Esperar imunidade de rebanho ‘é absurdo e antiético’, diz líder de estudo que investiga quantos tiveram covid-19 no Brasil

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22 Julho 2020

Estudo da Universidade Federal de Pelotas estima que 3,8% dos brasileiros já foram infectados; para epidemiologista Pedro Hallal, isso indica que estamos longe de pandemia acabar naturalmente no país.

A entrevista é de Rafael Barifouse, publicada por BBC Brasil, 20-07-2020.

Um dos maiores já feitos até agora no país para descobrir o tamanho real da pandemia do novo coronavírus concluiu que 3,8% dos brasileiros já foram infectados.

Isso significa que muito mais gente teve covid-19 do que mostram as estatísticas oficiais, que são distorcidas pelo baixo número de testes realizados.

Os cientistas do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) fizeram testes para detectar anticorpos contra o coronavírus em 89.397 pessoas de 133 cidades de vários Estados e entrevistas para entender como o vírus afeta diferentes classes sociais e grupos étnicos.

A investigação indica que o Brasil está longe de atingir a chamada imunidade de rebanho. Isso ocorre quando uma parcela grande o suficiente da população foi infectada naturalmente e desenvolveu uma defesa contra o vírus. A doença não consegue se espalhar, porque a maioria das pessoas é imune. Esse patamar é estimado por especialistas em torno de 60% a 70%.

Diante disso, falar em atingir a imunidade de rebanho hoje é "quase uma piada", diz o epidemiologista Pedro Hallal, reitor da UFPel e coordenador da pesquisa.

Um dos poucos países a buscar a imunidade de rebanho — e a abrir mão de medidas drásticas de isolamento social — foi a Suécia, citada pelo presidente Jair Bolsonaro, em maio, como exemplo a ser seguido. O Reino Unido cogitou seguir essa linha, mas as projeções de que isso levaria a milhares de mortes fizeram o governo recuar. Até agora, em comparação aos vizinhos nórdicos, a Suécia teve até sete vezes mais mortes e o declínio econômico foi equivalente ao de quem fechou comércios e escolas (já que habitantes evitaram circular nas ruas). Mas o número de mortes tem caído no país, o que reacendeu o debate sobre imunidade coletiva.

8 milhões

O estudo da UFPel também indica qual é o tamanho da subnotificação de casos no país: 3,8% da população equivale a 8 milhões de pessoas infectadas até 24 de junho, quando a pesquisa acabou.

De acordo com o Ministério da Saúde, havia 1,19 milhão de casos confirmados na mesma data. Ou seja, o número real de pessoas que contraíram o vírus seria seis vezes maior.

Esse trabalho mostra ainda que foram mais contaminados brasileiros amarelos (2,1%), pretos (2,5%), pardos (3,1%), e indígenas (5,4%) do que brancos (1,1%) e, que quanto mais pobre é uma pessoa, maior é o risco de ela ter covid-19. Para Hallal, isso indica que a política de combate à pandemia "fracassou".

Uma boa notícia é que a taxa de letalidade do vírus no país seria na realidade bem menor, cerca de 1% em vez dos 3,8% calculados hoje com base na relação entre casos e mortes oficiais.

A prevalência do vírus varia muito entre as cidades do país, segundo a pesquisa: entre 0% e 26,4% (em Sobral, no Ceará). As regiões Norte (8%) e Nordeste (5,1%) tiveram proporcionalmente mais testes positivos do que Sudeste (1,1%), Centro-Oeste (0,9%) e Sul (0,4%).

É nestas últimas duas regiões que o vírus mais avança hoje, quase cinco meses após o primeiro caso confirmado. A proposta de Hallal para mudar isso não é nada popular, como ele reconhece. "É hora de fazer um lockdown rigoroso no Sul e no Centro-Oeste."

Eis a entrevista.

O estudo mostrou que taxa nacional de infecção foi de 3,8%. Com isso, a imunidade de rebanho é possível?

A imunidade de rebanho é um conceito mais teórico do que prático nesta pandemia. Quando tiver uma doença que não mate ninguém ou não seja grave, talvez a gente possa falar de imunidade de rebanho. Mas, para essa pandemia, falar nisso é quase uma piada.

A imunidade de rebanho só acontece com uma vacina — que não existe — ou quando muita gente adquire naturalmente anticorpos. Se hoje já morreram mais de 76 mil pessoas, seria ético esperar contaminar 60% a 70% da população e deixar morrer quase 1 milhão para então atingir a imunidade de rebanho? É óbvio que não. A ideia de mirar a imunidade de rebanho como uma política de saúde é absurda, mal pensada e antiética.

