Um grito por ajuda. Os incêndios devastadores nos obrigam a agir, afirma Bartolomeu, patriarca de Constantinopla

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27 Agosto 2019

Publicamos uma nota do patriarca ecumênico Bartolomeu, arcebispo de Constantinopla, em que manifesta a sua grande preocupação com os incêndios que estão devastando a Amazônia e outras áreas verdes do planeta.

A informação foi publicada por L'Osservatore Romano, 26/27-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a nota.

Nas últimas semanas, nosso planeta testemunhou ondas de calor extremas e incêndios devastadores em todo o mundo, das florestas tropicais da Amazônia e regiões desérticas da África a regiões normalmente cobertas de neve, como o Ártico e o Alasca, até países distantes, da Espanha à Sibéria. Mês após mês, registramos temperaturas recordes e ondas de calor sem precedentes, com a destruição de milhões de hectares e a agitação de milhões de pessoas. A intensidade desses incêndios e tempestades está progressivamente aumentando e se intensificando, impondo mudanças críticas, proporcionais de nossa parte.

Os cientistas nos alertam sobre a ameaça de tais incêndios para os ecossistemas do mundo, que estão se tornando cada vez mais vulneráveis e em risco. Seu impacto pode ter consequências por várias gerações, afetando o solo, as infraestruturas e os seres humanos.

As árvores são vitais para o solo, para nossa sobrevivência e para nossa alma. As árvores são preciosas não apenas por sua beleza estética ou benefício comercial, mas essencialmente por nossa defesa contra as mudanças climáticas. Plantar mais árvores é certamente louvável, mas cortar menos árvores talvez seja a resposta mais urgente ao aquecimento global.

Embora esta crise global possa não ser exclusiva ou exclusivamente uma consequência ou uma causa da mudança climática, os eventos calamitosos que o mundo está vivenciando agora estão indubitavelmente e inegavelmente alertando sobre as repercussões urgentes e terríveis de um nível crescente de emissões de carbono. Portanto, esses fenômenos extremos nos levam a considerar a fragilidade da natureza, os recursos limitados do nosso planeta e a singular sacralidade da criação. Em nossa encíclica, que será publicada em 1º de setembro, descrevemos as várias iniciativas e atividades pioneiras do patriarcado ecumênico nos últimos trinta anos, observando os princípios fundamentais e os preceitos propostos pela Igreja Ortodoxa nos últimos vinte séculos para a preservação da criação de Deus.

Oramos por todos aqueles que são ameaçados ou afligidos pelos incêndios em qualquer parte do mundo. Pedimos aos fiéis e às pessoas de boa vontade que considerem cuidadosamente como vivemos, o que consumimos e onde estão as nossas prioridades, usando as palavras da divina liturgia: "Prestemos atenção. Coloquemo-nos com temor diante de Deus”.

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