Vaticano pede pelo desarmamento enquanto o mundo se recupera da covid-19

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08 Julho 2020

Nesta terça-feira, 7 de julho, a força-tarefa do Vaticano para o combate à covid-19 fez um pedido pelo desarmamento mundial durante a pandemia de coronavírus e pelo investimento em medidas de construção da paz, como programas de assistência à saúde, de segurança alimentar e ações voltadas ao meio ambiente.

A reportagem é de Elise Ann Allen, publicada por Crux, 07-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O cardeal ganês Peter Turkson, prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral e presidente da força-tarefa, disse que “estamos enfrentando uma das piores crises humanitárias desde a Segunda Guerra Mundial”.

Uma crise ambiental, associada à ameaça de uma grande recessão econômica e à perda significativa de vidas humanas em meio a sistemas de saúde frágeis, tem causado “um tsunami de crises humanitárias, que se espalham e não poupam vidas humanas”, disse ele, observando que a violência doméstica, a discriminação, o preconceito e conflitos mundiais, todos “ergueram sua cabeça feia” durante a pandemia.

Lembrando o apelo recente do Conselho de Segurança das Nações Unidas por um cessar-fogo enquanto se combate o coronavírus, Turkson insistiu que “paz e solidariedade” é o que o mundo precisa para enfrentar o vírus.

Citando o discurso do presidente americano Dwight Eisenhower, proferido em 1953 na Assembleia Geral da ONU, o religioso afirmou que não deve haver “átomos para a guerra, mas átomos para a paz”. Turkson pediu pelo desarmamento mundial e pela implementação de iniciativas voltadas à construção da paz, confiança reconciliação.

A Irmã Alessandra Smerilli, coordenadora do grupo econômico da força-tarefa, enfatizou que “estamos em um estágio no qual precisamos entender para onde direcionar os recursos financeiros durante essa mudança de paradigma”.

“Hoje, a primeira segurança é a da saúde e do bem-estar”, disse ela, perguntando logo em seguida: “Para que servem os arsenais, se um punhado de pessoas infectadas basta para espalhar a epidemia e causar muitas vítimas?”

Lembrando que o Papa Francisco desafiou a força-tarefa a apresentar soluções criativas e explorar novos modelos de pensamento e ação como resultado da pandemia, a religiosa criticou certa “corrida armamentista” nesta pandemia e instou a comunidade internacional a “correr em direção à alimentação, saúde e segurança do trabalho”.

“Neste momento, o que os cidadãos estão pedindo? Será que eles precisam de um Estado militar forte, ou de um Estado que invista no bem comum? Como cada cidadão gostaria que seu dinheiro fosse gasto hoje? Tem sentido continuar fazendo investimentos massivos em armas, se vidas humanas não puderem ser salvas porque não há sistema de saúde adequado? Se tenho alguém doente na família, por exemplo, que precisa de tratamento médico, não vou direcionar todos os meus recursos para tratar o membro familiar?”, refletiu a religiosa.

Smerilli fez notar que a questão é complexa, mas insistiu que a escolha de investir em armas e poderio militar durante a covid-19 só perpetuará um “círculo vicioso que nunca acaba”.

Questionada sobre a perda de empregos que resultaria do desarmamento, Smerilli insistiu que essas vagas seriam compensadas pela criação de novos empregos, graças ao investimento em saúde e meio ambiente.

“Precisamos de líderes corajosos que possam demonstrar a crença no bem comum, pessoas comprometidas em garantir aquilo que mais precisamos hoje”, disse ela.

Alessio Pecorario, coordenador do grupo de segurança da força-tarefa e funcionário do dicastério liderado por Turkson, enfatizou a necessidade de se investir em segurança alimentar e disse que um cessar-fogo é fundamental para estabilizar as zonas de conflito, permitindo que a ajuda humanitária seja entregue às comunidades em risco.

Pedindo uma “moratória na produção e no comércio de armas”, Pecorario afirmou que, de acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo – SIPRI, os gastos militares globais atingiram a casa de 1,9 trilhão de dólares, em 2019, número que, segundo ele, ultrapassa em muito os gastos militares durante a Guerra Fria e que é 300 vezes o orçamento da Organização Mundial da Saúde.

“Precisamos fazer escolhas”, disse, acrescentando que “suprimentos médicos, segurança alimentar e um reavivamento econômico, focados na justiça social e numa economia verde, exigem recursos que podem ser desviados do setor militar no contexto de um novo controle de armas”.

Observando que o número de pessoas que correm o risco de morrer de fome deve dobrar em consequência da covid-19, Pecorario afirmou: “Uma inovação sombria da crise atual é que ela combina a pandemia de covid-19 com uma aventura nacionalista e com a desigualdade econômica, vistas pela última vez em 1914 e 1939; ela combina uma crise econômica emergente, vista pela última vez na década de 1930, com armamentos nucleares e com o início das mudanças climáticas”.

Alessio Pecorario lembrou como, na esteira da Segunda Guerra Mundial, foram criadas instituições internacionais com o objetivo de apoiar o desenvolvimento da paz, dizendo que, em meio à crise do coronavírus, “recursos humanos e financeiros e a tecnologia devem ser usados para criar e estimular estratégias, alianças e sistemas de proteção da vida e do planeta, e não para matar pessoas e ecossistemas”.

 

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