“O mundo está tomando uma direção aterrorizante”. Entrevista com David Wallace-Wells

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16 Outubro 2019

O diretor adjunto da revista New York Magazine reuniu em seu livro, El Planeta inhóspito (Ed. Debate), centenas de artigos científicos sobre as dramáticas consequências para a vida humana do aumento global das temperaturas. Considera impossível reduzir pela metade as emissões de carbono, em 2030, e detê-las antes de 2050, por causa da inação das nações mais poluentes, e esboça um panorama extremo de colapso social e poluição.

O aspecto frágil e calmo de David Wallace-Wells (Nova York, 1982), citadino convencido, nem ambientalista e nem amante da natureza, contrasta com seu firme e premente apelo à ação para frear o aquecimento global. Seu livro, que acaba de ser publicado em espanhol, busca gerar o medo que ele próprio sentiu, em seu escritório, quando começou a reunir dados científicos sobre a crise climática e ambiental. Em 2017, descreveu um panorama mundial desolador no artigo mais lido da história da revista.

Fez isso três meses antes que milhares de incêndios arrasassem as florestas da Califórnia e 230.000 pessoas fossem evacuadas, após uma seca histórica. Desse texto, surgiu o seu livro, uma descrição dramática do futuro próximo do mundo, em direção ao abismo climático. Wallace-Wells apresenta os piores cenários sociais, ambientais e econômicos em que viveremos, caso não adotemos políticas drásticas imediatas, para frear a zero as emissões.

A entrevista é de Mercedes Ibaibarriaga, publicada por El Ágora, 11-10-2019. A tradução é do Cepat.

David Wallace-Wells é autor de A terra inabitável. Uma história do futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Eis a entrevista.

Você é alarmista, um potencial agitador de massas ou um jornalista responsável pelo futuro de sua filha de dois anos?

Agitador de massas? [risos] Ao contrário, sou um jornalista responsável, tentando expor honestamente o que os cientistas nos dizem, para que as pessoas entendam a seriedade do que acontece. O mundo está tomando uma direção aterrorizante, direta aos 2 graus ou mais de aquecimento. E se queremos entender como a vida será complicada nos próximos anos, nos preparar para ela, nos adaptar e causar impactos menores, precisamos de uma visão clara e direta do que a ciência nos diz. Se acha assustador ou indutor ao pânico considerar alguns dos cenários que descrevo no livro, imagine viver neles. E é aí que estaremos em apenas 20 anos, se não agirmos.

Pessoalmente, como alguém que despertou de sua complacência por medo, acredito que é valioso e útil estar assustado pelo que a ciência relata, desde que seja uma atitude consequente, que leve à ação. Porque os documentos científicos são realmente alarmantes. E se com o meu livro quero ser transparente sobre esses dados, não há outra opção senão assustar o leitor. Durante muito tempo, os cientistas e os jornalistas foram tão comedidos que deram ao público uma falsa impressão. O público não compreendeu o quanto as coisas estavam ruins: a escala, o alcance, a urgência e a velocidade do problema da mudança climática.

Agora, precisamos não apenas pensar no que significaria viver em um planeta com fenômenos climáticos extremos e calor intensíssimo, como também em como mudará a nossa geopolítica, nossa cultura, nossa relação entre capitalismo e tecnologia. Os efeitos das mudanças climáticas serão tão dramáticos e duradouros, que não poderemos escapar deles e todos os aspectos de nossas vidas, e da vida moderna, serão transformados. O público está começando a acordar e ver a ameaça direta da mudança climática, tão somente a partir do ano passado.

Tarde demais? Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), todos os anos emitimos 42 gigatoneladas de CO2 na atmosfera. Nesse ritmo, de acordo com o relógio de carbono restante, para permanecer abaixo de dois graus, temos um prazo de 26 anos. Para estabilizar a 1,5 grau, hoje, teríamos pouco mais de 8 anos.

