Um pontificado de novidades e resistências. Entrevista especial com Tina Beattie

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06 Junho 2015

"A Igreja deve cair na real sobre a maternidade, e isso significa cair na real sobre o fato de que, a cada dia, 800 das mulheres mais pobres do mundo morrem de causas relacionadas à gravidez e ao parto, e milhares sofrem lesões", afirma a escritora. 

Foto: Adital
O pontificado de Francisco é uma “novidade” porque ele “insiste repetidamente na prioridade do amor na prática sobre doutrinas abstratas” e dá “ênfase constante na Igreja pobre para os pobres”, afirma Tina Beattie, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail. Apesar da inovação inaugurada pelo Papa na Igreja, é claro, frisa que “há ensinamentos doutrinários que ele não pode mudar”. Tina chama atenção para o debate acerca de “quão longe ele pode ir, por exemplo, no que diz respeito à readmissão dos católicos divorciados e recasados aos sacramentos, à inclusão de pessoas em relacionamentos com pessoas do mesmo sexo dentro da compreensão da Igreja da bondade do amor sexual e do casamento, à ordenação de mulheres (o que ele disse já é um assunto encerrado)”.

Na avaliação da professora de teologia da Universidade de Roehampton, em Londres, “Francisco continua a repetir alguns dos ensinamentos de seus antecessores de uma maneira que mostra uma certa relutância em abraçar plenamente os insights e desafios de teólogas e feministas”. Do mesmo modo, o Papa “tem uma atitude muito negativa em relação à teoria de gênero, continuando a promover a ideia de ‘complementaridade’ sexual que tem sido bastante criticada, e ele ocasionalmente faz piadas sobre as mulheres, que alguns acham banais e um pouco paternalistas”, pontua.

Apesar de sua defesa das discussões de gênero, a teóloga lembra que a “ideia de autonomia deve ser usada com cautela”, porque, enquanto seres humanos, somos criaturas dependentes uns dos outros. “A ideia individualista secular moderna de autonomia não é realmente compatível com a compreensão católica da criatura codependente e relacional. Dito isto, a tradição católica coloca grande ênfase no dever de cada indivíduo seguir sua consciência esclarecida, e isso significa que deve haver um controle da autoridade quando questões íntimas de tomada de decisão pessoal estão em causa”, explica.

Tina Beattie (foto abaixo) é teóloga e especialista em questões de ética e de feminismo, membro da direção da revista católica britânica The Tablet. É autora de, entre outras obras, Theology after Postmodernity: Divining the Void (Londres e Nova York: Oxford University Press, 2013) e New Catholic Feminism: Theology and Theory (Londres e Nova York: Routledge, 2006).

Confira a entrevista.

 Foto: reform.magazine.co.uk

IHU On-Line - Qual é a grande novidade do papado de Francisco?

Tina Beattie - O Papa Francisco foi além do estilo um tanto autoritário de seus antecessores, os Papas João Paulo II e Bento XVI, para criar uma Igreja mais acolhedora e inclusiva, que se concentra mais na alegria, no perdão e na misericórdia de Cristo do que na aplicação de regras estritas e dogmas. Ele insiste repetidamente na prioridade do amor na prática sobre doutrinas abstratas. Essa é uma novidade, e a outra é a sua ênfase constante na Igreja pobre para os pobres. Em uma época de crescentes divisões econômicas entre ricos e pobres, muitas pessoas acolhem a sua vontade de ser uma voz forte a nos lembrar da importância da justiça para os pobres, marginalizados, excluídos e refugiados, e seu compromisso evidente de não apenas para falar, mas fazer. Este é um papa que abraça a simplicidade da qual ele fala, e isso é inspirador.

IHU On-Line - Quais são os principais limites de seu papado?

Tina Beattie - Eu acho que é justo dizer que a Igreja, hoje, está dividida entre aqueles que acolhem o estilo de liderança mais informal e populista do Papa Francisco, e aqueles que anseiam pelo estilo mais doutrinariamente e liturgicamente conservador do Papa Bento XVI. Não é correto descrever essas distinções como "liberais versus conservadores" ou "progressistas versus tradicionalistas", mas certamente um dos desafios do Papa Francisco é lidar com essas duas posições polarizadas. E, claro, há ensinamentos doutrinários que ele não pode mudar. Há muito debate sobre o quão longe ele pode ir, por exemplo, no que diz respeito à readmissão dos católicos divorciados e recasados aos sacramentos, à inclusão de pessoas em relacionamentos com pessoas do mesmo sexo dentro da compreensão da Igreja da bondade do amor sexual e do casamento, à ordenação de mulheres (o que ele disse já é um assunto encerrado).

