Os Jesuítas e a visão de Francisco: sete anos de pontificado. Artigo de Arturo Sosa

Papa Francisco cumprimenta o atual superior-geral da Companhia Jesus, Arturo Sosa, no encontro de 50 anos do Secretariado para a Justiça Social e a Ecologia Integral - Congresso Mundial do Apostolado Social da Companhia de Jesus. Foto: Vatican Media

19 Março 2020

"Para a Companhia de Jesus, colocar o cuidado com a vida espiritual ao centro, de acordo com o carisma que nós recebemos, significa reativar processos, gerar esperança, nos permitir ver o mundo da forma que Deus olha. Os gestos, palavras e escolhas dos sete anos de pontificado de Francisco devem ser lidos com esse olhar universal em mente, com o qual se consertam as tensões, desentendimentos e interesses particulares", escreve Arturo Sosa, superior-geral da Companhia de Jesus, em artigo publicado por La Civiltà Cattolica, 19-03-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis o artigo.

 

Nos anos recentes a Companhia de Jesus tem questionado como servir a Deus e à Igreja nos contextos social, político e econômico que o mundo tem vivido durante o pontificado de Francisco.

O ponto de partida de nosso discernimento – o qual envolve todas as comunidades Jesuítas e serviços apostólicos – é a “unidade na diversidade” de nossas culturas, idiomas e tradições. Atualmente a Companhia é feita por mais de 15.600 jesuítas espalhados em 110 países ao redor do mundo, com uma grande densidade que tem sido levada, vindo da Europa, para América Latina, África e Ásia [1]. Nós colaboramos em todos os lugares do mundo com milhares de leigos, religiosos e religiosas, padres diocesanos, homens e mulheres engajados na mesma missão apostólica nos campos teológico e espiritual, cultural e social.

O rico processo de escuta e discernimento permitiu-nos apresentar ao Santo Padre quatro preferências apostólicas universais:

1) Mostrar o caminho para Deus através dos Exercícios Espirituais e o discernimento;

2) Caminhar com os pobres, os descartados do mundo, aqueles cuja dignidade foi violada, em uma missão de reconciliação e justiça;

3) Acompanhar os jovens na criação de um futuro esperançoso e;

4) Colaborar no cuidado da nossa casa comum.

Em 2003, a Companhia estabeleceu como suas preferências o ministério na China e na África, o serviço aos migrantes e refugiados, o apostolado intelectual e suas instituições internacionais em Roma. Chamavam de cinco grandes necessidades da missão que poderia ser manejada com a ajuda universal de toda a Companhia. Essas necessidades deixaram um desafio para todos nós e não deveriam ser negligenciadas ou substituídas.

As quatro preferências indicadas são orientações que destacam o caráter espiritual de nossa missão. Uma preferência não é mais importante que a outra. Todas elas são, para nós, um chamado que toca nossa identidade e precisam ser consideradas e entendidas em conjunto. Mais que isso, não listam coisas novas a fazer, mas acordam com inspiração sobre como se engajar com elas e viver a missão com horizonte universal, desenvolvendo-o conforme as especificações dos lugares onde nos encontramos.

Em sua carta de encorajamento datada de 06-02-2019, o papa Francisco escreveu que “o processo seguido pela Companhia para chegar às preferências apostólicas universais foi um discernimento real”. As preferências propostas estão, de acordo com o pontífice, “em afinidade com as atuais prioridades da Igreja, expressadas através do magistério ordinário do Papa, Sínodos, Conferências Episcopais e, especialmente, com a Evangelii Gaudium”. O Papa então acrescenta que “a primeira preferência é capital devido aos pressupostos da condição básica da relação de Jesuíta para com o Senhor, da vida de oração pessoal e comunitária e do discernimento”. E reiterou: “Sem essa atitude de fé, o resto não funciona”.

A experiência de Santo Inácio de Loyola nos ensina que os novos problemas da Igreja e do mundo não podem ser resolvidos com velhas respostas. Reformar instituições é necessária para reformar os corações daqueles que as governam. Inácio foi um “homem-ponte” do século XVI, uma época de mudanças, na qual o espaço do planeta e a humanidade se expandiram e um novo mundo emergiu; Cristóvão Colombo chegou à América, Copérnico propôs que fosse a Terra que girava em torno do Sol; esses foram os tempos de Lutero e o Concílio de Trento...

