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Por: Jonas | 22 Julho 2014

Como historiador da Igreja, o cardeal alemão refuta a tese segundo a qual o celibato do clero seria uma invenção do século X. Não, objeta: tem origem em Jesus e os apóstolos. E explica a razão.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada por Chiesa.it, 19-07-2014. A tradução é do Cepat.

“Talvez você não saiba que o celibato foi estabelecido no século X, ou seja, 900 anos após a morte de Nosso Senhor. A Igreja católica oriental tem a faculdade, até agora, de que seus presbíteros se casem. O problema certamente existe, mas não é de grande importância. Necessita-se tempo, mas há soluções e as encontrarei”.

Esta é a resposta sobre o tema do celibato do clero que o Papa Francisco deu a Eugenio Scalfari, na entrevista concedida ao fundador do jornal “La Repubblica” e guru da intelectualidade laica italiana, publicada no domingo, 13 de julho.

No mesmo dia, uma nota do padre Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, declarou:

“Embora se possa considerar que, em seu conjunto, o artigo reflete o sentido e o espírito da conversa entre o Santo Padre e Scalfari, é necessário afirmar com vigor o que já foi dito por ocasião de uma ‘entrevista’ precedente, publicada em ‘La Repubblica’, ou seja, que as expressões individuais citadas, na formulação referida, não podem ser atribuídas com segurança ao Papa”.

O padre Lombardi colocou em dúvida, sobretudo, que o Papa tenha anunciado a propósito do celibato do clero: “Encontrarei as soluções”.

Contudo, não objetou em nada a outra afirmação colocada na boca do Papa, mais temerária ainda, segundo a qual “o celibato foi estabelecido no século X, ou seja, 900 anos após a morte de Nosso Senhor”.

Um influente historiador da Igreja como o cardeal alemão Walter Brandmüller, Presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, durante mais de vinte anos, sentiu-se na obrigação de demonstrar a falta de fundamento da tese. Fez isto por meio de uma intervenção no jornal “Il Foglio”, de 16 de julho, que será reproduzida na íntegra, aqui.

Também a entrevista anterior de Scalfari a Francisco, publicada em “La Repubblica”, no dia 1º de outubro de 2013, levantou dúvidas sobre sua confiabilidade. Tanto é assim, que no dia 15 de novembro sucessivo foi eliminada da página oficial do Vaticano, na qual havia sido incluída entre os discursos do Papa, e onde em continuidade, inexplicavelmente, voltou a aparecer, traduzida em cinco idiomas, para desaparecer novamente alguns dias depois.

O próprio Scalfari admitiu que acompanhou o envio preliminar ao Papa da redação de sua primeira conversa – que não levantou objeções e foi publicada tal qual – com uma nota na qual escrevia, entre outras coisas:

“Leve em consideração que algumas coisas que o senhor me disse, não as inclui. E que algumas coisas que inclui como se tivessem sido ditas pelo senhor, não me disse. No entanto, fiz isso para que o leitor entenda quem o senhor é”.

Alguns meses depois, uma segunda conversa entre Scalfari e Francisco não teve nenhuma “tradução” jornalística, por prudencial solicitação vaticana.

Porém, após a terceira conversa, que ocorreu no dia 10 de julho passado, também sem gravação, o Papa teria dado novamente caminho livre para que Scalfari escrevesse, com o resultado que vimos.

Nós sacerdotes celibatários como Cristo, por Walter Brandmüller

Ilustríssimo Senhor Scalfari,

ainda que não tenha o prazer de lhe conhecer pessoalmente, gostaria de comentar as suas afirmações sobre o celibato, contida em seu relatório a respeito da conversa com o Papa Francisco, publicadas no dia 13 de julho de 2014, e imediatamente desmentidas em sua autenticidade pelo diretor da Sala de Imprensa vaticana. Como “antigo professor” que ensinou história da Igreja na universidade, durante trinta anos, desejo informar-lhe sobre o estado atual da pesquisa neste campo.

Em especial, é obrigatório ressaltar que o celibato não remonta, em absoluto, a uma lei inventada 900 anos após a morte de Cristo, mas, sim, são os Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas os que transmitem as palavras de Jesus a esse respeito.

Mateus escreve (19,29): “E todo aquele que tenha deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e terá como herança a vida eterna”.