No entanto, este é um papa que, na minha opinião, acredita verdadeiramente e confia no Espírito Santo. É a Igreja de Deus, e através da criação de um espaço mais aberto e reconhecidamente contestado para que essas coisas sejam discutidas, ele está, eu creio, permitindo ao Espírito guiar a Igreja. Eu não acho que ele sente qualquer necessidade de controlar esse processo, mesmo que como papa seu papel seja o de assegurar uma liderança sábia e o discernimento. A palavra ‘discernimento’ é a chave do seu papado. Como jesuíta, essa é a marca de sua espiritualidade. Ele também fala repetidamente do primado do tempo sobre o espaço — é preciso dar tempo para os processos de transformação humana, levando em conta as limitações e o contexto de falhas inevitáveis.

IHU On-Line - Quais são os avanços que foram feitos nestes últimos dois anos em relação à participação das mulheres na Igreja?

Tina Beattie - O Papa Francisco tem apelado repetidamente para que as mulheres desempenhem um papel mais significativo na Igreja, e tem havido algumas mudanças. Ele aumentou o número de mulheres na Comissão Teológica Internacional de duas para cinco, e, recentemente, a primeira mulher foi nomeada para assumir o cargo de reitora de uma universidade pontifícia — Irmã Mary Melone, no Antonianum. A nova Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, instituída pelo Papa Francisco, tem várias mulheres membros, incluindo a respeitada psiquiatra britânica, baronesa Sheila Hollins [1], e a sobrevivente de abuso Marie Collins [2]. Nos primeiros meses deste ano houve uma série de conferências e reuniões organizadas por várias instituições do Vaticano para discutir o papel das mulheres, e isso é um sinal de que as coisas estão mudando. Dito isto, o Papa Francisco continua a repetir alguns dos ensinamentos de seus antecessores de uma maneira que mostra uma certa relutância em abraçar plenamente os insights e desafios de teólogas e feministas.

Por exemplo, ele tem uma atitude muito negativa em relação à teoria de gênero, continuando a promover a ideia de "complementaridade" sexual que tem sido bastante criticada, e ele ocasionalmente faz piadas sobre as mulheres que alguns acham banais e um pouco paternalistas. Ele é um homem do seu tempo e da sua cultura, mas ele também está disposto a ouvir e a aprender, por isso devemos aceitar o seu conselho e reconhecer que a transformação humana leva tempo, e não podemos esperar que ele faça e esteja ciente de tudo imediatamente.

IHU On-Line - Em que medida essas modificações questionam e reveem a estrutura patriarcal da instituição eclesiástica? Quais são seus limites?

Tina Beattie - Observa-se, muitas vezes, que, para as estruturas patriarcais e instituições androcêntricas mudarem, não é suficiente apenas incluir umas poucas e selecionadas mulheres. Tem que haver uma massa crítica de mulheres, por exemplo, em comissões pontifícias, universidades e outras posições de liderança. As teólogas devem estar envolvidas na formação da doutrina da Igreja, e estas devem ser as mulheres que representam a rica e vasta diversidade da vida das mulheres católicas em diferentes culturas e contextos. Tudo isso é possível sem desafiarmos radicalmente o ensino da Igreja existente. Mais cedo ou mais tarde, porém, a questão da ordenação de mulheres terá de ser discutida e aberta a um debate teológico completo e sério. Não é possível, quando tantas outras Igrejas estão ordenando mulheres, a Igreja Católica ficar apenas içando a ponte levadiça sobre esta questão. O Papa Francisco quer que a Igreja espalhe a alegria do Evangelho, para que sejamos evangélicos, para que sejamos “boa notícia” para todas as pessoas do mundo, especialmente os pobres. Mas no mundo de hoje, uma instituição que continua a bloquear as mulheres da representação sacramental de Cristo no altar não parece ser uma “boa notícia”. Cristo assumiu a carne humana, a fim de resgatar a humanidade — é a sua humanidade, não a sua masculinidade, que é o mais significativo em termos de redenção. Para que as mulheres, hoje, ouçam essa mensagem, precisamos ver que as mulheres também representam Cristo.

IHU On-Line - Por que em nenhum outro lugar a ausência da influência das mulheres se manifesta tão claramente quanto no que se refere aos ensinamentos da Igreja sobre a ética sexual e reprodutiva?

