Bispos publicam nota de repúdio ao despejo de famílias na região de Londrina e pedem revisão de todos os já feitos no Paraná

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05 Agosto 2019

“Num momento de polarização e intolerância, é preciso que o diálogo até a exaustão, na busca de soluções pacíficas, seja condição irrenunciável", afirma a nota.

Os bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) da Regional Sul 2 - que abrange o Paraná - lançaram uma nota de repúdio à reintegração de posse ocorrida nesta terça-feira (30/08) em Lerroville, área rural de Londrina, norte do estado do Paraná. O despejo do Acampamento Quilombo dos Palmares foi executado sem qualquer aviso anterior, com forte aparato policial, dezenas de viaturas e homens da Polícia Militar e da Tropa de Choque do Paraná, além de sobrevoos de helicóptero.

Sob forte pressão psicológica, os camponeses e camponesas desmancharam suas casas de madeira e reuniram o que construíram desde 2015, quando ocuparam a área. Ficou para trás a maior parte dos alimentos e animais produzidos e criados pelos agricultores sem-terra. As famílias estão abrigadas no Centro Comunitário do assentamento Eli Vive, localizado a 3 quilômetros do acampamento. No entanto, os objetos e móveis estão a céu aberto, à espera de lona.

Assinam a nota Dom Geremias Steinmetz, Arcebispo de Londrina e Presidente da CNBB Regional Sul 2; Padre Valdecir Badzinski, Secretário Executivo da CNBB Regional Sul 2; Dom Amilton Manoel da Silva, bispo Auxiliar de Curitiba e Secretário da CNBB Regional Sul 2; e Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba e Vice-Presidente do Regional Sul 2.

O documento cita a Bíblia e uma afirmação do papa Francisco. “O nosso compromisso é, incansavelmente, trabalhar para que a vida em plenitude, trazida por Jesus Cristo (cf. Jo 10,10), se concretize em cada pessoa, família e no hoje da nossa história. Imbuído dessa certeza, o papa Francisco pede que não haja “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que provém do trabalho”. (cf. Discurso no Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em 28 de outubro de 2014), pautado na Doutrina Social da Igreja, que afirma ser a reforma agrária uma necessidade política e, ao mesmo tempo, uma obrigação moral (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 300)”, resgatam os bispos.

A nota pede que sejam revistos todos os despejos nas terras paranaenses, “tendo em vista que essas famílias estão há muitos anos trabalhando, produzindo agricultura de subsistência, educando os filhos e construindo comunidade em áreas pertencentes a grandes devedores da União ou do Estado que eram tidas, anteriormente, como improdutivas”. Outras três reintegração de posse já ocorreram no estado este ano.

Para a CNBB, é urgente que os órgãos responsáveis, em especial o INCRA, possam promover a reforma agrária “como meio de paz no campo e promoção da agricultura familiar de subsistência”. Na avaliação dos bispos, o momento de polarização e intolerância vivido no Brasil “exige diálogo até a exaustão, na busca de soluções pacíficas, seja condição irrenunciável”.

A fazenda ocupada desde 2015 pelas famílias está bloqueada na Justiça Federal por fazer parte dos escândalos de corrupção do Mensalão. A área está registrada em nome de Stael Fernanda, esposa do proprietário e já falecido ex-deputado federal José Janene, pivô do caso.

A nota é publicada por CNBB-Sul 2, 02-08-2019.

Eis a nota.

Nota de repúdio à reintegração de posse no Paraná.

“Opressão e violência estão aí na minha frente, acontecem demandas, surgem processos. Por isso a lei ficou fraca e o que é justiça jamais prevalece”. (Hab 1,3b-4)

Os bispos do Regional Sul 2 da CNBB acompanharam, com preocupação, a notícia da reintegração de posse realizada pela Polícia Militar no dia 30 de julho, em Lerroville, distrito rural de Londrina (PR), que despejou 167 famílias. Esta já é a quarta reintegração de posse ocorrida no estado este ano e, tudo indica que ocorrerão outras, com consequências mais desastrosas.

O nosso compromisso é, incansavelmente, trabalhar para que a vida em plenitude, trazida por Jesus Cristo (cf. Jo 10,10), se concretize em cada pessoa, família e no hoje da nossa história. Imbuído dessa certeza, o papa Francisco pede que não haja “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que provém do trabalho”. (cf. Discurso no Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em 28 de outubro de 2014), pautado na Doutrina Social da Igreja, que afirma ser a reforma agrária uma necessidade política e, ao mesmo tempo, uma obrigação moral (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 300).

Diante disso, os bispos do Paraná vêm a público manifestar repúdio, quanto à forma como foram deflagradas as reintegrações de posse em Londrina; conscientes de que tal manifestação em defesa dos mais pobres se faz necessária, uma vez que seus diretos têm sido cada vez mais ignorados e violados em nossos dias, fomentando injustiças, violência e exclusão.

Assim sendo, esperamos que sejam revistos todos os despejos nas terras paranaenses, tendo em vista que essas famílias estão há muitos anos trabalhando, produzindo agricultura de subsistência, educando os filhos e construindo comunidade em áreas pertencentes a grandes devedores da União ou do Estado que eram tidas, anteriormente, como improdutivas.

Preocupa-nos o futuro dessas famílias, que de forma inesperada e agressiva, foram retiradas do seu espaço de convívio, trabalho e dignidade. Para isso é urgente que os órgãos responsáveis, especialmente o INCRA, possam promover a reforma agrária como meio de paz no campo e promoção da agricultura familiar de subsistência. Num momento de polarização e intolerância, é preciso que o diálogo até a exaustão, na busca de soluções pacíficas, seja condição irrenunciável.

Em solidariedade com todas as pessoas feridas, em sua dignidade, os bispos do Paraná reafirmam seu compromisso evangélico em defesa da vida, sendo contrários a todo e qualquer ato de violência.

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