Exceto se algumas teorias que começaram a surgir nas últimas duas semanas estiverem certas. Elas falam da imunidade cruzada, que pessoas que tiveram exposição a outros coronavírus no passado não pegam covid-19. Se isso se confirmar, será uma notícia espetacular, porque uma parcela das pessoas teria imunidade porque pegou covid-19 e outra parcela teria imunidade porque já teve exposição a outros coronavírus. Seria mais possível chegar perto da imunidade de rebanho.

Mas isso ainda é muito incipiente. A gente precisa esperar um pouco mais para saber se a teoria da imunidade cruzada se confirma ou não.

Alguns estudos recentes apontam que a imunidade de rebanho para a covid-19 poderia ser atingida com percentuais bem menores, entre 10% e 43%.

Isso é tão recente quanto a teoria da imunidade cruzada. Todos nós torcemos para que se confirme, mas ainda não podemos ter certeza de que vai. É só uma teoria ainda.

O estudo mostrou que as regiões do país tem uma prevalência do vírus muito diferente. Por que isso ocorreu?

O Brasil é um país muito grande e não conseguiu controlar a epidemia em única zona. Com a exceção da China, que isolou bem a área onde começou a epidemia, todos os países com dimensões continentais, como os Estados Unidos, a Índia e a Rússia, estão enfrentando a mesma situação.

A epidemia chegou ao Brasil primeiro por São Paulo e Rio e pelo Norte, depois foi para o Nordeste. O Centro-Oeste e o Sul ficaram para o fim. Hoje, os números só estão aumentando consideravelmente no Centro-Oeste e no Sul. No Norte, já está baixando, felizmente. E o Nordeste e o Sudeste estão próximos de uma estabilidade.

Quais foram as falhas na reação do país ao coronavírus?

O maior erro foi nunca ter tido uma política de testagem ampla e maciça. É um problema gravíssimo, porque essa política não é para contar quantos doentes temos, é para isolar os positivos e testar seus contatos. Isso o Brasil nunca fez.

O segundo erro talvez seja inédito no mundo. Vários outros países também não testaram bem, mas não reabriram antes da curva estar caindo. Nenhum outro lugar fez algo tão equivocado. O Brasil parece que está desafiando o vírus, porque a gente reabre as cidades quando estamos no pico ou próximo do pico. Então, é óbvio que o vírus vai continuar infectando.

Se a gente tivesse feito tudo certo, era para estarmos hoje reabrindo uma parte da região Norte, onde já passou o pior, e com planos bem avançados para começar a reabrir no Nordeste e no Sudeste, onde a pandemia está começando a diminuir. E estaríamos elaborando planos para o Sul e o Centro-Oeste, focando na assistência da população. Mas a gente basicamente reabriu todas as regiões ao mesmo tempo.

Por que as regiões Sul e Centro-Oeste não conseguiram impedir o avanço da pandemia, mesmo sendo afetadas depois?

Elas adotaram políticas para restringir a propagação do vírus no final de março. Então, o vírus circulou pouco no início, mas elas flexibilizaram a quarentena enquanto a epidemia ainda existe, e o vírus começou a circular mais. É uma explicação simples, mas também é triste: o Sul e o Centro-Oeste flexibilizaram quando a curva ainda estava baixa, mas subindo. Esse foi o problema.

Mas podem perguntar: será então que eles fecharam muito cedo? Diria que não, porque, mesmo que esteja subindo a prevalência nestas regiões, ela está chegando só agora a 1%. No Norte, está em 10%. Então, muitas vidas foram preservadas ao adotar o distanciamento cedo.

Agora que a epidemia está bombando no Sul e no Centro-Oeste, é hora de fazer um lockdown rigoroso nestas regiões para fazer a curva descer. Sei que essa ideia não é popular e que muita gente vai me xingar e dizer que eu sou professor universitário e tenho o salário garantido, mas a verdade é que todos os outros lugares do mundo fizeram isso quando a situação se descontrolou.

O que acho que a população brasileira não notou ainda é que existe uma luz no fim do túnel: a Europa ainda segue tendo casos, porque não há vacina, mas não teve uma onda nova descontrolada. Isso é a prova de que, se a gente consegue baixar a curva, mesmo que a epidemia volte, ela não vai ter a mesma intensidade.

Bastaria um lockdown no Sul e Centro-Oeste ou precisaria ser feito em outros lugares?

Há um momento certo de fazer o lockdown. Não faria no Norte, porque a curva já está descendo. O lockdown é para quando a epidemia está bombando, quando começa a lotar as UTIs. Nesta hora, tem que estar tudo fechado. Por isso, as outras regiões não precisam fazer, a não ser com exceção de alguns lugares do Sudeste, como talvez São Paulo, que ficam nesse vai e vem preocupante.

Uma quarentena mais flexível não seria suficiente?

Depende do que entendemos como suficiente. Sempre vai ter mais casos se for quarentena do que se for lockdown. A questão é quantos casos o sistema de saúde consegue comportar e o quanto a gente acha aceitável. Neste momento, acho que é hora de fazer lockdown no Sul e o Centro-Oeste.

