Papa Francisco fará mais uma “surpresa de julho”?

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08 Julho 2019

Antigamente, em julho, Roma era um lugar tranquilo para aqueles cujas atividades profissionais se desdobram durante as férias. Os papas suspendiam suas audiências e saíam da cidade, tentando fugir do calor brutal do verão, para que os empregados vaticanos e também os vaticanistas pudessem passar dias agradáveis atualizando suas leituras, almoçando demoradamente e fazendo cochilos igualmente longos, e apenas saboreando “la vita dolce” (sinceramente? Exatamente agora, eu estou profundamente saudoso daqueles dias).

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 06-07-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Celebremente, São João Paulo II fez com que instalassem uma piscina de natação em sua casa de verão em Castel Gandolfo, perto de Roma, em 1979, para que ele pudesse dar um mergulho nos ardentes dias de julho e agosto. Quando o Papa Emérito Bento XVI foi eleito em abril de 2005, um dos primeiros itens da sua lista de afazeres foi organizar suas férias de verão em Les Combes, no Vale d’Aosta, no norte da Itália, junto dos Alpes, em julho daquele ano.

Então, o Papa Francisco apareceu.

Esse papa cheio de energia varreu os velhos tempos de julho como um período de letargia e repouso. Basta considerar o que o mês de julho nos trouxe nos últimos seis anos.

- Julho de 2013: uma visita papal a Lampedusa para sinalizar a solidariedade de Francisco com os imigrantes; a Jornada Mundial da Juventude no Brasil, incluindo a frase “Quem sou eu para julgar?”, mãe de todas as frases de efeito; e a aprovação de um milagre que abriu o caminho do Papa João Paulo II rumo à canonização.

- Julho de 2014 : o primeiro encontro de Francisco com as vítimas de abuso sexual clerical; sua segunda entrevista com Eugenio Scalfari, na qual o nonagenário jornalista italiano relatou que Francisco basicamente teria dito que o celibato sacerdotal desapareceria; e uma primeira visita papal a uma Igreja pentecostal, localizada no sul da Itália e pastoreada por um amigo da Argentina.

- Julho de 2015: um retorno a três nações da América Latina, Bolívia, Equador e Paraguai, no qual a ardente retórica anticapitalista de Francisco gerou a frase de que o dinheiro é o “esterco do diabo”.

- Julho de 2016: a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, na Polônia, incluindo uma visita papal a Auschwitz, em que Francisco deliberadamente permaneceu em silêncio; a nomeação do veterano jornalista estadunidense Greg Burke como porta-voz papal; e a definição como “absurdo” do assassinato do idoso padre francês Jacques Hamel.

- Julho de 2017: uma expressão papal de apoio aos pais de Charlie Gard, que procuravam manter viva a criança diagnosticada com uma doença rara, apesar de uma ordem judicial para suspender o tratamento; a remoção do cardeal alemão Gerhard Müller como chefe do escritório doutrinal vaticano; e um polêmico artigo de dois aliados papais próximos, o padre jesuíta Antonio Spadaro e o pastor protestante argentino Marcelo Figueroa, que postulou um “ecumenismo do ódio” nos EUA entre os católicos conservadores e os evangélicos.

- Julho de 2018: a remoção de Theodore McCarrick do Colégio dos Cardeais devido a acusações de abuso sexual (mais tarde, McCarrick também seria expulso do sacerdócio); e uma visita ecumênica à cidade italiana de Bari.

Francamente, é exaustivo apenas listar toda essa atividade, sem falar em pô-la em prática. Tudo isso nos leva a esta pergunta: o Papa Francisco fará uma “surpresa de julho” neste ano de 2019?

Francisco já passou o dia 4 de julho – coincidentemente, o Dia da Independência dos EUA – encontrando-se com o líder do grande rival dos EUA na Guerra Fria, Vladimir Putin, da Rússia, encontro que o Vaticano descreveu depois como “discussões cordiais”.

Também sabemos que, nesta segunda-feira, 8 de julho, o papa celebrará uma missa especial pelos migrantes na Basílica de São Pedro. Não é de se surpreender que Francisco tome tal posição, mas o gesto colocará a questão novamente no centro das atenções no momento em que uma nova pesquisa da CNN mostra que três quartos dos norte-americanos chamam a imigração de “crise”, mas estão amargamente divididos em relação ao porquê: os democratas dizem que é por causa do tratamento cruel aos imigrantes, e os republicanos, porque muitas pessoas estão transbordando na fronteira.

Além disso, aqui estão três surpresas plausíveis de julho que Francisco poderia fazer.

Reforma curial: um esboço de uma nova constituição apostólica, intitulada Praedicate Evangelium, está circulando há algum tempo, destinado a marcar o ápice do projeto de reforma da Cúria Romana, ou seja, a burocracia administrativa central do Vaticano, por parte de Francisco. Presumivelmente, o pontífice está dando os últimos retoques no documento agora e teoricamente poderia promulgá-lo a qualquer momento.

Planos de viagem: embora haja boatos há muito tempo de que Francisco visitará o Japão no fim do ano, marcando uma espécie de retorno às suas raízes missionárias jesuítas, os planos não foram oficialmente confirmados. Também há rumores de que ele poderia acrescentar uma parada na Tailândia enquanto ele estiver na Ásia, embora essa perspectiva também continue sendo uma mera hipótese. Se Francisco está levando a sério essas viagens, julho poderia trazer os detalhes oficiais.

Mexidas na Cúria: neste momento, há cinco chefes de dicastérios vaticanos com mais de 75 anos, o que significa que suas renúncias estão na mesa de Francisco: o cardeal Marc Ouellet na Congregação para os Bispos, o cardeal Luis Ladaria na Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Giuseppe Versaldi na Congregação para a Educação Católica, o cardeal Beniamino Stella na Congregação para o Clero, o cardeal Leonardo Sandri na Congregação para as Igrejas Orientais e o cardeal Gianfranco Ravasi no Pontifício Conselho para a Cultura. Além disso, a Secretaria para a Economia está vaga, pois o cardeal australiano George Pell tem mais de 75 anos e luta pela sua liberdade após uma condenação por “crimes sexuais históricos”. Se Francisco fizesse mudanças em qualquer um desses postos, seria um enorme sinal sobre aonde ele quer que o Vaticano vá.

Naturalmente, essas são apenas três possibilidades de um conjunto virtualmente infinito. Se há algo que a era Francisco já deixou claro agora, é que qualquer coisa pode acontecer – mesmo que, por mais estranho que seja dizer isto no contexto dos papas e da sua história, em julho.

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