Isso na melhor das hipóteses possíveis, porque todos os anos batemos um novo recorde de emissões. Temos 26 anos antes de esgotar nosso orçamento de emissões de carbono, para não exceder os dois graus. Isso significa reduzir nossas emissões pela metade em 2030 e as eliminar antes de 2050. E isso supõe transformar completamente o sistema energético, o transporte, a indústria, a agricultura e as infraestruturas do planeta.

Na prática, acredito que não há como evitar os dois graus de aquecimento, e é a catástrofe para a qual nos dirigimos: em direção a dois graus ou mais. Tanto os políticos como os advogados que estão se esforçando para atingir a meta abaixo de dois graus subestimam como seria difícil expandir novas tecnologias adicionais de captura de carbono. Porque não basta frear as emissões. Quase todos os modelos da ONU focados em nos estabilizar nos dois graus incluem, além disso, as emissões negativas. Ou seja, as tecnologias que absorvam o carbono atmosférico. E construir uma indústria de engenharia totalmente nova para capturar CO2, duas vezes maior que a indústria de gás e petróleo, que demorou 150 anos para ser implementada, parece bastante complicado, não apenas do ponto de vista logístico e econômico, mas também temporal.

Estamos diante de uma gravíssima emergência: estamos a caminho de ultrapassar os dois graus de aquecimento global, independentemente da rapidez com que agirmos, e isso nos leva a cenários cada vez mais aterrorizantes: três ou quatro graus de aquecimento são possíveis, se não frearmos as emissões já.

Com dois graus, algumas das grandes cidades do Oriente Médio e do Sul da Ásia ficarão tão quentes no verão que as pessoas não poderão sair à rua sem arriscar suas próprias vidas. Veremos centenas de milhões de refugiados climáticos, danos pelo aumento do nível do mar e chuvas torrenciais, com o dobro da potência que possuem hoje. E ao ultrapassar os 2 graus, estaremos no ponto de não retorno do degelo. Pode demorar séculos, mas finalmente nos depararemos com um aumento do nível do mar de 80 metros, e dois terços das principais cidades do planeta inundadas. Antes que isso aconteça, será necessário redefinir os mapas, mudar cidades, e nos adaptar a uma escala que a humanidade não conhecia antes.

Você revisou centenas de documentos científicos e seu livro contém mais de 700 referências bibliográficas. Quais são os dados que mais lhe impressionaram?

Durante minha pesquisa para o livro, fiquei quase em choque permanente. Contudo, o que mais me surpreendeu não é tanto o impacto nos ecossistemas, mas, sim, a velocidade. A velocidade com que estamos destruindo o planeta e mudando o clima. Quando soube que metade das emissões globais que produzimos em toda a história da humanidade ocorreu nos últimos 30 anos, fiquei atônito. Minha vida condensa essa história. Estamos à beira da catástrofe pelas emissões de CO2 liberadas nos últimos 30 anos. É culpa de nossa geração. E isso aconteceu desde que Al Gore publicou seu primeiro livro sobre o aquecimento e desde que a ONU estabeleceu, em 1988, o IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas -, o que significa que causamos mais danos ao meio ambiente com plena consciência do que estávamos fazendo, que os causados durante as décadas em que nossos avós e bisavós viviam na ignorância.

E temos quase o mesmo tempo, menos de 30 anos, para entrar em ação séria e evitar o pior dos cenários possíveis. O que significa que também é nossa responsabilidade assumir o controle desta crise. Isto é aterrorizante, mas também emocionante, porque significa que estamos no controle da história, podemos determinar até que ponto queremos que nossa situação seja ruim. E os únicos obstáculos deste caminho são aqueles que nós, humanos, autoimpomos. São obstáculos políticos, culturais e econômicos.

O segundo é a relação entre temperatura e conflito. Se terminarmos este século em quatro graus, podemos esperar o dobro de guerras que temos hoje. Não falo das dinâmicas entre os estados, mas, sim, das relações entre os indivíduos. Está provado que, quando as temperaturas aumentam, as taxas de violência, agressões e assassinatos aumentam. É impressionante como a temperatura afeta o comportamento humano.