Tina Beattie - Ainda há vastos problemas em torno da doutrina da Igreja nessas áreas, no que diz respeito a uma falha para compreender e ir ao encontro das mulheres que têm dificuldade com dilemas e responsabilidades intensas nas áreas da sexualidade, da reprodução e da maternidade. Os ensinamentos oficiais da Igreja e os pronunciamentos papais ainda romantizam a maternidade e não levam suficientemente a sério os desafios da mortalidade materna, a superpopulação e a necessidade de que as mulheres tenham direitos sexuais e reprodutivos como uma expressão de nossa própria responsabilidade ética. Além disso, em um mundo em que tantas meninas e mulheres ainda carecem de qualquer agência ou controle sobre o que acontece com elas sexualmente, é eticamente chocante negar-lhes o acesso à contracepção segura.

O aborto é uma questão muito complexa, e eu conheço muito poucas mulheres católicas que abraçariam o movimento pró-escolha acriticamente. O objetivo deve ser o de impedir o aborto — nas palavras de Hillary Clinton, torná-lo seguro, lícito e raro —, mas não se salva a vida de crianças não nascidas tornando o aborto ilegal — isso simplesmente garante que muitas mulheres morram junto com a criança abortada. Esse é um dilema ético extremamente complexo, mas as mulheres devem falar para as mulheres sobre essas questões. A ideia de uma hierarquia de homens celibatários proclamando-se à autoridade moral final sobre os corpos das mulheres, sobre a sua sexualidade e a sua capacidade reprodutiva simplesmente garante que nossas filhas afastem-se da Igreja em massa, porque elas percebem que é uma situação ridícula.

IHU On-Line - Nos dias de hoje, qual é o sentido das exortações e controles da Igreja sobre a sexualidade, sobretudo a feminina?

Tina Beattie - Claro, há uma necessidade de que homens e mulheres pensem juntos sobre o que significa expressar a nossa sexualidade de forma responsável e amorosa, e assumir a responsabilidade total dos filhos que geramos. Eu não acho que muitas pessoas gostariam que a Igreja ficasse calada sobre tais questões. Mas também há um forte elemento de controle em alguns dos ensinamentos sobre a sexualidade. Em todas as culturas, o sistema feminino reprodutivo é de enorme importância e está sempre sujeito a elevados níveis de controle e vigilância, mas com o advento dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero, esse modelo já não tem qualquer credibilidade. Precisamos de uma transformação ética.

IHU On-Line - Em que medida essas diretivas da Igreja sobre a sexualidade feminina representam um entrave à consecução de sua autonomia enquanto sujeitos?

Tina Beattie - A ideia de autonomia deve ser usada com cautela. Como seres humanos, somos criaturas relacionais — dependentes uns dos outros e responsáveis uns pelos outros. A ideia individualista secular moderna de autonomia não é realmente compatível com a compreensão católica da criatura codependente e relacional. Dito isto, a tradição católica coloca grande ênfase no dever de cada indivíduo seguir sua consciência esclarecida, e isso significa que deve haver um controle da autoridade quando questões íntimas de tomada de decisão pessoal estão em causa. A Igreja pode educar, orientar, informar e orar, mas ela não deve coagir, forçar e intimidar, nem deve procurar usar a lei para fazer valer aqueles que são princípios fundamentalmente morais de virtude e caráter individual.

IHU On-Line - Por que você afirma que Francisco tem uma tendência a romantizar a maternidade? O que isso significa em termos práticos?

Tina Beattie - Veja acima. As qualidades de nutrir, cuidar e oferecer carinho associadas à maternidade devem ser as qualidades de cada cristão, e, de fato, o próprio Papa Francisco manifesta essas qualidades, em grande medida. Mas as mães são humanas, e as mulheres muitas vezes enfrentam grandes injustiças, dificuldades e lesões no que diz respeito às nossas capacidades maternais. A Igreja deve cair na real sobre a maternidade, e isso significa cair na real sobre o fato de que, a cada dia, 800 das mulheres mais pobres do mundo morrem de causas relacionadas à gravidez e ao parto, e milhares sofrem lesões. Isso é o equivalente a dois aviões Jumbo caindo a cada dia, e ainda assim os documentos oficiais da Igreja nunca mencionam isso como um desafio ético sério. E embora seja impossível avaliar com precisão quantas mulheres morrem devido a abortos inseguros, os números estão em dezenas de milhares a cada ano. Esses são desafios complexos. Eles têm a ver com justiça econômica e social e não apenas com a ética sexual. A comunidade internacional tem feito grandes progressos na redução da mortalidade materna e infantil nas últimas duas décadas, mas a ansiedade da Igreja sobre a contracepção e o aborto mostra que em vez de liderar esses esforços, ela tem sido muito frequentemente um obstáculo.

