Livro que relaciona religião e economia merece um estudo sério

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01 Abril 2016

Conforme se ouve no musical Cabaret, “o dinheiro faz o mundo girar”.

Já de acordo com Scott W. Gustafson, no livro “At the Altar of Wall Street”, o dinheiro não apenas faz o mundo girar como também é o fundamento de todas as religiões, e em si é uma religião. Ao longo de todos os oito capítulos da obra, Gustafson explica os rituais, os mitos, as teologias, os sacramentos e a missão da economia mundial.

A reportagem é de Daniel S. Mulhall, publicada por Catholic News Service, 30-03-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Teólogo, professor, pastor luterano e um investidor que “alcançou êxtases ‘espirituais’” com os investimentos que fez, coisa que ele “nunca de fato sentiu através nas experiências religiosas tradicionais”, o autor apresenta um olhar perspicaz para dentro da história e da tradição da economia, e sobre como ela – a economia – se transformou na religião comum do mundo “porque ela funciona em nossa cultura na forma como as religiões funcionavam em outras culturas”.

O propósito do livro, escreve o autor, é “descrever como a economia funciona na forma de uma religião em nossa cultura global emergente”.

Segundo Gustafson, a linguagem econômica funciona como uma constante no pensamento religioso. Ele observa que, na maioria das religiões – se não em todas elas –, a dívida que devemos a Deus é um princípio central. O autor salienta que este conceito de dívida se origina nos primórdios da história humana, quando as pessoas deixaram de ser caçadores-coletores, onde aparentemente (nenhuma prova é apresentada aqui) compartilhavam todas as coisas em comum, para viver em comunidades fixadas, em que o conceito de propriedade privada criou a necessidade de um sistema para manter o registro sobre quem tinha determinada posse.

Em todo o livro, Gustafson fornece insights muito envolventes para dentro da relação entre religião e a economia. A definição que dá de mito (“uma história que acontece do lado de fora do tempo comum que explica o fenômeno do lado de dentro do tempo comum”) e de religião (“uma tentativa cultural de interpretar fatos conhecidos de uma maneira significativa”) é clara e útil.

Alguns dos seus comentários são um tanto ousados e, por vezes, desconcertantes.

Eis uns exemplos: “Não obstante, os atos coletivizantes da União Soviética imitam ações dos terroristas religiosos que se mantêm firmes em seus princípios religiosos apesar da carnificina”; “Mas a moralidade alcança o pleno poder sobre a sociedade quando os líderes religiosos – por meio de rituais e mitos – convencem as pessoas de que a divisão entre aqueles que merecem alimento e aqueles que não merecem é uma divisão divina, e não de origem humana”; e “a distinção entre bem e mal determinava quem merecia alimentos e quem não merecia”,

É um livro que merece um estudo sério, quer se aceite todos as afirmações de Gustafson ou não. Quase toda pessoa no mundo participa e é influenciado de alguma maneira pela economia global, e um número bem menor presta alguma consideração – muito menos uma consideração séria – quanto à forma como somos afetados e quais são realmente os custos desta nossa participação.

A presente obra nos dá uma oportunidade de travar um diálogo importante e necessário sobre este tema.

Imagem: Catholic Nwes Service

At the Altar of Wall Street: The Rituals, Myths, Theologies, Sacraments and Mission of the Religion Known as the Modern Global Economy
Autor: Scott W. Gustafson
Editora: Wm. B. Eerdmans
Ano: 2015
232 páginas

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