Papa cria 13 novos cardeais. Entre eles, José Tolentino de Mendonça e o padre jesuíta Michael Czerny

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02 Setembro 2019

Neste domingo, 1º de setembro, o papa Francisco anunciou que realizará, em 5 de outubro, um consistório para a criação de treze novos cardeais, dos quais 10 poderão ser eleitores em um possível conclave, e entre os novos purpurados haverá dois espanhóis, um cubano e um guatemalteco.

A informação foi publicada por Religión Digital, 01-09-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nos cinco consistórios que já foram celebrados para a criação de cardeais durante o atual pontificado, Francisco sempre teve presente a Espanha e a América Latina nas listas dos chamados “príncipes da Igreja”. Hoje, após a oração do Angelus na Praça de São Pedro, o pontífice anunciou que se somará ao Colégio Cardinalício o bispo espanhol dom Miguel Ángel Ayuso Guixot, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso desde 25 de maio deste ano.

Como de costume, o pontífice premia com o barrete vermelho os responsáveis dos diferentes dicastérios (ou “ministérios” vaticanos). Por isso será feito cardeal Ayuso Guixot, nascido em Sevilha, em 17 de junho de 1952, e membro da congregação dos missionários combonianos, tendo atuado no Egito e o Sudão até 2002.

Foi, desde 1989, professor de islamologia, inicialmente em Cartun, no Sudão, depois no Cairo e, posteriormente, ocupou o cargo de diretor do Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos até 2012. Em 30 de junho de 2012, foi nomeado secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, que atualmente preside.

Francisco premiou o duro trabalho – durante estes anos de perseguição aos cristãos na região – de Cristóbal López Romero, nascido no município espanhol de Vélez-Rubio (em Almería) e que serve como arcebispo de Rabat, no Marrocos, desde 29 de dezembro de 2017. (Nota de IHU On-Line: Segundo informa a imprensa paraguaia, o novo cardeal, salesiano, trabalhou muitos anos no Paraguai com o povo guarani)

Romero, salesiano, estudou no Seminário de Barcelona e se licenciou em ciências da informação. Ocupou vários cargos no Paraguai, no Marrocos e na Bolívia. Em 29 de dezembro de 2017, o papa Francisco o nomeou arcebispo de Rabat. Assim, os cardeais espanhóis com menos de 80 anos passaram de cinco para 7.

Após a morte do cardeal Jaime Ortega Alamino, que fora arcebispo de Havana durante mais de duas décadas, Cuba voltará a ter um purpurado. Entre os 10 novos cardeais com menos de 80 anos e, portanto, participantes de um possível conclave, Francisco escolheu Juan de la Caridad García Rodríguez, atual arcebispo de São Cristóvão de Havana, nascido em Camagüey em 1948.

Também a Guatemala terá um novo cardeal, pois será nomeado, no próximo dia 5 de outubro, o bispo da Diocese de Huehuetenango desde 2012, Dom Álvaro Ramazzini, nascido na cidade de Guatemala, em 16 de julho de 1947, e comprometido com as populações indígenas, os imigrantes e na defesa do meio ambiente.

A América do Sul estará, assim, representada por 14 cardeais, e a América Central com 6 purpurados. Atualmente, o Colégio Cardinalício compõe-se de 216 cardeais, deles 118 são eleitores e 98 não o são, aos quais se somarão os 13 anunciados neste domingo. Como explicou o papa, estes próximos cardeais “expressam a vocação missionária da Igreja que segue anunciando o amor misericordioso de Deus com todos os homens da terra”. Por isso, além de elevar a cardeais os prelados com postos importantes na Cúria como é tradicional, foram eleitos também bispos procedentes de diversas partes do mundo e sem representação no colégio pontifício para que todos os continentes e rincões da terra estejam igualmente representados.

Procedentes da Cúria serão cardeais o português José Tolentino Calaça de Mendonça, que trabalha como arquivista e bibliotecário no Vaticano, além do secretário da Seção de Migrantes e Refugiados, do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o canadense Michael Czerny, jesuíta.

