''O celibato não é um dogma''. A abertura do novo secretário de Estado, Parolin

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14 Setembro 2013

O celibato sacerdotal? "Não é um dogma da Igreja, e pode-se discuti-lo, porque é uma tradição da Igreja". As palavras do arcebispo Pietro Parolin, novo secretário de Estado vaticano, que entrará no cargo a partir do dia 15 de outubro, certamente não significam que a Igreja está pensando em abolir essa tradição que "remonta aos primeiros séculos" e da qual o próprio Parolin defende o valor. "Não se pode dizer, simplesmente, que ela pertence ao passado".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 11-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas é importante o próprio fato de que o seu mais estreito colaborador fale de "um grande desafio para o papa", porque "ele possui o ministério da unidade e todas essas decisões devem ser tomadas para unir a Igreja, não para dividir". E diz: "É possível falar, refletir e aprofundar esses temas que não são artigos de fé e pensar em algumas modificações, mas sempre a serviço da unidade e segundo a vontade de Deus".

Com os tempos (longos) da Igreja, a ideia de "modificações" já não é mais um tabu. Parolin, núncio em Caracas, falando ao jornal venezuelano El Universal pondera as palavras. Ele diz que se trata de seguir "a vontade de Deus e a história da Igreja", assim como "a abertura aos sinais dos tempos", por exemplo, "a escassez do clero".

Por si só, o fato de o celibato não ser um dogma é um fato. Porém, em 2006, bastou que o cardeal Cláudio Hummes lembrasse a mesma coisa para que, do Vaticano, chovessem especificações envergonhadas. Ele havia sido récem-nomeado prefeito do Clero, e a coisa, disse-se, custou-lhe um certo isolamento na Cúria.

Mas os tempos mudam, o cardeal franciscano é um grande amigo de Bergoglio (foi ele que o abraçou na Capela Sistina e lhe disse: "Lembre-se dos pobres"), e quem diz essas coisas não corre mais o risco do isolamento.

Além disso, o novo secretário de Estado fala de reformas, de mudanças que retomam o Concílio e encontram "resistências", mas "não podem colocar em perigo a essência da Igreja": e diz que, se a Igreja "não é uma democracia" – no fim, é o papa quem decide –, "é bom que, nestes tempos, haja um espírito mais democrático, no sentido de ouvir atentamente", uma "condução colegial onde todas as instâncias possam se expressar".

Justamente nessa terça-feira, o papa reuniu os chefes de dicastério em vista da reunião do "grupo" cardinalício que, em outubro, irá abordar a reforma da Cúria.

Mas quais poderiam ser as "modificações" a se discutir sobre o celibato? Há uma ideia que abre caminho desde que, em 2009, Bento XVI instituiu "ordinariatos" para os anglicanos que voltavam para a Igreja Católica, incluindo os sacerdotes casados. Por si só, não é uma novidade absoluta: na Igreja Católica, já existem padres casados.

A disciplina do celibato vale para a Igreja latina, mas nas católicas orientais não há obrigação. Portanto, há a possibilidade de que, no futuro, caminhe-se para uma dupla disciplina também na Igreja latina. Talvez com as mesmas regras: somente os célibes podem ser bispos.

Além disso, grandes vozes na Igreja já abriram o tema. O cardeal Carlo Maria Martini falou do celibato como de "um grande valor e um sinal evangélico", mas dizia: "Nem por isso é necessário impô-lo a todos". Ele propôs "a possibilidade de ordenar viri probati", ou seja, "homens casados que tenham experiência e maturidade".

A hipótese havia sido rejeitada no sínodo de 2005, e outras vozes importantes se somaram. O próprio Bergoglio falou do tema como cardeal no livro Papa Francesco. Um texto em que afirma estar "plenamente convencido" de que "o celibato deve ser conservado". Mas ele também diz que, "se a Igreja tivesse que rever essa regra", ela não o faria "impulsionada pela escassez" de vocações e, portanto, "não seria uma regra válida para todos": "Ela trataria a questão como um problema cultural de um lugar específico, não de modo universal, mas como uma opção pessoal".

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