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02 Junho 2011

Uma "causa" que se destaca pela sua demora é a de um homem a quem tanto o Papa João Paulo II quanto Bento XVI já declararam um "mártir da fé". A lentidão neste caso é quase inacreditável. Esse homem é o arcebispo Óscar Arnulfo Romero.

A opinião é de James Martin, SJ, editor de cultura da revista dos jesuítas dos EUA, America, 06-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Algumas semanas atrás eu escrevi sobre a beatificação de João Paulo II e falei não apenas sobre a sua profunda fé e considerável santidade pessoal, mas também sobre a consternação, em alguns círculos, sobre a perceptível pressa do seu processo de canonização.

Há muitas outras pessoas que eu espero que sejam em breve chamadas de santos e a quem eu rezo regularmente. Padre Arrupe, SJ, o carismático superior-geral da Companhia de Jesus entre 1965 e 1983, é um deles.

Padre Arrupe, entre outras realizações, convidou os jesuítas a redobrar seus esforços para atender às necessidades dos pobres e dos marginalizados, em resposta à "opção preferencial pelos pobres" da Igreja.

Além disso, eu também submeteria (você pode ver a minha inclinação) os nomes dos jesuítas da Universidade Centro-Americana, junto com seus companheiros, que se recusaram a abandonar os pobres a quem ministravam (da mesma forma como o trapistas argelinos retratado no filme Homens e deuses permaneceram em seus lugares) e que foram mortos em 1989.

Há também quatro religiosas, Dorothy Kazel, OSU, Maura Clarke, MM, Ita Ford, MM, e Jean Donovan, assassinadas em El Salvador devido às suas ações de defesa dos pobres, em 1980.

Mais recentemente, está Dorothy Stang, SNDdeN, que trabalhou junto aos pobres sem terra do Brasil e foi morta em 2005, enquanto recitava as Bem-aventuranças na presença dos seus assassinos.

Cada um destes já é, creio eu, e um dia será declarado santo.

De fato, um mártir não precisa de um milagre para a beatificação. O Vaticano pode dispensar essa exigência. Assim, todos os acima mencionados (exceto o Servo de Deus Pedro Arrupe) poderiam ser declarados "mártires da fé". Ou o Papa poderia usar a categoria relativamente nova de "mártir da caridade", aplicado pela primeira vez a São Maximiliano Kolbe em 1982: alguém que morre enquanto administra a caridade cristã.

Mas uma "causa" que se destaca pela sua demora é a de um homem a quem tanto o Papa João Paulo II quanto Bento XVI já declararam um "mártir da fé". A lentidão neste caso é quase inacreditável. Esse homem é o arcebispo Óscar Arnulfo Romero.

É difícil imaginar um caso mais claro para a beatificação de um "mártir da fé". Romero foi um homem cuja fé o levou de uma ferramenta dos ricos a ser um defensor dos pobres, um padre comprometido com o fim da violência , um líder da Igreja dedicado à reconciliação, e um bispo sem medo de se interpor entre a violência e o seu rebanho.

Em um sermão dirigido aos elementos repressores entre os militares do seu país, ele disse: "Em nome de Deus e em nome deste povo sofrido, cujos lamentos sobem até o céu cada dia mais tumultuosos, lhes suplico, lhes rogo, lhes ordeno, em nome de Deus: cesse a repressão!".

No dia seguinte, 24 de março de 1980, enquanto celebrava a missa em uma pequena capela chamada La Divina Providencia, o arcebispo Romero foi assassinado enquanto erguia o cálice. Seu próprio sangue foi derramado junto ao sangue de Cristo sobre o altar.

Em alguns círculos vaticanos, Romero é visto, injustamente, creio eu, como uma figura excessivamente "política". Mas essa é uma acusação estranha, dado o nosso clérigo mais recentemente beatificado: João Paulo II apoiou o movimento Solidariedade na Polônia, trabalhou com as potências mundiais para acabar com a Guerra Fria e regularmente se consultava com os líderes políticos.

Mesmo assim, o atraso continua. Em 2006, em viagem para a América Latina, o Papa Bento XVI disse aos repórteres: "Romero, como pessoa, merece a beatificação". Mas as autoridades do Vaticano mais tarde removeram essa frase da transcrição oficial, mantendo apenas o elogio do papa ao prelado assassinado como uma "grande testemunha da fé".

A pressa para beatificar João Paulo II foi considerada pelo jornalista Michael Walsh, da revista The Tablet, de Londres, como "indecorosa". Indecorosa, para mim, é a lentidão da beatificação de Óscar Arnulfo Romero. Santo imediatamente!

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