Benoît Hamon, o emergente socialista francês que quer impostos dos robôs

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24 Janeiro 2017

Até domingo, Benoît Hamon, de 49 anos, era um político permanentemente insatisfeito dentro do Partido Socialista francês, no qual milita desde os 19. Sempre na ala crítica, apenas dois meses depois de firmar duas moções de censura contra seu primeiro-ministro Manuel Valls, ele se transformou em seu único rival para ser o candidato da esquerda ao Eliseu, depois de vencer o primeiro turno das primárias. “É o primeiro tijolo para reconstruir a esquerda”, afirma.

A reportagem é de Carlos Yárnoz, publicada por El País, 23-01-2017.

Também desta vez tudo indicava que Hamon ficaria na oposição. As pesquisas coincidiam em que seria o terceiro homem na corrida, depois de Valls e do ex-ministro Arnaud Montebourg, também da ala esquerda do partido. A história dos três seguiu um caminho político coincidente durante muitos anos. Foram aliados-chave. Algumas vezes, o chefe era Valls. Em outras, Montebourg. Hamon, nunca. Até domingo.

Ex-ministro da Economia Social e da Educação entre 2012 e 2014, Hamon conseguiu este triunfo inicial com um discurso duro, anticapitalista, próximo daqueles dos dirigentes antissistema. Fala com frequência sobre a “tensão entre o povo e as elites” ou a confusão entre lobbies e Governos, e abomina o culto sagrado ao crescimento sem fim.

“O crescimento do PIB é uma convenção, mas a riqueza não reflete o bem-estar, o nível de desenvolvimento, as desigualdades... A corrida permanente pelo consumo nos leva à catástrofe. O crescimento permanente é um mito. Por ele sacrificamos nossos direitos sociais e nossos recursos naturais.”

O “ecossocialista” ou “ecologista social”, como se define, tem pouco a ver com seu antigo aliado, Valls, que se qualifica como “reformista social”. A medida de destaque agora defendida por Hamon consiste em estabelecer um salário social universal de pelo menos 600 euros (2.040 reais) para os maiores de 25 anos. “De onde vai sair esse dinheiro?”, lhe cutucaram seus rivais nas primárias. “Do mesmo lugar de onde saíram os 40 bilhões que este Governo deu às empresas”, respondeu.

O programa de Hamon

  • Salário social universal. Dar pelo menos 600 euros para os maiores de 18 anos. Mais em frente, 750.
  • Reforma trabalhista. Quer revogá-la.
  • Imposto sobre os robôs.
  • Legalização da maconha.
  • Vistos para refugiados.


Mas tem outras opções mais imaginativas. Por exemplo, quer tributar os robôs. “Se uma máquina substitui um homem e cria riqueza, não há motivo algum para que essa riqueza não seja onerada com impostos.”

Protecionista, intervencionista e muito crítico da política europeia, Hamon fez declarações em favor da nacionalização de bancos, abomina a austeridade e é partidário de frear o câmbio livre. Quer dar vistos aos refugiados, quase sem controle, defende legalizar a maconha e a eutanásia e votou “não” em 2005 no referendo sobre a malograda Constituição Europeia.

“Precisamos de uma Europa que defenda mais os cidadãos. É preciso reforçar as fronteiras externas da UE, não a das nações.

O déficit vale pouco frente ao risco de Marine Le Pen.”

Filho de um engenheiro e uma secretária, Hamon foi educado em um colégio católico em Finisterre e nunca renunciou a seus princípios religiosos, apesar de estar sempre na ala radical da esquerda. “A religião é uma riqueza”, costuma repetir.

Encaixado em 1992 no dissidente movimento juvenil socialista pilotado por um tal Manuel Valls, Hamon começou a andar de braços dados com a cúpula do PS. Deu um passo-chave ao se integrar ao gabinete de Martine Aubry, então ministra do Trabalho e líder visível do movimento rebelde contra François Hollande nesta legislatura. Aubry se tornou hoje um apoio fundamental de Hamon para o segundo turno das primárias, no dia 29. Os dois atuaram em harmonia nestes anos.

Porta-voz do partido com Aubry como dirigente em 2008, eurodeputado, vereador, conselheiro na região de Paris...., Hamon deu um passo crucial em sua careira quando Hollande o inseriu no Governo como ministro da Economia Social.

Concluíram seu ataque em março de 2014, em coordenação com Hollande. Valls ascendeu a primeiro-ministro, Montebourg ficou com a pasta da Economia e Hamon, com a da Educação.

Mas as alianças em política duram pouco. Cinco meses depois, Hollande e Valls afastaram do Executivo Hamon e Montebourg, críticos da “guinada liberal” do presidente e do chefe do Governo.

Desde então, as espadas continuaram erguidas e nestes dias assistimos à batalha decisiva.

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