Estados Unidos e clima: o green plan de Biden

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22 Janeiro 2021

"Joe Biden fala sobre o climate change como um desafio global que requer ações fortes de cada país; o primeiro passo será reunir formalmente os signatários do Acordo de Paris, mas muitos outros se seguirão a ele, incluindo a integração das mudanças climáticas nas estratégias de política externa e de segurança nacional", escreve Chiara Scavone, em artigo[1] publicado por Settimana News, 21-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Após o choque da tentativa de invasão do Capitólio pela multidão de trumpistas, Joe Biden assumiu o cargo como novo presidente dos Estados Unidos. E muito provavelmente será o primeiro a ocupar o cargo de presidente já com um ponto a favor: o apoio popular à sua missão climática, amplamente atestado pelas pesquisas realizadas nos meses anteriores ao pleito eleitoral.

Em um momento de crise profunda, os Estados Unidos viram delinear-se uma oportunidade concreta, a de construir uma economia mais resiliente e sustentável - capaz de direcionar o país para um caminho irreversível de emissões líquidas zero até, ou não além, 2050.

Edward Maibach, Diretor do Centro de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade George Mason, confirma os resultados das pesquisas: "seu mandato para apostar tudo nas mudanças climáticas e na energia limpa não poderia ser mais claro".

Biden prometeu adotar o conceito de diplomacia climática internacional e gastar mais de US $ 2 trilhões em apoio à energia limpa e a novos empregos "verdes". Medidas em total contraposição ao que tem sido feito até agora pelo presidente Trump, que preferiu retirar-se do Acordo de Paris e abolir qualquer forma de regulamentação ambiental, a fim de beneficiar a indústria do carvão.

O clima e o voto

As visões diametralmente opostas dos dois candidatos, no plano da ciência e dos combustíveis fósseis, emergiram claramente durante os vários debates na mídia, mas o resultado não mostrou sinais de incerteza: a vitória esmagadora de Biden abriu as portas para um novo roteiro baseado na sustentabilidade; isso não significa que as prioridades climáticas do novo presidente ficarão isentas de um percurso cheio de obstáculos, mas oficialmente dá luz verde à sua agenda.

As primeiras pesquisas mostraram como as mensagens climáticas tiveram o maior grau de penetração entre os eleitores do país; de acordo com o Morning Consult, mais de 74% dos eleitores democratas descreveram as mudanças climáticas como um fator particularmente relevante para fins de votação, enquanto outra pesquisa conduzida pela Fox News e Associated Press identificou em mais de 67% da população eleitoral estadunidense uma preferência por um gastos governamental destinada à energia verde e renováveis.

Hoje, mais da metade dos estados do país têm metas bem definidas sobre as energias renováveis para empresas de serviços públicos, e a energia solar e eólica é até mesmo mais barata do que o carvão e o gás natural em várias partes do país. Apesar disso, os dados coletados sobre a opinião pública soam como um sinal de alarme com referência às preferências em tema ambiental, conforme destacado pelo think tank estadunidense Data for Progress.

A aplicação de um possível carbon tax sobre o carbono não seria bem aceita pelo eleitorado, com menos de 25% a favor de maiores custos associados à emissão de dióxido de carbono e mais de 55% a favor do estabelecimento de novos padrões sustentáveis e maiores investimentos em energia limpa.

O plano da nova administração

O programa do governo Biden-Harris, chamado Build Back Better, faz parte de um esforço nacional para criar os novos empregos de que o país precisa para criar hoje uma infraestrutura moderna e sustentável e entregar um futuro energético mais limpo e mais justo às próximas gerações. Um esforço que pode ser quantificado em 2 trilhões de investimentos, necessários para atingir a ambiciosa meta de progresso climático que a ciência exige.