Ofereço um terceiro dado: a relação entre temperatura e crescimento econômico. Cientistas e economistas estimam que, se não mudarmos o curso, até o final do século, o PIB global poderá ser reduzido em mais de 20%. O que significa um impacto muito mais profundo do que a Grande Depressão. Nas áreas mais atingidas do sul do planeta, não haverá nenhuma expectativa de crescimento econômico, zero oportunidade, se chegarmos aos quatro graus.

E quarto, os efeitos desastrosos na alimentação. Só por causa do aumento das temperaturas, as colheitas provavelmente cairão pela metade ou mais, no final do século. É preciso acrescentar os efeitos das secas e inundações, que podem dizimá-las ainda mais. Usaremos metade dos alimentos para - provavelmente - o dobro de pessoas em inícios do próximo século, e sabemos que o aumento de CO2 na atmosfera já está tornando, desde já, nossos alimentos menos nutritivos. Ou seja, a comida no final do século, além de ser a metade, terá menos vitaminas e riqueza nutricional. Será essencialmente junk food [comida lixo].

Quando você soma os efeitos da emergência climática: decrescimento econômico, conflito e escassez de alimentos, enxerga um quadro muito sinistro do possível. Não acredito que iremos nos extinguir, nem que nossa civilização entre em colapso, mas que tipo de civilização será? Como nos sentiremos em relação às nossas obrigações morais para com os milhões de humanos em extrema pobreza por causa das mudanças climáticas no sul global? Vamos ignorá-los?

Isso cria um planeta ingovernável.

Certamente, haverá desobediência civil nas regiões mais afetadas do planeta. Contudo, não acredito que tenhamos que enfrentar um cenário do tipo Mad Max, em desgoverno e com a civilização destruída. Muito provavelmente, estaremos em um mundo com muito sofrimento, no qual algumas políticas serão muito restritivas para proteger as sociedades menos afetadas. E as pessoas mais afetadas terão que se ajustar ao máximo que conseguirem. Essa pode ser a maior tragédia de todas, porque lutar para preservar sua vida confortável em um planeta que é 2, 3 ou 4 graus mais quente, significa ignorar completamente o sofrimento das populações de outras partes do globo, refugiados climáticos e pessoas com autênticas necessidades. Isto será uma tremenda luta moral. Supõe manter a frieza do coração para tentar proteger nosso estilo de vida, sem responder ao nível de sofrimento geral que será inevitável e sem precedentes na história humana. Pelo contrário, responderemos de maneira empática e humana aos mais necessitados?

Seria possível evitar isso com um pacto entre os Estados Unidos e a China, supondo uma mudança à frente do governo estadunidense em 2020.

Dado que a China e os Estados Unidos são responsáveis por quase metade das emissões globais de CO2, o ideal seria um acordo entre as partes que significaria uma autêntica inflexão. Tenho alguma esperança de uma aproximação baseada na ONU, mas, olhando para o passado, talvez devêssemos pensar em outra forma de pacto, com uma firme aproximação dos dois países no mesmo estilo em que, nos anos 1970 e 1980, os Estados Unidos e a União Soviética assinaram os tratados de desarmamento nuclear.

Sou um otimista e um liberal internacionalista, mas a verdade é que, até agora, o esforço internacional para superar as mudanças climáticas é um fracasso absoluto. A Conferência do Rio e o Protocolo de Kyoto não deram em nada. O Acordo de Paris, como tristemente vemos, tampouco. Nenhuma das grandes potências está a caminho de alcançar os compromissos. Em dezembro próximo, a maioria das nações chegará à Cúpula do Clima do Chile - a COP25 - com objetivos mais ambiciosos. Contudo, não sei se a levamos a sério, dados os precedentes.

No entanto, o cenário está mudando. Milhões de jovens se manifestaram em setembro, respondendo à greve planetária pelo clima e ao chamado à ação da ativista Greta Thunberg.

Neste último ano, as mudanças foram muito rápidas. Quando terminei meu livro, em setembro de 2018, Greta se manifestava sozinha com um pequeno cartaz em frente ao Parlamento sueco, mas ninguém fora da Suécia a conhecia. O movimento Extinction Rebellion não havia surgido em Londres, os norte-americanos Sunrise ainda não haviam apresentado o Green New Deal, seu programa de 10 anos para combater as mudanças climáticas. E não foi apenas o protesto público, mas as mudanças políticas que esses protestos causaram.