No meio dessas mudanças epocais, com a qual nos deparamos, toda reforma da Igreja começa pela recuperação da relação de si próprio com Cristo, em comunhão com o Sucessor de Pedro. As preferências apostólicas universais foram formuladas nesse espírito. Elas ascendem do encontro com Jesus crucificado, o qual ama dar um “olhar universal”.

Uma passagem do Evangelho de João lembra-nos que “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido” (Jo 1, 18). Se isso é necessário, como diz Santo Inácio, “conhecer intimamente o Senhor, que me fez homem, que eu devo amá-lo mais e segui-lo de perto” [2].

Isso é porque o Papa nos pediu para começar novamente da espiritualidade. Para a Companhia, colocar o cuidado com a vida espiritual ao centro, de acordo com o carisma que nós recebemos, significa reativar processos, gerar esperança, permitir nos a ver o mundo da forma que Deus olha. Os gestos, palavras e escolhas do pontificado de Francisco devem ser lidos com esse olhar universal em mente, com o qual conserta as tensões, desentendimentos e interesses particulares.

 

O caminho de Deus através dos Exercícios Espirituais e Discernimento

Discernimento” é uma das palavras que caracterizam esse pontificado. Mas é preciso entendê-lo bem, para não distorcê-lo no sentido de fazer o que quero e inventar desculpas para me comportar dessa maneira.

Algumas tendências nas culturas contemporâneas parecem esvaziar o discernimento de seu significado antropológico, isto é, do senso de obrigação com os imperativos de consciência, de responsabilidade para com os pobres que sofrem e, finalmente, de obediência à vontade de Deus [3]. Para integrar a verdade e a liberdade, a lei e a responsabilidade, a autoridade e a obediência – do latim ob-audire, que significa “ouvir antes do outro” – precisamos de discernimento.

O desejo e a vontade de discernir não devem ser tomados como garantidos. Geralmente não é uma atitude espontânea ou reflexiva. O discernimento não é simples, mas um processo complexo que envolve todas as pessoas e grupos que o praticam. Portanto, a pergunta deve ser feita: existe uma vontade real de discernir? Os estágios desse processo são resumidos pelo Papa na Evangelii Gaudium quando ele cita três verbos significativos: “reconhecer”, “interpretar” e “escolher”.

Desde que Inácio de Loyola sistematizou as regras do discernimento em 1523, elas se tornaram um modo comum de procedimento oferecido a todas as pessoas de boa vontade. A experiência dos Exercícios Espirituais leva-nos a entender a vocação para a qual somos chamados, a fim de servir a Cristo e, assim, escolher livremente fazê-lo. Através do discernimento, somos capazes de distinguir as seduções do mal – inclusive quando parecem boas – dos sinais da presença de Deus trabalhando na história humana. O discernimento, portanto, leva a pessoa a fazer escolhas sobre o significado da vida de alguém.

É no discernimento que as grandes questões da vida pessoal e da comunidade cristã e humana tomam forma: quem eu sou chamado a ser? Que decisão é útil tomar como comunidade de crentes para o bem de todos? Como podemos evitar o mal social e construir o bem comum?

Na vida pessoal, como na vida social e política, o discernimento ajuda a construir o bem comum. Independente de quem receba como um presente “a coragem, a força, o consolo e a paz”, escreve Inácio de Loyola nos Exercícios Espirituais. Através do discernimento, não se diferencia mais entre crentes e não crentes, mas entre homens e mulheres morais e aqueles que promovem o bem de todos e, por outro lado, aqueles que semeiam medo e divisão. Mas tem mais. No discernimento comunitário, os limites das crises pessoais e sociais podem deixar espaço para a vida após a morte e os novos sinais dos tempos.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um exemplo de como os povos e as nações discerniram de maneira madura, colocando a dignidade da pessoa no centro. Infelizmente, nos últimos anos, vimos uma contração na universalidade dos direitos humanos; vemos a relação entre lei e poder mudando. Há muitos exemplos que podemos dar: de imigrantes na fronteira mexicana a viagens de esperança sobre o Mar Mediterrâneo, do êxodo silencioso dos povos da África à perseguição de minorias étnicas na Ásia e na América Latina. É o poder político que decide em cada ocasião se as pessoas que não têm o direito de cidadania também podem usufruir dos direitos humanos.

