O papado de Francisco: um presente do Espírito Santo para os nossos dias de hoje

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23 Abril 2020

"Não é uma crítica a Francisco notar que ele já se encontrava em idade avançada – e preparando a sua aposentadoria em Buenos Aires – em 2013. Ele mesmo esperava um pontificado curto, talvez três a quatro anos. Hoje, no 8.º ano de pontificado, não nos deve surpreender que ele tenha notavelmente menos energia", escreve o irmão Mark O’Connor, FMS, vigário para as comunicações da Diocese de Parramatta, Austrália, e pesquisador da Universidade de Melbourne, em artigo publicado por Catholic Outlook, 22-04-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

Todo papa tem pontos fortes e pontos fracos. Afinal, os papas (e, na verdade, todo bispo e líder religioso) são como nós, “pecadores agraciados”. Pois temos só um único Salvador, Jesus de Nazaré. Portanto, em toda compreensão católica autêntica do ministério petrino, certamente não haverá lugar para uma “papalotria”.

Dessa forma, naturalmente precisamos de uma série de teólogos e vozes de diferentes perspectivas teológicas que os envolvam no pensamento e ministério do Papa Francisco e deem avaliações respeitosas.

Massimo Faggioli, historiador italiano (hoje, residente nos EUA), destaca-se atualmente por sua análise perspicaz da Igreja contemporânea. Ele mostra por que a liberdade de expressão na Igreja é extremamente necessária. É por isso que o próprio Papa Francisco nos convida a falar com “parrhesia” – falar com franqueza.

No entanto, não há lugar para os ataques cruéis que, nos últimos anos, foram realizados contra Francisco, tentativas escandalosas de destruir o seu pontificado. Esses críticos precisam ser desmascarados, e suas reais motivações precisam ser expostas.

Felizmente para todos nós, Christopher Lamb fez exatamente isso. Em seu brilhante livro recém-lançado, The Outsider: Pope Francis and His Battle to Reform the Catholic Church (Orbis, 2020), o jornalista britânico, que escreve para o jornal The Tablet a partir de Roma, nos presenteia com uma narrativa emocionante dessas forças de “oposição” maliciosa. Essas forças emanam principalmente de um pequeno grupo de católicos americanos, com forte apoio financeiro, chamados “ortodoxos”. Infelizmente, estes têm companheiros de viagem aqui na Austrália.

Mesmo sendo uma minoria de católicos, eles fazem tudo o que for possível, desde que suas ações enfraqueçam o atual Sucessor de Pedro.

Não é uma crítica a Francisco notar que ele já se encontrava em idade avançada – e preparando a sua aposentadoria em Buenos Aires – em 2013. Ele mesmo esperava um pontificado curto, talvez três a quatro anos. Hoje, no 8.º ano de pontificado, não nos deve surpreender que ele tenha notavelmente menos energia.

Outra voz sensata que complementa a análise de Christopher Lamb é o jesuíta irlandês Kevin O’Higgins. Há anos trabalhando no Paraguai como missionário, o Pe. O’Higgins recentemente articulou, de forma surpreendente, os dons que o Espírito Santo nos deu com o ministério petrino do Papa Francisco.

Uma série de tuítes escritos por ele merece ser reproduzida:

“Não é uma crítica a Francisco observar que ele já se encontrava em idade avançada – e preparando a sua aposentadoria em Buenos Aires – no ano de 2013. Ele mesmo esperava um pontificado curto, talvez de três a quatro anos. Hoje, no 8.º ano de pontificado, não nos deve surpreender que ele tenha notavelmente menos energia.

“Devemos observar também que, embora Jorge Bergoglio tenha estado conspicuamente próximo dos pobres e tenha sido um promotor da ‘teologia do fiel Povo de Deus’ ao estilo argentino, ele jamais foi um ‘liberal/progressista’ em sentido europeu.

“Na medida em que o mundo todo está em crise, podemos dizer que o pontificado de Francisco não é exceção. Mas à parte das circunstâncias da Covid-19, acredito que o seu pontificado está, na verdade, forte e tem agradado tanto quanto poderíamos razoavelmente esperar dele.

“Ele próprio provavelmente está, mais do que ninguém, surpreso ao se ver no oitavo ano de pontificado. Mas o Papa tem plena ciência do avançar dos anos e do declínio das energias. Provavelmente ele se vê – com razão, creio eu – como alguém a gerir uma transição.

“Além da influência crescente na composição do Colégio Cardinalício e, portanto, na escolha do seu sucessor, eu destacaria várias realizações grandemente significativas e, acredito, duradouras do Papa Francisco”.

Aqui, Kevin O’Higgin passa a identificar alguns dos principais pontos fortes do ministério petrino do Papa Francisco (até o momento):

1. Ênfase renovada à importância do Vaticano II como um mapa do caminho a seguir pela Igreja;

2. Crítica ao clericalismo e ao elitismo da Cúria Romana;

3. Opção inequívoca pelos pobres e vulneráveis;

4. Chamado à Igreja para sair dos limites de seus edifícios e se pôr nas ruas “pós-cristãs”;

5. Uso da sinodalidade como elemento-chave no governo da Igreja, e não como um aparte;

6. Ênfase na importância do discernimento;

7. Destaque à necessidade dos processos, em lugar de atos isolados, como instrumentos de transformação duradoura, de longo prazo;

8. Um esforço em abordar as causas profundas, ocultas dos abusos e da corrupção na Igreja, em lugar de simplesmente combater as consequências trágicas. Esta lista poderia facilmente se estender.

Finalmente, O’Higgins encerra com estas palavras sensatas:

“O que quero mostrar é que a significação enorme do pontificado do Papa Francisco é autoevidente. Na realidade, a dúvida central é quem/o que irá vir depois.

“Para implementar plenamente o ‘programa Francisco’ de renovação e reforma, será necessário ter um papa mais jovem, de mentalidade parecida.

“Na verdade, provavelmente serão necessários vários papas com uma mentalidade parecida, com força e energia suficientes para supervisionar um processo de décadas, a fim de direcionar a Igreja no caminho indicado pelo Vaticano II. Não percebo um pontificado em crise. Certamente, vejo uma Igreja – e, na verdade, um mundo – confrontado com escolhas críticas. O Papa Francisco continua a desempenhar um papel essencial ao identificar e articular muitos dos temas centrais que desafiam tanto a Igreja quanto o mundo.

“É uma missão solitária!”

No momento em que nós, católicos australianos, continuamos em nossa peregrinação de fé, continuemos também apoiando, amando e respeitando o Papa Francisco. Sim, ser papa é uma missão solitária!

Agradecemos a Deus pelo nosso Papa Francisco, pois ele é um presente do Espírito Santo a todos nós nestes tempos difíceis.

E agradecemos a Deus por teólogos pastorais sensatos como o padre jesuíta Kevin O’Higgins, que nos dão grande força e esperança.

 

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