As áreas de intervenção, que abordarei em detalhes em breve, se alicerçam nos seguintes aspectos-chave:

- Construir um moderno aparato de infraestrutura;

- Atribuir à indústria automotiva dos EUA do século XXI uma posição de destaque, aproveitando a tecnologia in-house;

- Alcançar a neutralidade de carbono para o setor energético até 2035;

- Investir maciçamente na eficiência energética dos edifícios;

- Disponibilizar investimentos em prol de uma inovação em energia limpa;

- Promover o crescimento e a conservação de uma agricultura sustentável;

- Garantir uma justiça ambiental e oportunidades econômicas justas.

Para um crescimento sustentável

O ambicioso projeto consiste em criar milhões de novos empregos para a reconstrução do aparato de infraestrutura dos EUA, desde estradas e pontes a espaços verdes, sistemas de água e banda larga universal via 5G. As bases para um crescimento sustentável capaz de competir no contexto econômico global, melhorar a estrutura sanitária pública e garantir o acesso a ar e água limpos.

A meta é disponibilizar para todas as cidades com pelo menos 100.000 habitantes transporte público de alta qualidade e zero emissão, recorrendo a investimentos federais flexíveis que forneçam forte proteção ao emprego e atendam às necessidades de cada cidade: de uma segunda grande revolução ferroviária até uma melhoria das linhas de ônibus e a instalação de infraestruturas para pedestres e ciclovias. Além disso, a administração Biden promete criar 1 milhão de novos empregos no campo da infraestrutura automotiva, fabricação e cadeias de produção para garantir a liderança na indústria automotiva do século XXI.

Meta ambiciosa de emissões zero até 2035 para o setor energético, com foco em energia limpa American-made. O ponto de partida será uma redução significativa dos custos associados às novas tecnologias energéticas a serem lançadas no mercado no menor tempo possível, como armazenamento, tecnologias associadas a emissões negativas, futuras tecnologias de materiais de construção, hidrogênio renovável e energia nuclear avançada.

O setor agroalimentar

A criação de novos empregos no setor agrícola, redefinido como climate-smart, visa prevenir danos ambientais locais (especialmente nas comunidades rurais mais afetadas) e se soma aos 250.000 trabalhadores a serem reconvertidos, já empregados no setor de combustíveis fósseis.

Uma série de medidas bem definidas, que invocam a justiça ambiental até agora negligenciada pelos países mais desenvolvidos. Uma justiça que passa por um moderno aparato de infraestrutura, pelo direito à água potável de todas as comunidades e pela revitalização das comunidades presentes em todos os cantos do país, para que ninguém fique fora das oportunidades econômicas. Não será suficiente construir uma nação mais forte e resiliente se a contribuição de outros estados vier a faltar.

Joe Biden fala sobre o climate change como um desafio global que requer ações fortes de cada país; o primeiro passo será reunir formalmente os signatários do Acordo de Paris, mas muitos outros se seguirão a ele, incluindo a integração das mudanças climáticas nas estratégias de política externa e de segurança nacional.

Não será mais possível procrastinar a condenação ao abuso de poder dos principais "poluidores" mundiais, as empresas de combustíveis fósseis. Durante a campanha eleitoral, o novo presidente recusou contribuições de empresas de petróleo, gás e carvão e falou de ações imediatas contra aqueles que abusam de sua posição privilegiada em detrimento das comunidades mais vulneráveis, impactadas pela poluição climática e pela emergência climática em uma extensão totalmente desproporcional.

Em suma, um verdadeiro pioneiro da climate change, tal como definido pelo Politfato, que sempre enfatizou o dever moral e econômico de cada homem para com este desafio ambiental que envolve todo o planeta.

Sua promessa se resume no simples conceito de "ciência, não ficção", porque é justamente a ciência que nos diz que somos nós, seres humanos, que lançamos na atmosfera uma grande quantidade de gases que alteram o clima, que contribuímos de forma inestimável para o efeito estufa e que se a temperatura global continuar a subir na taxa atual de crescimento ou exceder 1,5 ° C, a ameaça existencial não se limitará apenas aos sistemas ecológicos, mas também afetará a nossa espécie humana.

Nota:

[1] Artigo retomado de Scienza in Rete.

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