A sociedade secular nos desafia. Para proclamar o Evangelho, precisamos superar o secularismo e a nostalgia pelas expressões culturais do passado. A sociedade secular também é um sinal dos tempos que nos oferecem a oportunidade de forjar nossa fé na história. É o lugar onde novos espaços são abertos para a liberdade humana e, nela, para a liberdade religiosa. É na sociedade secular que nascem as condições para uma adesão renovada ao seguimento de Jesus nos ambientes sociais, econômicos, culturais e políticos de nosso tempo.

 

Caminhar com os pobres, em missão de reconciliação e justiça

Para o papa Francisco, o futuro da humanidade prevê a inclusão social dos pobres, a construção da paz e o diálogo social. A inclusão dos pobres não pode ocorrer de fora; só é possível se os pobres a desejarem. A condição para construir inclusão, justiça e paz é “caminhar juntos”. Francisco dá um exemplo disso. Não há receitas teóricas; é necessário caminhar juntos. Para fazer isso, no entanto, devemos realmente abordar os pobres como pessoas, conhecer as suas vidas e adquirir suas abordagens da vida. Dessa forma, podemos continuar no caminho seguido por Jesus de Nazaré, quando ele se fez “pobre entre os pobres”. Somente assim podemos ver o mundo do ponto de vista dos pobres.

As injustiças devem ser reconhecidas e chamadas pelo nome, e suas causas devem ser estudadas para promover mudanças nas estruturas econômicas, políticas e sociais que as geram. Devemos admitir que não é uma tarefa intelectual fácil compreender completamente as causas estruturais da injustiça e as condições desumanas em que a maioria dos seres humanos se encontra. Tanto a complexidade da realidade quanto as condições daqueles que nela vivem exigem um esforço original e sistemático de nossa parte.

A justiça pode ser nutrida pela prática da vingança ou pela prática da reconciliação. A justiça, como fruto da reconciliação, é corrigir os relacionamentos anteriormente construídos na base errada: aquelas entre indivíduos, entre povos e suas culturas, com a natureza e com Deus. O papa Francisco escreve na Evangelii Gaudium: “Na medida em que Jesus conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, justiça, paz, dignidade para todos. Portanto, tanto a proclamação quanto a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais. Busquemos o seu Reino: Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais lhe será acrescentado” (Mt 6:33). O plano de Jesus é estabelecer o Reino de seu Pai; ele pede a seus discípulos que proclamem as boas novas: 'O reino dos céus está próximo'. (Mt 10, 7)” (EG 180).

A dimensão política permanece de importância primordial na promoção da justiça e da reconciliação. Um mundo justo e democraticamente governado exige que sejamos cidadãos genuínos. Investir na educação para a cidadania nos ajudará a fortalecer a democracia política, a promover organizações sociais comprometidas com o bem comum e a conter as consequências prejudiciais das várias formas de neoliberalismo, fundamentalismo e populismo. Toda pessoa é chamada a ser responsável por sua cidadania e a educar-se nela.

Precisamos de pessoas que governem colocando o bem comum acima de interesses especiais, embora legítimos. Do ponto de vista cristão, tornar-se político significa ouvir e responder a um chamado do Senhor. Faz parte da missão de reconciliação e justiça descobrir, promover e formar vocações para o serviço público. Esta é a política com um "P" maiúsculo da qual Francisco fala.

Para a Companhia de Jesus, a missão de justiça e reconciliação significa caminhar no estilo de Jesus, juntamente com os pobres, ajudando migrantes e vítimas de tráfico de pessoas, contribuindo para a eliminação de todos os tipos de abuso, dentro e fora da Igreja. Não há sombra de dúvida de que a injustiça estrutural está ligada a abusos de poder, sexualidade e consciência. Portanto, promover a justiça significa contribuir efetivamente para a erradicação de todas as formas de abuso.