Muito semelhante é o que escreve Marcos (10,29): “Eu garanto a vocês: quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e da Boa Notícia, vai receber cem vezes mais”.

Lucas (18, 29-30) é ainda mais concreto: “Jesus disse: ‘Eu garanto a vocês: quem tiver deixado casa, mulher, irmãos, pais, filhos, por causa do Reino de Deus, não ficará sem receber muito mais durante esta vida e, no mundo futuro, vai receber a vida eterna’”.

Jesus não dirige estas palavras às grandes massas, mas, sim, aos que envia para que propaguem o seu Evangelho e anunciem a chegada do Reino de Deus.

Para cumprir esta missão é necessário se libertar de qualquer vínculo terreno e humano. E visto que esta separação significa a perda do que é dado por garantido, Jesus promete uma “recompensa” mais que apropriada.

Sobre este ponto se faz notar, muitas vezes, que o “deixar tudo” se referia apenas ao período da viagem de anúncio de seu Evangelho e que, uma vez terminada a tarefa dos discípulos, teriam voltado às suas famílias. Porém, não há rastro disto. O texto dos Evangelhos, aludindo à vida eterna, também fala de algo definitivo.

Pois bem, visto que os Evangelhos foram escritos entre 40 e 70 d. C., seus redatores ficariam mal se tivessem atribuído a Jesus palavras que, depois, não corresponderiam a sua conduta de vida. Jesus, de fato, pretende que todos os que se fizeram partícipes de sua missão adotem também seu estilo de vida.

Mas, então, o que quer dizer Paulo quando na primeira carta aos Coríntios (9,5) escreve: “Não sou eu livre? Não sou eu apóstolo? Por ventura, não temos direito a comer e beber? Não temos o direito de levar conosco nas viagens uma mulher cristã, como fazem os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Pedro? Ou somente eu e Barnabé não temos o direito de ser dispensados de trabalhar?” Estas perguntas e afirmações não deduzem que os apóstolos estiveram acompanhados pelas respectivas esposas?

Aqui, é preciso proceder com cautela. As perguntas retóricas do apóstolo se referem ao direito que tem o que anuncia o Evangelho de viver à custa da comunidade, e isto vale também para quem o acompanha.

E aqui se apresenta, obviamente, a pergunta sobre quem é este acompanhante. A expressão grega “adelphén gynaìka” necessita de uma explicação. “Adelphe” significa irmã. E aqui, por irmã na fé se entende uma cristã, ao passo que “gyne” indica – mais genericamente – uma mulher, virgem ou esposa. Em resumo, um ser feminino. Isto, no entanto, torna impossível demonstrar que os apóstolos estiveram acompanhados pelas esposas. Porque se, ao contrário, fosse assim, não se entenderia por que se fala distintamente de uma “adelphe” como irmã, portanto cristã. No que diz respeito à esposa, é necessário saber que o apóstolo a deixou no momento em que começou a fazer parte do círculo dos discípulos.

O capítulo 8 do Evangelho de Lucas ajuda a esclarecer as coisas. Nele se lê: “Os Doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios, Joana, mulher de Cusa, um administrador de Herodes; Susana e várias outras mulheres, que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam”. Por esta descrição, parece lógico deduzir que os apóstolos seguiram o exemplo de Jesus.

Além disso, é preciso voltar a destacar o convite empático ao celibato e à abstinência conjugal feita pelo apóstolo Paulo (1Co 7, 29ss): “Uma coisa eu digo a vocês, irmãos: o tempo se tornou breve. De agora em diante, aqueles que têm esposa, comportem-se como se não a tivessem”. E segue: “Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e de como agradar à esposa, e fica dividido”. Está claro que Paulo, com estas palavras, dirige-se, em primeiro lugar, aos bispos e sacerdotes. Ele mesmo se ateve a este ideal.

Para demonstrar que Paulo ou a Igreja dos tempos apostólicos não conheceu o celibato, às vezes, mencionam-se as cartas a Timóteo e Tito, denominadas cartas pastorais. E, com efeito, na primeira carta a Timóteo (3,2) se fala de um bispo casado. E, repetidamente, traduz-se o texto original grego da seguinte maneira: “O bispo seja o marido de uma mulher”, o que se entende como um preceito. Porém, bastaria um conhecimento rudimentar do grego para traduzir corretamente: “Por isso, o bispo seja irrepreensível, se case uma só vez (e deve ser marido de uma mulher!), seja sóbrio e sensato”. E também na carta a Tito se lê: “Um ancião (ou seja, um sacerdote, bispo) deve ser integérrimo e estar casado uma só vez”.