Porque em algumas cidades, como São Paulo, Manaus e Recife, a prevalência do vírus foi caindo ao longo das fases do estudo?

Há uma explicação burocrática e a outra, desafiadora cientificamente. A burocrática é que foi uma flutuação amostral, porque várias destas quedas estão dentro da margem de erro do estudo. Mas tem algumas que ficam muito evidentes. Chamam especialmente a atenção as quedas nas cidades em que a taxa estava muito alta. E isso pode ser por causa da imunidade cruzada ou do tempo que a imunidade dura no organismo — e essa é a hipótese mais interessante.

Alguns estudos apontam que a quantidade de anticorpos de pessoas que se infectaram há mais de três ou quatro meses começa a baixar, especialmente em quem teve uma infecção leve. Não quer dizer que ela perdeu imunidade. Os estudos mostram que a imunidade se mantém, mas o nível de anticorpos é pequeno para o teste dar positivo. Estamos fazendo estudos específicos nas cidades onde teve essa diminuição para entender se é isso que aconteceu.

Mas isso não indica que a prevalência nacional apontada pelo estudo pode ser maior?

Pode, e aí pode ser que estejamos não perto, mas um pouco menos longe da imunidade de rebanho. Mas, se estamos em 3,8% hoje e isso realmente for verdade, a taxa seria apenas um pouco maior e ainda estaríamos muito distantes da imunidade de rebanho.

O que explica a queda tão brusca da epidemia em Manaus?

Essa queda coloca em xeque o que estou dizendo sobre a imunidade de rebanho, porque Manaus não fez lockdown. Mas precisamos entender isso com o devido cuidado. Em Manaus, o vírus chegou muito cedo através do vínculo da Zona Franca com a China, e as epidemias costumam ter um limite temporal, que é normalmente de cerca de treze semanas. Essa é uma possibilidade. Outra é que o vírus circulou e esgotou sua capacidade de infectar. Mas uma terceira explicação possível, da qual tenho dúvidas, é que seria por causa da imunidade cruzada. A resposta está entre essas três possibilidades.

Ou seja, o caso de Manaus pode indicar que o percentual de infecção necessário para atingir a imunidade de rebanho é menor do que se imaginava?

Exatamente. Inclusive, há artigos sobre este assunto que citam isso. Porque Manaus não fez uma quarentena rigorosa o suficiente para ter essa queda. Então, pode ser que, seja por causa do passar do tempo ou pela quantidade de suscetíveis, o patamar necessário para a imunidade de rebanho tenha sido atingido em Manaus.

Qual foi a principal surpresa do estudo?

A prevalência tão alta no Norte. Teve lugares em que foi acima de 20%. Nas cidades de Breves, Boa Vista, Sobral... São números muito altos, que a gente não encontrou praticamente em lugar nenhum do mundo.

Outro resultado que salta aos olhos é a diferença entre a estimativa de casos do estudo e o que aparece na estatística oficial. É seis vezes mais. A mídia está noticiando que o Brasil chegou a 2 milhões de casos, mas minha leitura é que o Brasil já tem entre 10 milhões e 14 milhões de casos. A gente se preocupa e se assusta com essa diferença gritante.

A pesquisa também mostrou o percentual de assintomáticos é muito menor do que se pensava. Olhando retrospectivamente, quão diferentes deveriam ter sido as estratégias adotadas contra a pandemia?

Esse é um dos resultados mais importantes do estudo. Vou dar o exemplo de um sintoma, que a pesquisa mostrou que 60% das pessoas positivas tiveram: a perda de olfato e paladar. Isso é diferente de tosse, que qualquer pessoa pode ter de vez em quando. A perda de olfato e paladar é um sintoma muito específico.

Se a gente soubesse antes que tanta gente ia ter isso, certamente teríamos montado no país um sistema de vigilância por telefone, nas unidades de saúde, nos hospitais, teríamos divulgado mais na mídia, dizendo que quem sentisse isso fosse imediatamente fazer teste e informasse as dez pessoas com quem mais se teve contato recentemente.

Mas também encontramos aí um percentual de pessoas que não relatou nenhum sintoma — de só 11%. Ou seja, o que se falava, de que a maior parte das pessoas são assintomáticas, está errado. O que é verdade é que a maior parte das pessoas têm sintomas leves e não precisam ir para o hospital, mas a maioria das pessoas vai ter algum sintoma. E isso poderia ter ajudado desde o começo a identificar quem está em risco e mandar testar. Inclusive, se a gente tivesse uma política ampla de testagem, ela poderia ter mostrado isso. É essa a política de testagem que a Coreia e outros países usaram e que deu tão certo para reduzir a intensidade da pandemia.

