Alemanha. Cardeal Reinhard Marx apresenta sua renúncia ao Papa Francisco pelo escândalo de abusos sexuais na Alemanha

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04 Junho 2021

 

Bomba na Igreja Alemã. O cardeal de Munique, Reinhard Marx, pediu renúncia do seu cargo e o colocou à disposição ao Papa Francisco, num gesto com o qual quer “compartilhar a responsabilidade pela catástrofe dos abusos sexuais na Igreja nas últimas décadas”. Marx, até o ano passado presidente do episcopado alemão, tem 68 anos (sete a menos que os 75 que marcam a renúncia obrigatória).

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 04-06-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A carta de Marx, que a diocese publicou em seu site com a permissão expressa de Bergoglio (que lhe respondeu informando que “deve continuar seu serviço episcopal até que tome uma decisão”) é uma assunção de responsabilidades das falhas sistemáticas que, na última década, causaram sofrimento a boa parte da Igreja alemã na gestão dos casos de abusos e que motivaram, entre outras questões, a renúncia do arcebispo de Hamburgo, e a investigação vaticana ao cardeal Woelki e à diocese de Colônia (a maior do país) por possíveis encobrimentos.

“Houve muitas falhas pessoais e erros administrativos”, constata Marx, mas “também falhas institucionais ou sistêmicas”. Os últimos exemplos, na opinião do purpurado, mostram como “alguns na Igreja não querem admitir essa corresponsabilidade e, portanto, também a cumplicidade da instituição, e se opõem a qualquer reforma e renovação do diálogo em relação com a crise dos abusos”.

“A Igreja Católica chegou a um ponto morto”

Marx rejeitou claramente esta posição, defendendo com veemência que o “Caminho Sinodal” deve continuar, porque “a Igreja Católica chegou a um ponto morto”. Com sua renúncia ao cargo, e à espera de que o Papa a aceite, ou não, “quero mostrar que não é o cargo que está em primeiro plano, mas sim o mandato do Evangelho”.

Em sua declaração, Marx acrescentou que havia pensado repetidamente em renunciar ao cargo durante os últimos meses. “Gostaria de deixar claro, estou pronto para assumir a responsabilidade pessoal, não apenas pelos meus próprios erros, mas pela Igreja como instituição, que ajudei a moldar durante décadas”.

 

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