008 e 2009, ficaram um tanto defasados. Outros têm um tom muito acadêmico.

No conjunto, os autores sedimentam seu diagnóstico na tese de que o poder norte-americano está cadente.

O forte do livro é a abordagem sobre o capitalismo financeiro. O economista suíço Christian Marazzi, por exemplo, afirma que o fordismo se esgotou porque encolheu os lucros industriais (em cerca de 50% entre 1960 e 1970) e "não foi mais capaz de 'sugar' mais-valia do trabalho vivo operário".

O modelo foi substituído pelo "capitalismo gerencial acionário". "A financeirização da economia foi um processo de recuperação da rentabilidade do capital depois do período de queda da taxa de lucro", aponta Marazzi.

Para ele, a financeirização "não é um desvio improdutivo/parasitário", mas a forma de acumulação atual.

Carlo Vercellone, economista e professor da Universidade de Paris 1, combate a ideia de que as finanças são "um poder autônomo quase absoluto que fagocitaria a chamada economia real".

Ao contrário, mostra como elas perpassam a vida cotidiana e criam uma ideologia do efeito-riqueza - em paralelo à compressão dos salários reais.

O economista Stefano Lucarelli, da Universidade de Bergamo, aprofunda o tema. Para ele, a "dinâmica do mercado acionário substitui o salário como fonte de crescimento cumulativo" e "revoluciona os mecanismos de controle social".

Da Universidade de Bolonha, o sociólogo Federico Chicchi observa que o efeito-riqueza cria um "ilusório seguro social", que confunde e enfraquece os assalariados.

Desconectados do contexto político e social, eles passam a girar em torno do "consumo dos gadgets e da sua ilusória liberdade aquisitiva".

SOLUÇÃO


Entre as propostas para a superação da crise, o historiador alemão Karl Roth lista pontos como: criação de uma moeda mundial, confisco de grandes capitais, reintrodução de taxas fixas de câmbio, criação de uma federação mundial da autonomia.

Ideias que "podem parecer excessivas ou utópicas", diz ele, mas que são "uma resposta adequada para uma situação histórica de radical subversão".

Nessa toada, no final, Negri avalia que "a financeirização é a forma atual do comando capitalista". Em um quase manifesto, conclama à rebelião. "A democracia pode e deve destruir o rentismo absoluto", pede.

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