Na Inglaterra, devido às ações do Extinction Rebellion, o Parlamento declarou estado de emergência climática e estabeleceu, por lei, que chegará a zero emissões até 2050. O governo da Noruega se comprometeu a zero emissões até 2030, o governo da Finlândia até 2035 e a Dinamarca pretende reduzir suas emissões em 70%, em 2030. Veremos se conseguem, mas o esforço é destacável.

Nós, nos Estados Unidos, estamos em plena campanha das primárias dos Democratas, e todos os candidatos estão competindo para apresentar a proposta mais ambiciosa para frear a mudança climática. Isso era impensável há um ano.

Em relação a Greta, a consciência que ela está gerando é muito importante. E a única coisa que nos pede é que escutemos os cientistas. Quando Greta foi falar no Congresso dos Estados Unidos, em setembro, chegou e nem sequer falou, apenas entregou os últimos relatórios do IPCC, de 2018 e 2019, e disse: “Isso é tudo o que precisam saber”. Essa atuação é valiosíssima e irrefutável. Quem poderia contestar que devemos ouvir a ciência?

Pois bem, é realista pensar que iremos atingir os objetivos que Greta e os movimentos juvenis reivindicam em favor do clima? Não. São impossíveis de alcançar. Mas, tanto Greta Thunberg, como Fridays For Future ou Extinction Rebellion, entre outros, transformaram completamente o cenário político e impulsionaram uma ação política muito mais ambiciosa. E por isso sou grato. Por Greta em particular, que inspirou tudo. Inspira milhões de pessoas, inclusive eu.

Acredita que empresas e governos que danificam áreas de grande valor ecológico como a Amazônia deveriam ser julgados por crimes contra a humanidade, em um tribunal internacional?

Seguimos nessa direção. A política internacional do futuro próximo terá que estar muito mais centrada nos assuntos climáticos do que está hoje. E já estamos vendo a mudança, com o presidente da França, Macron, ameaçando bloquear os acordos entre a União Europeia e o Mercosul em resposta aos planos de Bolsonaro sobre a Amazônia. Acredito que é a primeira vez que um líder mundial ameaça com sanções a outro, por seu comportamento em relação às mudanças climáticas. Além disso, o secretário geral da ONU, António Guterres, disse que não permitiria que as nações que estivessem abrindo ou financiando usinas de carvão falassem na Cúpula sobre a Ação Climática, em setembro deste ano, em Nova York.

Isso jamais havia acontecido e abre um precedente que nos permitirá proibir a participação de algumas nações na comunidade de liderança global. Acredito que podemos desenvolver um marco internacional de ação legal em torno dos atos que agravem a mudança climática, como o que se desenvolveu após a Segunda Guerra Mundial sobre os direitos humanos.

Não sei se a Corte Penal Internacional poderia ser o local para resolver as demandas. Não digo que seja inapropriada, mas duvido que fosse eficaz o suficiente para apresentar denúncias como nos tribunais locais. Nos Estados Unidos, há uma quantidade de ações judiciais tramitadas, cujo objetivo são as petroleiras, assim como a geração anterior se concentrou em processar as empresas de tabaco. Esta ação coletiva poderia ser eficaz se as empresas de combustíveis fósseis fossem declaradas responsáveis por danos ambientais e as penas fossem tão exemplares que pudessem levá-las à falência. Talvez isso fosse mais prático do que tentar fazer com que Bolsonaro ou Rex Tillerson - ex-CEO da ExxonMobil e depois secretário de Estado com Trump - fossem julgados por crimes contra a humanidade.

Na Holanda, os cidadãos denunciaram seu próprio governo por não fazer o suficiente para reduzir as emissões, e venceram a ação. O que significa que, legalmente, o governo é obrigado a cumprir suas obrigações. Talvez devêssemos pensar em encaminhar alguns delitos ambientais a um tribunal internacional por crimes contra a humanidade e outros a tribunais locais.

