Vaticano: o apelo dos prêmios Nobel por ''um mundo livre de armas nucleares"

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13 Novembro 2017

Foi entregue ao papa uma declaração conjunta no âmbito do Simpósio sobre o Desarmamento. Dom Turkson: “O Vaticano em contato com a Coreia do Norte através da Igreja sul-coreana”.

A reportagem foi publicada por Vatican Insider, 10-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“O único modo de garantir uma paz mundial sustentável e impedir que as armas nucleares se difundam e sejam usadas é aboli-las.” A convicção é dos vencedores do Prêmio Nobel que participaram, na última sexta-feira e sábado, do simpósio no Vaticano sobre o tema “Perspectivas para um mundo livre das armas nucleares e por um desarmamento integral”, organizado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Em uma declaração conjunta entregue ao Papa Francisco no fim da audiência da manhã dessa sexta-feira, na Sala Clementina, eles sublinharam a necessidade de “construir um sistema de segurança internacional inclusivo e justo, em que nenhum país sinta a necessidade de se confiar às armas nucleares”. E explicaram que “bastaria eliminar as armas nucleares para liberar os recursos necessários para essa mudança”. Porque, “com o desarmamento, as possibilidades são ilimitadas”.

O documento – noticiado pelo L’Osservatore Romano – inicia com expressões de gratidão pela atenção que Francisco “presta às questões prementes do presente”, especialmente “neste momento de profunda tensão entre países dotados de armas nucleares”. Depois, refere-se à “conclusão positiva” das negociações do dia 7 de julho nas Nações Unidas com o Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares, que, “apesar da falta de participação dos Estados” dotados de arsenais nucleares, “abre um caminho para seguir em frente rumo a um mundo livre” da energia atômica.

Além disso, “a convenção começará a estabelecer uma nova normativa jurídica internacional e estigmatizará tais armas e os Estados que até agora se recusam a abandoná-las”.

A esse respeito, os prêmios Nobel recordam que mesmo os Estados que não apoiaram o Tratado de Não Proliferação (NPT) devem, mesmo assim, respeitar as suas obrigações. Depois, sublinham os méritos da “ação concertada da sociedade civil, das comunidades religiosas, das organizações internacionais e dos Estados que desejam fervorosamente um mundo livre do nuclear” para obter resultados positivos.

No documento, assegura-se que, “no fim, será o trabalho constante desses setores que vai abrir o caminho para que os Estados dotados de armas nucleares finalmente abandonem tais armas, capazes de apagar a vida tal como a conhecemos em um piscar de olhos. Não será uma tarefa fácil, mas é possível”.

Daí o desejo do início de um “mecanismo de controle multinacional da produção de material cindível”, a fim de combater “o fenômeno emergente do número cada vez maior de países que se tornam ‘Estados capazes de armas nucleares’, de posse da tecnologia que poderia ser utilizada para produzir armas nucleares”. Mas, advertem os prêmios Nobel, “para que tal mecanismo funcione, ele deve ser universal, justo e apolítico”.

Além do “desarmamento nuclear total”, a declaração conjunta também chama a atenção para os “sistemas emergentes de armas letais autônomas, que, sozinhas, poderiam apontar e matar seres humanos. É imperativo se perguntar sobre qual ética e moral pode induzir os seres humanos a considerarem que é justo dar às máquinas a capacidade de matar”, escrevem os signatários.

“A melhor solução para essa incumbente terceira revolução na guerra é banir tais armas preventivamente, antes que apareçam nos campos de batalha.”

Porque, afirma-se nas últimas linhas do documento, “banir as armas nucleares e promover a paz e o desarmamento integral significa colocar a humanidade no primeiro lugar e responder aos graves desafios que devemos enfrentar: as mudanças climáticas; uma economia globalizada que exacerba o acúmulo de riqueza por amor a si mesma e se preocupa pouco em responder às necessidades da maioria dos bilhões de pessoas que compartilham o nosso planeta; e o terrorismo de todos os tipos, incluindo o de Estado”.

“As estruturas de segurança nacional que se confiam às armas, à força militar e à projeção do poder do Estado não podem nos proteger dos desafios do mundo atual”, conclui o texto. Portanto, “é hora de reconhecer que a verdadeira segurança vem do fato de nos concentrarmos nas respostas às necessidades dos indivíduos e das comunidades – segurança humana – e de protegermos e promovermos o bem comum”.

Os prêmios Nobel, assim como os representantes da ONU e da Otan, nessa sexta-feira, na audiência com o pontífice, foram acompanhados pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, que dera as boas-vindas na sessão de abertura realizada no início da manhã, ilustrando as finalidades do simpósio e as modalidades de realização.

“Estamos à beira de um holocausto nuclear”, disse o purpurado no seu discurso. “Neste momento histórico, existe um medo de uma catástrofe nuclear que se intensificou muito.” Trata-se de “um problema global que afeta todas as nações e tem um impacto não só sobre a geração atual, mas também sobre as futuras”. Por isso, “serão muito importantes as decisões dos nossos políticos, porque terão consequências sobre o desenvolvimento do nosso país”.

Depois, respondendo aos jornalistas que o questionavam sobre de que modo a Santa Sé esta se comprometendo para aliviar a tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, o purpurado ganês disse: “Na Coreia do Norte, o nosso ponto de contato é sempre a Igreja local da Coreia do Sul, com a qual já estamos em contato”.

“No Dicastério – acrescentou – já estamos conversando com alguns membros da Conferência Episcopal Coreana para ver como será possível entrar em contato com o regime da Coreia do Norte. Portanto, vamos ver se vamos conseguir! Agora, não posso dizer exatamente quando poderemos conseguir estabelecer esse contato, mas estamos descobrindo a possibilidade de entrarmos em contato diretamente com eles.”

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