IHU On-Line - Qual é o nexo que une pobreza e mortalidade entre as mulheres? Qual é o papel da Igreja para mudar esse cenário? Como Francisco poderia interferir nesse sentido?

Tina Beattie - Cerca de 99% das mortes maternas ocorrem na África Subsaariana e na Ásia entre as mulheres mais pobres do mundo. Quando uma mãe morre, isso também tem um impacto devastador sobre seus filhos sobreviventes. As vidas das mulheres são corroídas pela mortalidade infantil e, claro, pela incapacidade de limitar o número de filhos. No entanto, há também evidências abundantes de que as campanhas de contracepção não são suficientes. Quando as mulheres são escolarizadas, e quando a mortalidade infantil é reduzida, os números da população começam a declinar e as mulheres têm menos filhos. A Igreja está certa sobre isso, e tem dito isso muitas vezes. Isso é importante, porque ainda as nações ocidentais, por vezes, promovem políticas agressivas de controle populacional que tiram os direitos e a autonomia das comunidades pobres e das mulheres em particular. Portanto, nesse aspecto, a Igreja poderia ser uma campeã dos direitos das mulheres pobres. Mas para uma mulher escolarizada limitar o número de filhos, ela precisa de acesso à contracepção segura. Essa é a pedra de tropeço para os ensinamentos da Igreja.

IHU On-Line - Frente à sua posição crítica sobre a Igreja Católica, por que continua ligada ao catolicismo, especificamente?

Tina Beattie - A católica nos diz que o mundo é agraciado por Deus, que nós participamos no ser de Deus e que a beleza da criação é uma manifestação da graça divina. Ela oferece uma visão sacramental da criação e o nosso lugar nela, e suas doutrinas centrais da encarnação, redenção, amor trinitário e da solidariedade com os pobres são para mim as crenças de formação em torno das quais gira toda a minha vida e minhas aspirações. Por que iria me afastar disso apenas por causa de algumas dificuldades temporais com ensinamentos morais que muito poucas pessoas, afinal de contas, seguem?! A Igreja Católica é uma realidade humana duradoura, e é claro que existem lutas, dificuldades e diferenças enquanto discernimos o que isso significa em termos de tempo, história e uma cultura global em rápida mutação. Mas é justamente aqui onde quero colocar meus esforços e os meus compromissos.

Por Márcia Junges e Patricia Fachin / Tradução: Claudia Sbardelotto

Notas:

[1] Sheila Hollins (1946): professora de psiquiatria da deficiência de aprendizagem em St George, da Universidade de Londres. Em 2010, recebeu o título Baroness Hollins, de Wimbledon no London Borough of Merton e de Grenoside no condado de South Yorkshire. Foi presidente da Royal College of Psychiatrists 2005-2008, sucedido por Dinesh Bhugra. Também foi presidente da Associação Médica Britânica e é atualmente presidente do Conselho BMA da Ciência. Em 2014 o Papa Francisco nomeou um membro da recém-criada Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores. Confira mais informações sobre o tema no sítio do IHU. O Papa completa a Comissão para os menores: oito mulheres e dez leigos, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[2] Marie Collins: irlandesa que aos 13 anos de idade foi abusada sexualmente por um padre, enquanto esteve internada em um hospital. Era a primeira vez que ficava longe de sua família. Anos depois, ela soube que, após ter obtido alta, o hospital descobrira que o padre “era um especialista em abusar das crianças internadas” e que a única “punição” da Igreja foi transferi-lo de paróquia. Hoje, ela integra a comissão que assessora o Vaticano na luta contra a pederastia na Igreja. Sobre o tema, confira no sítio do IHU: “Reunião no Vaticano sobre polêmico bispo chileno foi “muito boa”, afirma sobrevivente de abusos sexuais”, disponível aqui; “Quem encobre abusos sexuais também deve ser punido”. Entrevista com Marie Collins, disponível aqui: ''Farei ouvir a voz de uma mulher abusada por um padre'', afirma Marie Collins, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

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