O que mais lhe incomoda nos negacionistas?

Há cada vez menos negacionistas no cenário público. Segundo as pesquisas, nos Estados Unidos, entre 70 e 80% da população acreditam na mudança climática. Contudo, o maior problema é que as pessoas não estão muito preocupadas. O americano médio não pagaria nem 10 dólares por mês para frear o impacto da mudança climática. Para mim, o mais importante é que as pessoas que estão mais preocupadas se conscientizem da urgência, gerem motivação e apoiem ações mais agressivas. O grande problema é a complacência e a inação. Nem eu mesmo estou fazendo o suficiente. Ninguém está adotando as medidas que a ciência pede: transformar completamente todo o sistema. Por isso, escrevi este livro para despertar as pessoas e ser transparente sobre o desastre para onde nos dirigimos.

Os dados do desastre ambiental

- Hoje, respiramos a maior concentração de CO2 atmosférico que os humanos já experimentaram: 415 partes por milhão de dióxido de carbono. Ao mesmo tempo, emitimos 42 gigatoneladas de CO2 na atmosfera. Mesmo se evitarmos os 2 graus de aquecimento até 2100, a atmosfera poderá acumular, então, 500 partes por milhão de CO2.

- A temperatura global atual, 1,1 grau de aquecimento sobre os níveis pré-industriais, é a mais alta que a humanidade já conheceu em sua história. Os últimos relatórios do IPCC estimam que, mesmo atuando imediatamente sobre as emissões segundo o estabelecido nos Acordos de Paris, é possível atingir 3,2 graus no final do século. A dois graus de temperatura - o cenário mais próximo, se continuar esse ritmo -, todas as plataformas de gelo entrarão em colapso, 400 milhões de pessoas sofrerão escassez de água por causa das secas, as cidades da faixa equatorial do planeta se tornarão inabitáveis e as pragas por doenças transmitidas por mosquitos se intensificarão, entre outros efeitos, segundo as estimativas.

- O desmatamento global significa aumentar as emissões de carbono em 12%. Os incêndios florestais geram até 25% de emissões a mais. Até a chegada de Bolsonaro ao poder, a Amazônia conseguiu assimilar um quarto de todo o carbono absorvido anualmente pelas florestas de todo o planeta. A capacidade dos solos florestais em absorver metano diminuiu 77%, em apenas 30 anos. Além disso, quando as concentrações de CO2 são muito altas, as plantas desenvolvem folhas mais espessas e absorvem pior o CO2.

- 31% do CO2 emitido é absorvido pelos oceanos. Como resultado, seu superaquecimento e acidificação causam a sua destruição. Nos últimos 50 anos, a quantidade de água do oceano aumentou quatro vezes, sem nenhum conteúdo de oxigênio. Nesse ritmo, os corais, fundamentais para medir a saúde dos oceanos, desaparecerão em 90%, em 2030. O número de espécies marinhas afetadas por microplásticos marinhos onipresentes aumentou de 260 espécies, em 1995, para 1450 espécies, em 2018. Estima-se que em 2050 haverá mais plástico nos oceanos do que peixes. Quando o plástico flutuante oceânico se degrada, libera metano e etileno, ambos gases do efeito estufa.

- O CO2 pode fazer com que as plantas cresçam mais, mas sua capacidade nutricional diminui. Desde 1950, a concentração de grande parte dos nutrientes nas plantas que cultivamos empobreceu em até um terço. Até a quantidade de proteínas do pólen de abelha diminuiu em um terço. Com 4 graus de aquecimento global, a produção de milho dos Estados Unidos, o maior produtor do mundo, seria reduzida pela metade. Para a China, Argentina e Brasil, os próximos três principais produtores, as perdas seriam, em cada caso, um quinto do total.

- O Banco Mundial estima um máximo de 140 milhões de refugiados climáticos até 2050 e a ONU, 200 milhões. Hoje, mais de 600 milhões de pessoas vivem a menos de 9 metros acima do nível do mar e, portanto, suas casas serão afetadas diretamente pelo aumento das temperaturas.

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