São indicações que tendem a excluir a possibilidade de que seja ordenado sacerdote-bispo quem, após a morte de sua esposa, tenha voltado a se casar (bigamia sucessiva). Porque, além do fato de que nesses tempos não se via com bons olhos um viúvo que voltava a se casar, para a Igreja se acrescentava, além disso, a consideração de que um homem assim não poderia dar garantia alguma de respeitar a abstinência, a qual um bispo ou sacerdote devem se dedicar.

A prática da Igreja pós-apostólica

A forma originária do celibato previa, por conseguinte, que o sacerdote ou o bispo continuaram a vida familiar, mas não a conjugal. Também, por isso, era dada preferência à ordenação de homens em idade mais avançada.

O fato de tudo isto estar relacionado às antigas e consagradas tradições apostólicas é testemunhado por obras de escritores eclesiásticos como Clemente de Alexandria e o norte-africano Tertuliano, que viveram no século II-III depois de Cristo. Além disso, uma série de edificantes narrativas sobre os apóstolos é testemunha da alta consideração que a abstinência entre os cristãos gozava: falamos dos denominados Atos dos Apóstolos apócrifos, redigidos no século II e muito difundidos.

No sucessivo século III se multiplicaram e foram cada vez mais explícitos – sobretudo no Oriente – os documentos literários sobre a abstinência dos clérigos. Eis aqui, por exemplo, uma passagem extraída da denominada Didascalia siríaca: “O bispo, antes de ser ordenado, deve ser testado para estabelecer se é casto e se educou a seus filhos no temor de Deus”. Também o grande teólogo Orígenes de Alexandria (século III) conhece um celibato de abstinência vinculante, um celibato que explica e aprofunda teologicamente em diversas obras. E há, também, outros documentos que poderíamos citar como apoio, coisa que, obviamente, aqui não é possível apresentar.

A primeira lei sobre o celibato

Foi o Concílio de Elvira, de 305-306, que deu a esta prática de origem apostólica uma forma de lei. Com o cânon 33, o Concílio proíbe aos bispos, sacerdotes, diáconos e a todos os outros clérigos relações conjugais com a esposa e lhes proíbe, também, ter filhos. Portanto, nesses tempos se pensava que abstinência e vida familiar eram conciliáveis. Assim, também o Santo Papa Leão I, chamado Leão Magno, por volta do ano 450 escreveu que os consagrados não tinham que repudiar suas mulheres. Tinham que permanecer junto às mesmas, mas como “se não as tivessem”, escreve Paulo na primeira carta aos Coríntios (7,29).

Com o passar do tempo, tender-se-á cada vez mais a ajustar o sacramento apenas aos homens celibatários. A regulamentação chegará na Idade Média, época em que se dava por certo que o sacerdote e o bispo eram celibatários. Outra coisa é o fato de que a disciplina canônica nem sempre foi vivida ao pé da letra, mas isto não deve assustar. Como encontramos na natureza das coisas, também a observância do celibato teve, nos séculos, seus altos e baixos.

É famosa, por exemplo, a ardente disputa que ocorreu no século XI, no tempo da denominada reforma gregoriana. Nessa situação delicada, assistiu-se a uma ruptura muito nítida – sobretudo nas igrejas alemã e francesa – que levou os prelados alemães, contrários ao celibato, a expulsar veementemente de sua diocese o bispo Altmann de Passau. Na França, os emissários do Papa encarregados de insistir sobre a disciplina do celibato foram ameaçados de morte e o santo abade Walter de Pontoise foi golpeado durante um Sínodo que ocorreu em Paris pelos bispos contrários ao celibato, sendo encarcerado. Apesar de tudo isso, a reforma conseguiu se impor e assistiu-se a uma renovada primavera religiosa.

É interessante observar que a contestação ao preceito do celibato surge sempre em concomitância com sinais de decadência na Igreja, ao passo que em tempos de renovada fé e florescência cultural se nota uma observância reforçada do celibato.

E, portanto, não é difícil extrair destas observâncias históricas um paralelismo com a crise atual.