O estudo também mostrou que as taxas mais altas estão nas regiões mais pobres do país e que também entre os níveis socioeconômicos mais baixos.

Isso é uma característica brasileira. Chama muita atenção esse "empobrecimento" da pandemia no Brasil em comparação com outros países. O estudo mostra que há um risco muito maior de infecção entre os pobres. Nesta parte da população, as famílias são maiores, e as casas são menores. Então, a aglomeração é maior. E os pobres infelizmente acabam tendo que sair mais para a rua para conseguir dinheiro para se sustentar. Isso é cruel.

Todo mundo falava que, quando chegasse nos grupos socioeconômicos mais baixos, a transmissão seria maior. Quando o vírus chegou ao Brasil, pelas pessoas de alto nível socioeconômico, poderia ter sido feita uma política mais rigorosa de testagem para evitar a disseminação. Se o vírus atingiu as classes socioeconômicas mais baixas, isso mostra um fracasso da política de saúde nacional no enfrentamento do vírus. Os mais vulneráveis acabam sendo os mais expostos a ele. Isso sem falar na questão étnica e racial. Os indígenas tem cinco vezes mais risco de se infectar em comparação com os brancos.

E por que isso ocorre?

Há duas hipóteses. Uma, é que os indígenas podem ser mais propensos a pegar o vírus ou têm menos imunidade cruzada. Mas, na prática, o que acho que está acontecendo, é que, havendo uma pessoa infectada, há na forma de organização dos grupos indígenas mais contato entre as pessoas. Por isso, o vírus acaba disseminando mais.

Isso já não era sabido? Não deveriam ter sido tomadas medidas para evitar esse efeito?

Claro que sim. Precisa perguntar para o Ministério da Saúde por que não foi feito. Todo mundo sabia que, quando chegasse nas favelas e nos grupos indígenas, ia ser um caos. Infelizmente, o Brasil não conseguiu fazer uma política de proteção das populações mais vulneráveis.

De que forma a instabilidade política prejudicou o combate à pandemia?

Talvez o presidente não tenha noção do impacto que ele tem. A maioria das pessoas votou no Bolsonaro. Quando ele fala que é só uma gripezinha, ele está dizendo para 50 milhões de brasileiros para não dar bola para esse problema. Essa postura negacionista teve uma influência, que se soma à falta de políticas claras de saúde e a termos um Ministério da Saúde em constante transição de comando. No momento em que o país mais precisa, não temos um ministro da Saúde.

Por que esse estudo é importante para o combate à pandemia?

Porque temos que conhecer o inimigo que queremos combater. Temos uma doença desconhecida sobre a qual sabemos muito pouco, e as estatísticas oficiais representam só a ponta de um iceberg. Não tem como entender o todo com base nelas. Nossa pesquisa permite olhar a parte do iceberg que está submersa, que são a pessoas que não estão buscando o serviço de saúde, mas que também estão sendo infectadas e infectando outras pessoas.

E existe intenção de dar continuidade à pesquisa?

Da nossa parte, sim, mas parece que da parte do governo, não. Concluímos com sucesso as três fases que estavam previstas e apresentamos os resultados. No meio de uma pandemia, o normal seria prosseguir, mas o ministério silenciou sobre o assunto. Provavelmente, não há interesse em manter a pesquisa.

O ministério informou à reportagem que tem interesse em continuar, mas que não sabe ainda se será com a UFPel.

Não temos problema nenhum com isso. Só queremos que deixe de ser discurso e vire realidade. Apresentei os resultados da pesquisa há mais de 15 dias, e a resposta do ministério continua a mesma. Se o ministério, por questões ideológicas, não quer prosseguir com a gente, respeitamos, embora seja meio difícil de justificar. Porque já tem uma expertise montada, e somos o grupo de epidemiologia mais reconhecido do país. Mesmo assim, se o ministério quiser fazer com outro grupo, não há problema, mas que faça. Por enquanto, não houve nenhum avanço, e acho que essa resposta protocolar do governo vai se manter por algum tempo.

Por que uma questão ideológica?

No ano passado, fiz muitas críticas às políticas do Ministério da Educação, que bloqueou recursos orçamentários da universidade. Pode ser que o governo entenda que eu sou um reitor desse grupo que eles chamam de comunista, esquerdista. Mas sou um gestor que defende a universidade. Sempre que fui chamado pelo ministério —- e, aliás, fui chamado para fazer essa pesquisa pelo governo atual —, me coloquei à disposição.

Tratamos o estudo com isenção e rigor científico, tanto que temos um artigo publicado na Nature e outro que vai ser publicado no Lancet, duas das melhores revistas científicas do mundo. Mas parece que o ministério acha que é melhor seguir com o trabalho com uma universidade com a qual eles têm um vínculo ideológico mais próximo.

 

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