França não assinará acordo com Mercosul por Brasil não respeitar a Amazônia

Emmanuel Macron e Jair Bolsonaro | Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Mais Lidos

  • Inspirado na filosofia africana de Mogobe Ramose e pela história do Quilombo Mesquita, em Cidade Ocidental, Goiás, pesquisador defende que a pluridiversidade das comunidades quilombolas revela uma forma de existência fundada na ancestralidade, na reciprocidade e na multiplicidade das cosmopercepções.

    Pluridiversidade quilombola: quando a multiplicidade dos mundos se torna horizonte de justiça, pertencimento e resistência. Entrevista especial com Manoel Barbosa Neres

    LER MAIS
  • O que falta no programa de Lula. Artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira

    LER MAIS
  • A figura de Trump provavelmente pairará sobre a viagem do papa à América Latina

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

11 Outubro 2019

A França não vai assinar o acordo entre União Europeia e o Mercosul sobre questões agrícolas nas condições atuais. É o que afirmou nesta terça-feira (08), a ministra francesa do Meio Ambiente, Elisabeth Borne, em entrevista ao canal de notícias BFM.

A reportagem é de Sabrina Rodrigues, publicada por ((o)eco, 08-10-2019.

“Não podemos assinar um tratado comercial com um país que não respeita a Floresta Amazônica, que não respeita o tratado de Paris (do clima). A França não assinará o acordo do Mercosul nessas condições”, afirmou a ministra.

Foram vinte anos de negociação para que o tratado se firmasse. Em junho deste ano, ele chegou a ser anunciado com entusiasmo pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o acordo começa a ir por água abaixo, já que a imagem do Brasil no exterior tem ruído por conta do aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia, provocando um embate público e trocas de ofensas entre o presidente da França, Emmanuel Macron e Bolsonaro.

A parte econômico-comercial do tratado compreende eliminação de barreiras, investimentos, reduções de tarifas e entrará em vigor quando o Parlamento Europeu e as partes legislativas do Mercosul aprovarem o acordado.

A parte política, por sua vez, abrange pontos como meio ambiente, direitos humanos e transferência de tecnologia e terá que ser aprovada pelos 28 países que compõem a União Europeia. É aí que vem a grande dificuldade, já que outros países, como a Irlanda, têm manifestado posição contrária ao acordo. Em agosto, o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, afirmou “De maneira alguma a Irlanda votará a favor do acordo de livre comércio UE-Mercosul se o Brasil não cumprir seus compromissos ambientais”, declarou o primeiro-ministro na época.

Em setembro, foi a vez da Áustria que aprovou uma moção rejeitando a proposta de um pacto de livre comércio entre os dois blocos e citou as queimadas na Amazônia para se opor ao acordo.

Fundo Amazônia e queimadas

Em agosto deste ano, Alemanha e Noruega cancelaram os seus repasses para projetos de conservação na floresta amazônica. A Alemanha cancelou o repasse de R$ 155 milhões e a Noruega, o equivalente a R$ 133 milhões, que iria para o Fundo Amazônia. Na época, o ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, teria afirmado que Brasil quebrou o acordo para financiar medidas de desmatamento.

O dinheiro cancelado fez falta no combate às queimadas que assolaram a Amazônia que começaram em agosto e que provocaram uma crise ambiental internacional colocando o Brasil no foco do mundo. Os recursos ausentes seriam aplicados na contratação de brigadistas, por exemplo. No dia 26 de agosto, a então procuradora-Geral da República, Raquel Dodge entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal para que parte do valor da Petrobras na Lava Jato fosse para o combate aos incêndios florestais na Amazônia. A solicitação só foi atendida em setembro, quando foi acordado que R$ 1,06 bilhão de recursos pagos pela Petrobras na operação Lava Jato iria para proteção ao Meio Ambiente.

Leia mais