Pedro Arrupe, padre missionário no Japão e Superior Geral da Companhia de Jesus de 1965 a 1983, ensinou-nos que o serviço da fé e a promoção da justiça são dois pulmões do mesmo corpo: sem a dimensão da fé, a ação se tornaria ideológica; sem a promoção da justiça, o testemunho cristão seria limitado à administração do culto. É também sob essa combinação de “fé e justiça” que o pontificado de Francisco deve ser entendido.

 

Acompanhar os jovens na criação de um futuro de esperança

A rede educacional inaciana acompanha cerca de um milhão de estudantes em todo o mundo a cada ano, se incluirmos as escolas de Fe y Alegría. Para a Companhia, é uma grande responsabilidade formar “homens e mulheres com e para os outros”. As gerações mais jovens mudam rapidamente. Meio século se passou desde 1968, e os jovens do terceiro milênio – por medo de perder o pouco que conseguiram sozinhos – só recentemente começaram a reivindicar seus direitos sociais juntos novamente. Sua geração coloca questões para todo o sistema educacional e social: para qual objetivo eles são orientados? Como podemos acompanhá-los? Que diálogo é possível?

Nossa missão é preparar com eles um futuro de esperança. Os pobres e os jovens se tornaram os “lugares teológicos”, os crucificados do mundo atual, dos quais uma nova vida pode surgir. O Espírito Santo fala conosco hoje através dos jovens. Parece uma provocação, sabendo que a maioria deles é pobre. Ele fala conosco quando os acompanhamos em seus contextos vitais, quando nos envolvemos em suas ansiedades e sonhos. Todos somos chamados a nos aproximar de seus mundos vitais.

A Igreja, liderada por Francisco, está depositando suas esperanças na “educação” dos jovens, e isso no sentido mais elevado de e-ducere, “extraindo” recursos, inovações e valores deles.

A experiência compartilhada é uma forma elevada de acompanhamento do jovem. Na tradição inaciana, exige formação contínua e personalizada, com a ajuda de leituras espirituais ou estudos escolhidos, a criação de locais de escuta, o compromisso com o serviço da sociedade e os dias de oração e silêncio a serem vividos durante o ano para ter a oportunidade de reexaminar a própria vida.

A Companhia de Jesus escolheu ouvir os jovens. Ela pede que ajudem a entender sua missão através de uma atualização, uma atualização a ser provocada por sua busca por fé, sua linguagem, seus afetos e suas novas práticas, para criar um novo senso de pertencimento à comunidade que inclua e não termine no que os jovens experimentam por conta própria e na rede. O desafio é criar juntos “espaços existenciais” onde os jovens possam ser os verdadeiros protagonistas, aprender a tomar decisões e orientar processos pessoais e comunitários.

 

Colaborar no cuidado da Casa Comum

Papa Francisco repetidamente constata que a Laudato Si’ (LS) é uma encíclica social. De fato, não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas um crise socioambiental. A encíclica nos convida a promover um novo modelo de desenvolvimento humano integral, porque “tudo no mundo é intimamente conectado” (LS 16).

Esse desafio nos leva a propor modelos alternativos de vida sustentável, baseados no respeito à criação e capazes de produzir e distribuir bens com justiça, para garantir a todos uma existência digna. Cada um de nós é chamado a enfrentar um duplo desafio: por um lado, ajudar a criar alternativas ao modelo existente que põe em risco a vida do planeta e, por outro, testemunhar um estilo de vida em harmonia com o meio ambiente. Obviamente, precisamos do nosso compromisso com as mudanças estruturais, mas também existem “pequenas mudanças” urgentes que afetam nosso estilo de vida diário – como o uso de plástico, energia, transporte, escolha das roupas e coisas do gênero.

