Estudo de caso sobre a relação LCWR/CDF poderia beneficiar toda a Igreja

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01 Setembro 2015

"O que se será que se passou entre a LCWR e o Vaticano quando a investigação veio a público? Agora que a investigação está oficialmente terminada e que há um relatório conjunto, podemos saber quais os pontos negativos ao se conduzir o processo sob sigilo?", escreve Carol Stanton, trabalhou como diretora de comunicação e diretora de formação na Diocese de Orlando, Flórida, em artigo publicada pela National Catholic Reporter, 26-08-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

A Igreja Católica tem muito a aprender com o recente encontro entre a Conferência de Liderança das Religiosas – LCWR (na sigla em inglês) e a Congregação para a Doutrina da Fé – CDF, que recentemente concluiu uma investigação sobre a teologia, os procedimentos de trabalho e as escolhas das irmãs. Como aprender com um evento como esse, cujos detalhes permanecem um tanto encobertos, é um desafio.

A abordagem de estudo de caso – ferramenta de ensino e de pesquisa utilizada em muitas universidades – poderia ser útil. Neste caso, ela tomaria a forma de uma revisão post hoc à disposição do público sobre a tomada de decisão fundamental assumida por todas as partes do encontro em questão. Refletir dessa forma sobre o que sabemos do encontro da LCWR com a CDF nos conduz a muitos questionamentos – e suas respostas seriam de grande valia para o futuro da Igreja institucional.

Estive presente na assembleia anual de 2013 da LCWR, a primeira depois que a avaliação doutrinal fora anunciada em 2012. A assembleia ocorreu em Orlando, Flórida, onde um certo medo misturado com raiva e alguma paranoia se mostrava aparente. Será que tal sentimento era o resultado da visitação apostólica às irmãs nos Estados Unidos? Será que o medo era tal em torno desta intervenção vaticana que as líderes da LCWR tiveram de instruir as irmãs que participavam da assembleia a não falar sobre o assunto com os repórteres credenciados no evento? Será que foi este medo que as levou a contratar uma empresa de segurança privada para proteger as entradas do hotel em que estavam durante a sessão plenária privada em que se fazia presente o arcebispo de Seattle, Dom J. Peter Sartain, delegado do Vaticano responsável pela investigação?

Roma havia encarregado Sartain de conduzir aquilo que muitos nos EUA consideraram um processo injusto e desnecessário. Quais eram os seus sentimentos diante dessa responsabilidade? Qual era a natureza da preocupação que levou à decisão conjunta do arcebispo e da LCWR em não realizarem nem mesmo uma coletiva de imprensa para atualizar a imprensa católica sobre o tema?

Tal ambiente clima emocional pareceu intensificar aquilo que, desde o início, foi um processo sigiloso. Por que as autoridades vaticanas escolheram surpreender as coordenadoras da LCWR ao anunciarem que eles haviam lançado uma investigação sem lhes dizer nada? Por que as líderes da LCWR e Sartain acharam necessário manter esta cultura de sigilo na medida em que as conversas aconteciam?

Houve outros exemplos recentes dessa cultura do sigilo na Igreja. A Irmã Elizabeth Johnson, professora da Universidade de Fordham e membro da Congregação de São José, foi surpreendida por uma condenação teológica de seu livro “Quest for the Living God”, mas a enfrentou de cabeça erguida e na arena pública. Ela escreveu e publicou uma resposta detalhada aos seus acusadores, membros da comissão doutrinal da Conferência Episcopal americana, presidida pelo Cardeal Donald Wuerl. Ela também fez tornar público o fato de que havia sido deixada de fora dos debates sobre seu livro e que teria ficado feliz em debater os temas controversos com a comissão episcopal. Ao manterem o confronto na arena pública, tanto ela como a comissão doutrinal ganharam uma clareza sobre o processo e o conteúdo em questão, bem como sobre a forma como proceder em casos futuros.

O que se será que se passou entre a LCWR e o Vaticano quando a investigação veio a público? Agora que a investigação está oficialmente terminada e que há um relatório conjunto, podemos saber quais os pontos negativos ao se conduzir o processo sob sigilo? Será que poderia ter havido ganhos caso os trabalhos fossem feitos na arena pública desde o início?

A LCWR escolheu para ser fiel em seu processo de diálogo contemplativo, tanto entre os as suas congregações membros como diante dos representantes vaticanos. A LCWR diz que a forma como as coisas foram conduzidas deu certo. Mas, na prática, como era a investigação e por que ela funcionou? Encontraram alguns poréns? Que tipo de resistência esteve presente? Como os dois grupos cooperaram? Quais foram os momentos de ruptura, e o que contribuiu para eles? O que funcionou bem? O que poderia ser feito diferente? Como se deu a diferença de poder? Como aconteceu a comunicação interna? Quais foram os pontos de interesse comum? O que acabou não sendo possível de negociação?

As coordenadoras da LCWR mudaram ao longo destes anos de investigação. A introdução de líderes com habilidades diferentes fez alguma diferença? Qual era a função de Sartain e dos outros dois bispos supervisores? Quem assumiu a liderança no Vaticano? Que qualidades entraram em cena ao se chegar ao acordo? O que se ganhou e o que se perdeu nisso tudo?

O medo se dissipou? Em caso afirmativo, quando e por quê? Se não, quais são os medos que persistem? Como esta experiência influenciou a LCWR em sua visão de futuro? Como a experiência influenciou a forma que Sartain e o Vaticano imaginam ser o dever deles enquanto Igreja?

A LCWR é uma organização dedicada a apoiar o crescimento de suas congregações. Esta experiência recente das irmãs é um estudo de caso que serve para ajudá-las a aprimorar, ainda mais, a abordagem dialógica e contemplativa no interesse da comunicação em curso não só com o Vaticano, mas também com os bispos dos EUA.

Imaginemos o poder de uma reunião onde todos os parceiros deste encontro – incluindo o arcebispo e o Vaticano – se colocam lado a lado para avaliar, com honestidade, os detalhes daquilo que aconteceu com o objetivo de aprender com ele. Que presente, e que modelo, que seria para o resto da Igreja!

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