“As práticas da Igreja na luta contra os abusos contra menores necessitam ser auditadas”, afirma Scicluna

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Por: André | 14 Fevereiro 2012

Dom Charles Scicluna, que está trabalhando junto com o Papa Bento XVI para tratar o tema dos abusos sexuais de menores por parte de sacerdotes, avalia o recente Simpósio Internacional sobre o assunto e enfatiza que “a consciência deve traduzir-se em prática” na Igreja, “e a prática necessita ser auditada”.

A entrevista é de Gerard O’Connell e está publicada no sítio Vatican Insider, 13-02-2012. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Qual é a sua avaliação do Simpósio?

O Simpósio, organizado pela Pontifícia Universidade Gregoriana, foi uma experiência verdadeiramente católica. Contamos com a participação de bispos de todas as partes do mundo, que provinham de diferentes pontos no que se refere à experiência dos abusos sexuais de menores. Vieram bispos dos Estados Unidos e do Canadá que já tinham experiência na aplicação da lei assim como está, através de três passos: estabelecimento das normas e aplicação das mesmas, elaboração de sistemas de proteção de menores – diretrizes e práticas – e, finalmente, auditoria das práticas. Por outro lado, participaram pessoas que ainda tentam entender os abusos sexuais em si mesmos e o fato de que um sacerdote possa abusar de um menor. Entre estes extremos, havia muitas pessoas no meio. Mas, reunir-se, escutar-se, foi uma experiência que, no final das contas, foi enriquecedora para todos.

Houve outros aspectos positivos?

O outro aspecto positivo foi o importante apoio da Santa Sé e das Congregações para a Doutrina da Fé, para os Bispos, para os Religiosos, e para a Evangelização dos Povos. Estes são departamentos muito importantes da Cúria romana, que não apenas promovem a lei, mas que, no caso da Congregação para os Bispos e para a Evangelização dos Povos, também escolhem bispos. Foi importante contar com a participação destes departamentos no evento. Além disso, uma grande quantidade de especialistas de todo o mundo esteve presente no Simpósio e compartilhou seus conhecimentos. Isto fez com que a experiência fosse de altíssima qualidade.

Uma vítima falou no Simpósio.

Isso foi importante, porque deu uma contribuição adequada e fez com que o evento fosse uma experiência verdadeiramente completa. Foi importante escutar a experiência de Marie Collins e o apoio oferecido pela baronesa Hollins. Sua mensagem foi muito clara e muito bem recebida. Foi um momento muito importante no começo do Simpósio. Impressionou-nos a todos muito essa mulher e sua coragem. Creio que todos os participantes estão agradecidos pela coragem demonstrada por Marie Collins e pelo modo gentil como escutou e compreendeu os bispos, e mostrou o caminho a seguir.

Está claro para todos que as crianças são a prioridade?

Não creio que nenhum participante tenha saído do Simpósio sem compreender que é isto que a Igreja quer, da cúpula até a base. Sobretudo é o que Jesus quer. O Evangelho diz: não impeçais, não obstaculizeis que as crianças vão até Jesus. O escândalo destrói a inocência das crianças e dos jovens.

E de que é preciso colocar a instituição antes do indivíduo?

Colocar a instituição acima da proteção das crianças não apenas é malvado, mas vai contra a ética da natureza da Igreja.

Os problemas de abusos vieram à tona na Europa, na América do Norte e na Oceania, mas ainda há “silêncio” na Ásia e na África.

Creio que o silêncio é um pecado que se pode encontrar em todas as partes. Impressionou-me muito a interpretação dada pelo arcebispo Luis Antonio Tagle de Manila sobre esta tendência asiática de manter as coisas ocultas e não revelar os abusos. O arcebispo utilizou dois termos: vergonha e honra. A vergonha e o silêncio são um modo de proteger a pouca honra que resta na vítima. Mas é bastante trágico ter que defender a honra própria simplesmente enterrando um abuso que se sofreu. O próprio arcebispo Tagle estava indicando que chegará um momento em que a Ásia terá que mudar este modo de defender a honra, porque no final do dia, o silêncio apenas dará oportunidade aos predadores para passar de uma vítima a outra. Não dará as soluções que buscamos, isto é, limitar e prevenir o dano.

E o que há da África?

Pessoas da África nos disseram que há muitos problemas relacionados com a má conduta sexual na África, mas com respeito aos adultos. Não temos estatísticas e foram reportados poucos casos de abusos de menores ali.

Como a América Latina está agindo em relação aos abusos?

A América Latina está aumentando sua consciência do problema. Tivemos – devido ao fato de que a mídia falou disso – alguns casos de alto perfil da América Latina, e o assunto foi incluído na agenda, não apenas da opinião pública, mas também das Igrejas locais. A resposta que recebemos dos bispos da América Latina é muito alentadora. Temos bispos que levam os casos reportados muito a sério e encorajam as pessoas para que revelem estas situações. Creio que este é o caminho a seguir.

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