A ecologia integral torna-se, assim, o paradigma capaz de reunir fenômenos e problemas ambientais (aquecimento global, poluição, esgotamento de recursos, desmatamento etc.) com todas as outras questões da vida, como habitabilidade e beleza dos espaços urbanos, comportamento virtuoso, boa governança das cidades. Ainda, a atenção aos vínculos e relacionamentos torna possível encontrar na ecologia integral uma chave para a leitura da vida em todos os níveis, desde o relacionamento com o próprio corpo (cf. LS 155) até a dinâmica social e institucional. “Se tudo estiver relacionado, o estado de saúde das instituições de uma sociedade também tem consequências para o meio ambiente e para a qualidade da vida humana [...]. Nesse sentido, a ecologia social é necessariamente institucional e atinge progressivamente as diferentes dimensões, desde o grupo social primário, a família, até a vida internacional, passando pela comunidade local e pela Nação” (LS 142).

Para a Companhia de Jesus, cuidar já dos ecossistemas frágeis, como a vida na Amazônia, Índia e Indonésia e na Bacia do Congo, é uma maneira de fazer um culto autêntico ao trabalho criativo de Deus.

A cidadania universal é construída através de uma política supranacional que privilegia a cooperação sobre a divisão, para que bens como água, ar, solo e clima sejam confiados, não à administração de nações individuais, mas aos cuidados da comunidade humana universal.

Desde a sua criação, a Companhia de Jesus, apesar de formada por jesuítas de diferentes culturas e nações, por pessoas que pertenciam a estados em guerra entre si alcançou uma visão universal, que vai além das divisões e provém de três experiências: uma profunda amizade com o Senhor Jesus, estudo e serviço aos mais necessitados. Explicamos isso com duas imagens que permanecem válidas para nós hoje.

Na praça do Collegio Romano, em Roma, em frente ao antigo Roman College fundado por Santo Inácio para o treinamento de clérigos de todo o mundo, havia uma pequena casa chamada “Santa Marta”, onde as prostitutas eram bem-vindas e recuperadas. Assim, pode-se entender o que a missão significava para Santo Inácio.

Segunda imagem. Quando o papa Paulo III pediu a Santo Inácio que enviasse dois teólogos jesuítas ao Concílio de Trento, os padres Laínez e Salmerón destacaram-se não apenas pela inteligência de suas contribuições teológicas, mas também pelo testemunho de vida: eles participaram das sessões do Concílio enquanto permaneciam em um hospital para ajudar os doentes em seu tempo livre.

As quatro preferências apostólicas universais da Companhia são como sementes que, para germinar, requerem cuidado, oração, estudo, serviço, testemunho pessoal e o testemunho de toda a Sociedade. Esta é uma maneira de ser Igreja, a que o papa Francisco conhece, porque ele também pertence a esta nossa experiência espiritual. É uma jornada a ser realizada em colaboração e compartilhamento com outras Ordens e Congregações de religiosos, com os leigos e movimentos a eles associados, utilizando o diálogo em um processo dinâmico constante e em estreita conexão entre si.

Somos obrigados a ter a capacidade de fazer a comunhão prevalecer sobre as nossas diferenças e sempre mudar para as "fronteiras" geográficas e intelectuais. Como se fossem duas pernas, as dimensões espiritual e intelectual nos sustentarão ao longo do caminho. O resto será feito através da colaboração entre nós, em fidelidade ao Evangelho e aos ensinamentos do Magistério.

“Deus, que nos chama a um compromisso generoso e a dar tudo de si”, escreve o papa na Laudato Si’, “nos oferece a luz e a força necessárias para continuar nosso caminho. No coração deste mundo, o Senhor da vida, que nos ama tanto, está sempre presente. Ele não nos abandona, não nos deixa sozinho, pois se uniu definitivamente à nossa terra, e o seu amor constantemente nos impele a encontrar novos caminhos a seguir. Louvado seja!” (LS 245).

 

Notas:

[1] No começo de 2019 eram 15.586 jesuítas, destes: 11.208 padres, 1.031 irmãos, 2.609 escolásticos e 738 noviços.

[2] Inácio de Loyola. Exercícios Espirituais, nº 104.

[3] Na oração do Pai-Nosso rezamos: “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”.

 

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