Alemanha. Arquidiocese de Colônia sob investigação do Vaticano

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02 Junho 2021

 

A visita apostólica no começo de junho investiga como as autoridades da maior diocese da Alemanha, incluindo o cardeal Rainer Maria Woelki, podem ter negligenciado casos de abuso.

A reportagem é de Malo Tresca, publicada por La Croix International, 31-05-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A nunciatura apostólica na Alemanha anunciou que o Papa Francisco ordenou uma investigação na Arquidiocese de Colônia, a fim de esclarecer como os casos de abuso sexual foram tratados, ou maltratados, nas últimas quatro décadas.

Em um comunicado de 28 de maio, a nunciatura disse que o papa confiou a “visitação apostólica”, como é chamada a investigação, ao cardeal Anders Arborelius, de Estocolmo, e ao bispo Johannes van den Hende, de Rotterdam, presidente da Conferência Episcopal dos Países Baicos.

A visita está prevista para começar na primeira quinzena de junho.

“Os enviados da Santa Sé terão uma visão geral da complexa situação pastoral da arquidiocese”, disse a nunciatura.

Os dois visitantes examinarão “os possíveis erros” cometidos pelo atual arcebispo de Colônia, o cardeal Rainer Maria Woelki, e seus principais assessores.

O cardeal de 64 anos, que se tornou chefe da arquidiocese em 2014, foi acusado no ano passado de tentar ocultar uma denúncia de abusos.

As ações de seu ex-vigário-geral Stefan Hesse, que se tornou arcebispo de Hamburgo em 2015, também serão investigadas.

O papel dos bispos auxiliares Dominikus Schwaderlapp e Ansgar Puff, ambos já suspensos, também será examinado.

 

Crises internas

A Arquidiocese de Colônia vem lutando contra uma série de crises internas há vários meses.

A publicação em março passado de um relatório independente de 800 páginas sobre o abuso sexual na arquidiocese causou uma grande onda de demissões entre os líderes da Igreja alemã.

O relatório identificou 314 vítimas menores e 202 supostos abusadores – incluindo padres e leigos – por atos cometidos entre 1975-2018.

Os advogados que realizaram o relatório revisaram 236 processos. Sua investigação envolveu oito altos funcionários da Igreja que “claramente falharam em seus deveres” no tratamento de 24 casos.

Entre eles estavam dois cardeais já falecidos – Joseph Höffner, que liderou a arquidiocese de 1969 até sua morte em 1987, e Joachim Meisner, que foi arcebispo de Colônia de 1988-2014.

O relatório afirma que o cardeal Meisner, falecido em 2017, foi responsável pelo tratamento incorreto de um terço dos casos.

Ele é acusado de ter impedido as investigações ordenadas pela Igreja em seis ocasiões e de não informar o Vaticano em outros nove casos.

Meisner também se opôs às sanções em dois casos e se recusou a se encontrar com as vítimas em cinco outras ocasiões.

 

“Erros no procedimento”

O arcebispo Hesse, 54, também foi implicado no relatório de março por seu papel de 2006-2015, os anos em que era vigário geral de Colônia.

De acordo com os especialistas, ele falhou sete vezes em cumprir suas obrigações, incluindo cinco em responder ao dever de divulgação.

O arcebispo apresentou sua renúncia ao papa no final de março. Aparecendo em um vídeo, ele admitiu estar “ciente de ter cometido erros de procedimento”.

O bispo Puff, de 65 anos, foi acusado de não ter iniciado uma investigação sobre um caso de abuso de menor.

Ele também pediu voluntariamente ser dispensado de suas responsabilidades como bispo auxiliar, que ocupou desde 2013.

O cardeal Woelki foi exonerado pelo relatório, mas o povo e os padres da arquidiocese o criticaram duramente por sua forma polêmica de lidar com os escândalos e suas consequências.

Depois que o relatório do abuso foi publicado, o cardeal despediu rapidamente o bispo Schwaderlapp, que era bispo auxiliar desde 2012, e o reverendo Günter Assenmacher, outro oficial arquidiocesano.

 

“Sistema de silêncio”

Woelki reconheceu que um “sistema de silêncio, sigilo e falta de controle” levou ao “encobrimento sistêmico” dos casos de abuso. E no final de março ele anunciou um novo conjunto de medidas para evitar que isso aconteça novamente.

Seu plano incluía, notavelmente, um aumento no financiamento para assistência às vítimas, controle mais rígido sobre os padres infratores, a criação de uma comissão sobre o passado e um sistema de denúncias anônimas de abusos.

O cardeal também pôs fim à prática de destruição de arquivos.

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