Mineração, um câncer que nunca acaba

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11 Outubro 2019

Uma das grandes ameaças que a Amazônia enfrenta é a mineração, uma realidade cada vez mais presente e que a Igreja Católica enfrenta de maneiras diferentes. O Sínodo da Amazônia está sendo um bom momento para conscientizar-se desse problema que afeta, de maneira especial, os povos originários, conforme demonstrado na conferência intitulada “Mineração: mal comum na Amazônia”, uma das muitas atividades da Amazônia: Casa Comum, neste caso organizada por Igreja e Mineração, CIDSE e Manos Unidas.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Essas consequências são cada vez mais visíveis, como todos os presentes podiam ver em uma garrafa de água coletada em um dos rios de Madre de Dios, na Amazônia peruana, onde Yesica Patiachi vive, uma indígena do povo harakbut, que se tornou famosa por se dirigir ao Papa Francisco, em nome dos povos da Amazônia, em sua visita a Puerto Maldonado. Em seu depoimento, ela denunciou o governo de seu país, cujas promessas de acabar com a mineração na Amazônia permanecem em um belo discurso, diante de uma atividade de mineração que está comendo a floresta amazônica. Portanto, ela disse fortemente que "o verdadeiro ouro para mim é o manto verde".

Participantes da conferência Mineração: mal comum na Amazônia. (Fotos: Luis Miguel Modino)

Ela mora na região mais devastada do departamento de Madre de Dios, onde um dia os rios estavam cristalinos e cheios de peixes, mas foram destruídos pela mineração, que "traz divisão para as comunidades indígenas", dado que essas empresas "compram o povo”, causando o caos social e o fim de atividades tradicionais como caça e pesca. De fato, Patiachi define a mineração como “um câncer que nunca acaba”, porque conta com o apoio do Estado, que fecha os olhos para a falta de consulta prévia. A mulher indígena, auditora sinodal, afirma que “o Sínodo da Amazônia não é um sínodo sem a participação dos povos indígenas”, verdadeiros mestres em ecologia integral.

Esses são problemas comuns a todos os países amazônicos, também à Colômbia, de onde vem o padre Alberto Franco, que destaca a importância do Sínodo, porque fala da Amazônia e fez com que os povos indígenas chegassem a Roma. De fato, a conferência teve uma boa participação de povos indígenas, muitos dos quais denunciaram a mineração em terras indígenas, uma das ameaças do governo brasileiro, que leva a terra à morte, uma terra cheia de riqueza pelo cuidado que os povos nativos realizaram. Ao mesmo tempo, pediram a ajuda do mundo para evitar os planos de um governo que não respeita a Constituição.

A mineração é um mal comum, como afirmou o padre Franco, uma ideia que sustenta em razões ambientais, porque se acabarmos com o planeta, acabamos conosco, principalmente como consequência da poluição; em razões sociais, porque a mineração quebra as comunidades com mentiras e corrupção e causa conflitos sociais, alcoolismo e prostituição, entre outras coisas; e razões ético-políticas, corrompendo estados e leis.

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil criou este ano a Comissão de Ecologia Integral e Atividade Mineira, que substitui o grupo de trabalho sobre esse assunto. Seu presidente, Dom Sebastião Lima Duarte, um dos padres sinodais, contou algumas de suas atividades, como reuniões com os atingidos pela mineração, assessorias nas dioceses, o mapeamento dessa atividade em todo o Brasil, também a reunião realizada nos últimos meses com trinta bispos cujos territórios diocesanos são afetados por essa realidade.

Como afirma Silvia Obregón, de CIDSE, é necessário chamar os responsáveis para pagar pelos danos causados, estados e empresas. Junto com isso, devemos tornar visíveis as narrativas ancestrais e resgatar suas cosmovisões. Nesse sentido, "o Sínodo é uma oportunidade para discutir questões que deveriam ter sido discutidas há muito tempo", também para "refletir sobre nosso estilo de vida e recuperar das comunidades tradicionais diferentes formas de relacionamento entre nós e com a natureza".

 

No Brasil, a ameaça da mineração na Amazônia é um risco muito grande, segundo Jeremias Mura, que insistia que "a vida é mais importante que o desenvolvimento", e a mineração mata todos os tipos de vida, segundo o indígena. Portanto, "queremos desenvolvimento à nossa maneira", algo urgente em um país onde "os olhos do governo estão na região norte, porque há riqueza nas terras indígenas". Jeremias pediu ajuda para cuidar da Amazônia, um dever de toda a humanidade. Os indígenas, segundo ele, "continuaremos a lutar e resistir".

Essas afirmações também fizeram parte da fala do vice-presidente da Comissão Pastoral da Terra e padre sinodal, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira. Ele denunciou o sofrimento de muitos pequenos agricultores que vivem nas margens dos rios, como resultado da poluição causada pela mineração, “que representa a força destrutiva da morte". Portanto, aqueles que acreditam em Jesus como fonte de vida não podem estar do lado da mineração.

 

O ato foi conduzido pelo provincial dos combonianos no Brasil, também padre sinodal, Dário Bossi, que insistiu que “a resistência passa muito pela espiritualidade” e por Moema Miranda, auditora do Sínodo para a Amazônia, que definiu a mineração como "um monstro cada vez mais perigoso", ao qual ela enfatizou a importância de se articular.

Essa atividade de mineração tem no Canadá um de seus principais impulsores, o país ao qual a maioria das grandes empresas pertencem. Nascida naquele país, a presbítera da Igreja Anglicana, Emily Smith, disse que "estamos fazendo o possível para impedir esse enorme monstro que sai da minha casa". A Presidenta do SICSAL (Serviço Cristão Internacional de Solidariedade com os povos da América Latina), juntamente com Dom Raúl Vera, afirma que “continuem se organizando e nós, nesse compromisso de caminhar com vocês”.

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