Papa quer papel “capilar e incisivo” para as mulheres na Igreja

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27 Janeiro 2014

Em seu discurso, no dia 25-01-2014, a um grupo de mulheres italianas, o Papa Francisco mais uma vez expressou uma “esperança vívida” de que as mulheres irão desempenhar um papel “mais capilar e incisivo” na Igreja Católica, bem como em todos espaços em que “as decisões mais importantes são adotadas”.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por National Catholic Reporter, 25-01-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Francisco fez o comentário durante um discurso no Centro Italiano Femminile, originalmente fundado em 1944 para promover o envolvimento das mulheres na reconstrução da Itália no pós-Guerra e inspirado pela tradição cristã.

Embora reafirmando a proibição de sacerdotes do sexo feminino, em várias ocasiões o papa manifestou o desejo de um papel maior às mulheres na Igreja, incluindo sua conferência de imprensa, em julho, a bordo de um avião retornando do Brasil e em sua recente exortação apostólica “Evangelii Gaudium”.

Francisco não ofereceu nada em específico no tocante a quais papéis poderiam ser, mas a repetição deste assunto dá a entender, sem dúvida, que isso seja uma prioridade papal.

“Fico feliz em ver muitas mulheres partilhando certas responsabilidades pastorais no acompanhamento a indivíduos, famílias e grupos, e na reflexão teológica”, disse o religioso. “E eu manifestei esperanças de que espaços para uma presença feminina que seja mais capilar e incisiva na Igreja serão ampliados”.

A seguir apresentamos texto do discurso do Papa Francisco na íntegra.

* * *

Agradeço ao Senhor junto de todas vocês por tudo de bom que o Centro Italiano Femminile vem realizando durante os seus quase 70 anos de existência, pelo trabalho que é realizado na área da formação e promoção humana e pelo testemunho que é dado quanto ao papel da mulher na sociedade e na comunidade eclesial. Na verdade, no arco destas décadas, ao lado de outras transformações culturais e sociais, a identidade e o papel da mulher, na família, em sociedade e na Igreja, passou por mutações notáveis e, em geral, a participação e responsabilidade das mulheres cresceram.

Neste processo, o discernimento do magistério dos papas foi, e é, importante. De modo especial a carta apostólica do beato João Paulo II intitulada Mulieres Dignitatem, de 1998, deve ser lembrada quanto à dignidade e vocação da mulher. É um documento que, em consonância com o ensino do Concílio Vaticano II, reconheceu a força moral da mulher e sua força espiritual (cf. § 30); e lembremos também a mensagem para o Dia Mundial da Paz, em 1995, sobre o assunto “A mulher: educadora da paz”.

Eu igualmente recordei o papel indispensável da mulher na sociedade, em particular com sua sensibilidade e intuição para com o outro, com os fracos e indefesos; fico feliz em ver muitas mulheres partilhando certas responsabilidades pastorais no acompanhamento a indivíduos, famílias e grupos, e na reflexão teológica; manifestei esperanças de que espaços para uma presença feminina que seja mais capilar e incisiva na Igreja serão ampliados. (Cf. exortação Evangelii Gaudium, § 103).

Estes novos espaços e responsabilidades que se abriram, e eu vividamente espero que eles possam ser expandidos ainda mais para a presença e atividade das mulheres, tanto no âmbito eclesial quanto no da sociedade civil e nas profissões, não pode nos fazer esquecer o papel insubstituível delas na família. Os dons da delicadeza, de uma sensibilidade e ternura especiais, que constituem a riqueza do espírito feminino, representam uma força genuína para a vida da família, para a irradiação de um clima de serenidade e harmonia, mas uma realidade sem a qual a vocação humana seria irrealizável.

Se no mundo do trabalho e na esfera pública é importante ter um papel mais incisivo para o gênio feminino, tal papel também continua essencial no âmbito da família, que para nós, cristãos, não apenas é um lugar privado como também a “Igreja doméstica” cuja saúde e prosperidade são pré-requisitos para a saúde e prosperidade da Igreja e da própria sociedade. A presença das mulheres no âmbito doméstico mostra-se, portanto, ser mais necessário do que nunca para a transmissão de princípios morais sólidos às futuras gerações e para a transmissão da própria fé.

A esta altura é natural perguntar: Como é possível cultivar a presença efetiva [das mulheres] em tantos âmbitos da vida pública, no mundo do trabalho e em espaços onde as decisões mais importantes são adotadas, e ao mesmo tempo manter uma presença e uma atenção preferencial, que é extremamente especial, na e para a família? Eis uma área em que o discernimento, bem como a reflexão sobre a realidade da mulher em sociedade, pressupõe oração assídua e persistente.

É no diálogo com Deus, iluminado pela sua palavra e irrigado pela graça dos sacramentos, que a mulher cristã sempre busca novamente responder ao chamado do Senhor, no contexto concreto de sua situação pessoal. Esta oração é sempre sustentada pela presença maternal de Maria. Ela que cuidou de seu Filho divino, que ganhou o favor de seu primeiro milagre no casamento em Cana, que esteve presente no Calvário e no Dia de Pentecostes, mostra o caminho a ser trilhado a fim de aprofundarmos o significado e o papel da mulher em sociedade e para sermos totalmente fiéis ao Senhor Jesus Cristo e à sua missão no mundo.

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