Enquanto que “das periferias” chegarão o arcebispo de Jacarta, Dom Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo, e o arcebispo de Kinshasa, Dom Fridolin Ambongo Besungu, franciscano capuchinho. Da Europa, que segue tendo a maior representação no conclave, serão cardeais o arcebispo de Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, jesuíta, e o arcebispo de Bolonha (Itália), Dom Matteo Maria Zuppi.

Premiados pelo seu trabalho, ainda que acima dos 80 anos e, portanto, não poderão participar na eleição de um futuro papa, Francisco fará cardeais o britânico Michael Louis Fizgerald, o lituano Sigitas Tamkevicius, jesuíta, e o italiano Eugenio Dal Corso.

O evento não acontecerá em novembro, para a festa de Cristo Rei. O consistório para a criação de novos cardeais será em 5 de outubro, na véspera da celebração inaugural do Sínodo dos Bispos dedicado à Amazônia. Assim, surpreendentemente, durante o Angelus deste domingo o papa anunciou a lista dos 13 novos cardeais que receberão o barrete vermelho, oito dos quais pertencentes a ordens religiosas missionárias.

Assim que se lê a lista com os novos cardeais (dez abaixo dos 80 anos e, portanto, eleitores no caso de conclaves, mas 3 acima dos 80 anos, portanto não eleitores), fica evidente a fidelidade ao caminho seguido por Francisco desde o começo de seu pontificado: o de preferir homens da Igreja vindos de dioceses fronteiriças, além das práticas tradicionais estabelecidas.

Recebem o barrete vermelho que simboliza a vontade de derramar o sangue e, consequentemente, de dar a vida por fidelidade ao Evangelho em unidade como Bispo de Roma, três prelados da Cúria Romana: o presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, dom Miguel Ángel Ayuso Guixot, espanhol comboniano nomeado para presidir o Dicastério em maio passado, na vanguarda do diálogo com o Islã e outras religiões; dom José Tolentino Calaça de Mendonça, português, arquivista e bibliotecário da Santa Igreja Romana há pouco mais de um ano; e o padre Michael Czerny, jesuíta nascido na Tchecoslováquia, com formação no Canadá e Estados Unidos, subsecretário da Seção de Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano e Integral.

Sem dúvida, das nomeações curiais esta última é a mais inovadora. Além de seu compromisso com os migrantes e refugiados, Czerny terá o papel-chave de secretário especial no próximo Sínodo dos Bispos para a região pan-amazônica.

Dos dez novos cardeais eleitos, dois são bispos diocesanos na Europa: o luxemburguês Jean-Claude Hollerich, jesuíta que viveu muitos anos no Japão, e o italiano Matteo Zuppi.

Dois são latino-americanos: o cubano Juan de la Caridad García Rodríguez e o guatemalteco Álvaro Leonel Ramazzini Imeri.

Dois são bispos na África: Fridolin Ambongo Besungu, capuchinho, arcebispo de Kinshasa, na República Democrática do Congo, e o salesiano espanhol Cristóbal López Romero, arcebispo de Rabat, no Marrocos.

Finalmente, um tem origem asiática: Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo, arcebispo de Jakarta, na Indonésia.

Os três com mais de 80 anos que o papa quis incluir no Colégio Cardinalício confirmam também uma perspectiva deste pontificado: além do bispo inglês Michael Louis Fitzgerald, dos Padres Brancos, comprometido durante muitos anos com o diálogo inter-religioso e, ultimamente, na nunciatura apostólica no Egito, recebem também o barrete vermelho dom Sigitas Tamkevičius, jesuíta, arcebispo emérito de Kaunasm, Lituânia, e dom Eugenio Dal Corso, dos Pobres Servos da Divina Providência, nascido em Ravena, na Itália, bispo emérito de Benguela, em Angola.

O dia 5 de outubro de 2019 será o sexto consistório celebrado por Francisco para a criação de novos cardeais. Os anteriores aconteceram em 22 de fevereiro de 2014, em 14 de fevereiro de 2015, em 19 de novembro de 2016, em 28 de junho de 2017 e em 28 de junho de 2018.

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