As Igrejas e o “Tempo da Criação” durante a pandemia

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28 Agosto 2020

“Este ano, a pandemia da Covid-19 revelou como o mundo está profundamente interconectado. Demo-nos conta, mais do que nunca, de que não estamos isolados uns dos outros, e que as condições de saúde e o bem-estar humanos são frágeis. Os impactos da pandemia nos forçam a levar a sério a necessidade de uma vigilância e de condições de vida sustentáveis em toda a terra. Isso é ainda mais importante quando consideramos a devastação ambiental e a ameaça das mudanças climáticas.”

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada por Vatican Insider, 26-08-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É uma declaração que aponta para o cerne dos problemas do mundo atual: a nova pandemia, que testou severamente a capacidade organizacional dos governos em matéria de saúde, e as mudanças climáticas com as quais lidamos há anos, sem que, em nível ocidental, se tenha formado uma nova mentalidade voltada a mitigar os seus efeitos, como imporiam os acordos da COP-21 de Paris assinados por mais de 180 países no mundo em 2015.

É mais do que autorizada a assinatura do texto que foi publicado em nome do CCEE, o Conselho das Conferências Episcopais da Europa, e do CEC, o Conselho Ecumênico das Igrejas Europeias.

Os dois presidentes, o cardeal Angelo Bagnasco para o primeiro e o reverendo Christian Krieger para o segundo, com essa declaração conjunta publicada nessa terça-feira, 25, também convidam a celebrar, neste ano, o “Tempo da Criação” – que por tradição vai do dia 1º de setembro até o dia da memória litúrgica de São Francisco, 4 de outubro – como um “Jubileu para a Terra”, em analogia ao jubileu de memória bíblica (Levítico 25,8-10).

“O Tempo da Criação remonta às raízes da fé cristã”, afirma a declaração. “A criação é um dom de Deus para a humanidade e para todos os seres vivos, portanto, é nossa responsabilidade conservá-la como bons e confiáveis administradores e como fiéis servidores de Deus. ‘Do Senhor é a terra e tudo o que ela contém: o mundo com os seus habitantes’ (Sl 24, 1).”

Palavras significativas que vêm à tona às vésperas do dia 1º de setembro, data escolhida pelo Papa Francisco para instituir, no dia 10 de agosto de 2015, ano de publicação da encíclica social Laudato si’, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, após várias Conferências Episcopais – incluindo a italiana desde 2006 – terem decidido celebrar nessa data o Dia da Criação, acolhendo a proposta do patriarca ecumênico Dimitrios I em 1989 (Assembleia de Basileia).

“Desde então, a ideia do Tempo da Criação e o seu espírito ecumênico foram ainda mais confirmados nas Assembleias Ecumênicas Europeias organizadas conjuntamente pelo CCEE e pelo CEC, de Basileia (1989), passando por Graz (1997) até Sibiu (2007)”, lembra a declaração.

“O conceito do Jubileu está enraizado na Bíblia e enfatiza que deve haver um equilíbrio justo e sustentável entre realidades sociais, econômicas e ecológicas”, continua o texto do CCEE-CEC que acrescenta: “A lição do Jubileu bíblico nos indica a necessidade de reequilibrar os sistemas de vida, afirma a necessidade de igualdade, justiça e sustentabilidade, afirma a necessidade de uma voz profética em defesa da casa do ser humano.”

Um texto que se torna um estímulo à reflexão no ano da pandemia (quando o pontífice recordou que “estamos todos no mesmo barco”) e no ano especial que o Papa Francisco dedicou à criação no quinto aniversário da publicação da primeira encíclica dedicada a esse tema, a Laudato si’.

“Graças à iniciativa do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, a ‘Semana Laudato si’’, que acabamos de celebrar – anunciou o papa após o Regina Coeli do dia 24 de maio – culminará em um ano especial de aniversário da Laudato si’, um ano especial para refletir sobre a encíclica, do dia 24 de maio deste ano até o dia 24 de maio do próximo ano. Convido todas as pessoas de boa vontade a aderir, para cuidar da nossa casa comum e dos nossos irmãos e irmãs mais frágeis.”

Foi sugerida uma oração desejada pelo próprio Francisco naquela ocasião. “Será bonito rezá-la”, disse o pontífice:

“Deus de amor,
Criador do céu e da terra e de tudo que neles contêm.
Abri as nossas mentes e tocai os nossos corações,
para que possamos atender ao vosso dom da criação.
Fazei-vos presente para os necessitados nestes tempos difíceis,
especialmente os mais pobres e os mais vulneráveis.
Ajudai-nos a demonstrar solidariedade criativa
para abordar as consequências desta pandemia global.
Tornai-nos corajosos para abraçar as mudanças
que são necessárias na busca pelo bem comum.
Que possamos sentir, agora mais do que nunca,
que estamos todos interligados e interdependentes.
Fazei com que possamos escutar e atender
ao grito da terra e ao grito dos pobres.
Que estes sentimentos atuais sejam as dores de parto
para um mundo mais fraterno e sustentável.
Oremos sob o olhar amoroso de Maria, Auxílio dos Cristãos,
por Cristo Nosso Senhor. Amém.”

 

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