Os problemas da Igreja do Oriente

Ainda permanecem abertas duas perguntas que frequentemente aparecem. Uma é a que se refere à prática do celibato na Igreja católica do reino bizantino e de rito oriental, que não admite o matrimônio para bispos e monges, mas o concede aos sacerdotes, desde que tenham se casado antes de receber os sacramentos. E tomando precisamente esta prática como exemplo, há quem questione se também não poderia ser adotada pelo Ocidente latino.

Sobre este propósito é preciso ressaltar, sobretudo, que justamente no Oriente a prática do celibato abstinente foi considerada vinculante. E foi apenas no Concílio do ano 691, o denominado “Quinisextum” ou “Trullanum”, quando resultou evidente a decadência religiosa e cultural do reino bizantino, chegando à ruptura com a herança apostólica. Este Concílio, fortemente influenciado pelo imperador, que com uma nova legislação queria voltar a colocar em ordem nas relações, nunca foi reconhecido pelos Papas. A prática adotada pela Igreja do Oriente remonta precisamente a este momento. Depois, quando a partir dos séculos XVI e XVII, e sucessivamente, distintas Igrejas ortodoxas voltaram à Igreja do Ocidente, em Roma, apareceu o problema sobre o modo como se comportar com o clero casado dessas Igrejas. Os diferentes Papas que se sucederam disseram, pelo bem e a unidade da Igreja, não pretender nenhuma modificação, por parte dos sacerdotes que haviam voltado à Igreja mãe, de seu modo de viver.

A exceção de nosso tempo

Baseando-se em uma motivação semelhante, funda-se também a dispensa papal do celibato concedida – a partir de Pio XII – aos pastores protestantes que se convertem à Igreja católica e que desejam ser ordenados sacerdotes. Recentemente, esta regra também foi aplicada por Bento XVI aos numerosos prelados anglicanos que desejaram se unir, em conformidade com a constituição apostólica “Anglicanorum coetibus”, à Igreja mãe católica. Com esta extraordinária concessão, a Igreja reconhece a esses homens de fé seu longo e, às vezes, doloroso caminho religioso, que com a conversão chegou à meta. Uma meta que, em nome da verdade, leva diretamente aos interessados a renunciar também o sustento econômico recebido até esse momento. É a unidade da Igreja, bem de imenso valor, que justifica estas exceções.

Herança vinculante?

Porém, afora estas exceções, coloca-se outra pergunta fundamental, ou seja: a Igreja está autorizada a renunciar uma evidente herança apostólica? É uma opção que se leva em consideração continuamente. Alguns pensam que esta decisão não pode ser tomada apenas por uma parte da Igreja, mas, sim, por um Concílio geral. Desse modo, pensa-se que, embora sem implicar a todos os âmbitos eclesiásticos, ao menos para alguns poderia se aflouxar a obrigação do celibato, inclusive com a sua abolição. E o que hoje parece ainda inoportuno, poderia se tornar realidade amanhã. Porém, caso se queira fazer isto, deveria ser reproposto em primeiro plano o elemento vinculante das tradições apostólicas. E ainda poderíamos nos perguntar se, com uma decisão tomada em Concílio, seria possível abolir a festa do domingo que, caso queiramos ser escrupulosos, tem menos fundamentos bíblicos que o celibato.

Por último, para concluir, permita-me avançar em uma consideração projetada para o futuro: se continua sendo válida a constatação de que cada reforma eclesiástica que merece esta definição deve surgir de um profundo conhecimento da fé eclesiástica, então também a disputa atual sobre o celibato será superada por um conhecimento mais profundo do que significa ser sacerdote. E caso se entenda e ensine que o sacerdócio não é uma função de serviço, exercida em nome da comunidade, mas, sim, que o sacerdote – em virtude dos sacramentos recebidos – ensina, guia e santifica “in persona Christi”, tanto mais se entenderá que justamente por isso ele também assume a forma de vida de Cristo. E um sacerdócio assim entendido e vivido voltará novamente a exercer uma força de atração sobre a elite dos jovens.

No mais, é necessário aceitar que o celibato, assim como a virgindade em nome do Reino dos Céus, continuarão sendo sempre, para quem tem uma concepção secularizada da vida, algo irritante. No entanto, Jesus já dizia a este propósito: “Quem puder entender, entenda”.

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