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18 Fevereiro 2020

Um jesuíta da Costa do Marfim diz que o novo documento papal confirma que Francisco pratica o discernimento eclesial e o diálogo verdadeiro.

A entrevista é de Lucie Sarr, publicada por La Croix International, 14-02-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Pe. Jean Messingue, teólogo e psicólogo jesuíta, é o diretor interino do Instituto Teológico da Companhia de Jesus em Abidjan.

Na entrevista a seguir, ele analisa Querida Amazônia, a mais recente exortação apostólica do Papa Francisco.


Eis a entrevista.

O novo documento do papa, publicado depois do Sínodo para a Amazônia, foi lançado em 12 de fevereiro. O que podemos tirar deste texto?

Esta exortação é um excelente programa de renovação pastoral na Amazônia no sentido de criar uma Igreja com um “rosto amazônico”.

O papa põe este programa na perspectiva de inculturar a encarnação do Evangelho e da Igreja na Amazônia.

Essa exortação apresenta claramente uma visão, uma missão e uma direção estratégica. Existem também propostas de como fazer essas coisas.

Ela também propõe uma reflexão contextualizada sobre a inculturação, que destaca suas várias dimensões (social, espiritual, eclesial, litúrgica e ecológica).

Estávamos esperando que o papa abordasse questões relativas à ecologia, ordenação sacerdotal de homens casados e ao diaconato feminino. Como o texto fez isso?

O papa integra a ecologia em uma visão integral e multidimensional da inculturação do anúncio do Evangelho. É muito esclarecedor como ele vincula ecologia com inculturação.

A questão central do Sínodo era a evangelização na Amazônia. O texto traz algumas respostas possíveis, e considerações ecológicas estão presentes nelas.

A questão da ordenação sacerdotal para os diáconos permanentes de virtude comprovada não aparece na exortação.

A exortação faz parte do processo de discernimento. E o papa está atento a esse processo, que requer confirmação. Essa exortação é fruto do discernimento. Não é uma resposta estratégica.

Podemos imaginar que, nesse processo de discernimento, o papa considere o bem maior da Igreja. Por outro lado, o Santo Padre nos lembra, em Amoris Laetitia, que “o tempo é superior ao espaço”. Do ponto de vista pastoral, ele entende que algumas mudanças só podem ocorrer em etapas, gradualmente.

Esta exortação confirma, portanto, que Francisco pratica o discernimento eclesial e o diálogo verdadeiro que ele propõe à Igreja missionária.

Talvez essa exortação possa nos ajudar a entender que a ordenação de homens casados não era a única e suficiente solução para a Igreja na Amazônia.

Existem muitas semelhanças entre as realidades da região amazônica e as de certas regiões da África. Como o texto do papa pode ser útil para este continente?

Uma Igreja “com traços amazônicos”. Essa expressão se repete com frequência nessa exortação. Eis o objetivo da inculturação, que é o projeto da Família de Deus da Igreja, de fato de toda Igreja local.

Esta exortação convida a Igreja na África a fazer um balanço de seu projeto de inculturação. Tornou-se ela uma Igreja com um rosto africano?

A inculturação é um processo dinâmico. As realidades atuais da África nos convidam a renovar esse projeto de inculturação-encarnação com todas as suas variadas dimensões, como o papa propôs.

Essa exortação fala extensivamente da contribuição dos leigos na evangelização. Isso pode incentivar a Igreja africana a continuar promovendo um maior envolvimento dos leigos na missão e no comando da Igreja.

Por fim, a ênfase da exortação nas mulheres, especialmente na contribuição que dão à Amazônia, nos convida a tornar mais visível essa contribuição na missão da Igreja africana.

 

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