Eleições europeias, marcadas pelo auge da extrema direita

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14 Maio 2019

Nos tempos políticos e sociais, 40 anos não é muito, mas na Europa foram um fluxo mutante de mudanças, transtornos e reconfigurações. Quatro décadas é a distância que separa as primeiras eleições europeias das que ocorrerão neste 26 de maio para renovar a Eurocâmara. Em 1979, só participaram 9 países, nas próximas são 28. Nesse meio, caiu o Muro de Berlim (1989) e, entre as anteriores de 2014 e estas de agora, foram introduzidas muitas variáveis novas.

A reportagem é de Eduardo Febbro, publicada por Página|12, 12-05-2019. A tradução é do Cepat.

O Brexit, a influência da Rússia de Vladimir Putin nos destinos europeus, as manipulações de massa, as fake news, a crise migratória no Mediterrâneo, os populismos candentes que fizeram da Europa um planeta de conquista, o ocaso da social-democracia e o auge da extrema direita.

O ex-partido Frente Nacional, hoje rebatizado Reagrupamento Nacional, já não está só no cenário do Velho Continente. Em quase todos os países europeus, o populismo cinza se estendeu como uma trepadeira pelas colunas vertebrais das sociedades. A líder da ultradireita francesa, Marine Le Pen, finalista no segundo turno das eleições presidenciais francesas de 2017, encara esta consulta europeia com um horizonte cheio de aliados ideológicos, começando pelo líder da Liga na Itália, Matteo Salvini, com quem pactuou uma fórmula para assaltar a Europa.

Aquela extrema direita francesa, que se reativou nos anos 1980 graças às manipulações grotescas do ex-presidente socialista François Mitterrand, se remodelou completamente. Hoje, volta a estar em condições de reiterar seu êxito de 2014 e se tornar o partido mais votado da França. As pesquisas mais recentes colocam o partido de Marine Le Pen um ponto acima ou quase igualado com o partido presidencial de Emmanuel Macron, A República em Marcha.

Com aproximadamente 22% dos votos cada um, o chamado “extremo centro” de Macron e o ‘lepenismo’ deixaram muito para trás as outras forças políticas. Em terceiro lugar está a direita tradicional de Os Republicanos, com 13%, seguido por França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon, com 10%, Europa Ecologia - Os Verdes, com 7%, o bagunçado Partido Socialista e seus aliados, com 4,5%, e algumas expressões surgidas do movimento dos coletes amarelos, com 3,5%.

Em suma, depois de Macron e Le Pen, os caminhos políticos são um deserto. Os antes partidos da alternância democrática, os socialistas e os conservadores, nunca se recuperaram da derrota nas eleições presidenciais de dois anos atrás, nem das fraturas internas que os encurralaram à beira da ruína.

A ultradireita avança assim em campo aberto, mais ainda legitimada por Emmanuel Macron se posicionar como a única opção contra a ultradireita. “Eu ou o caos” foi a estratégia do chefe de Estado. Ele é a opção liberal, pró-europeia e globalizadora, o caos é o nacionalismo populista antieuropeu das extremas direitas.

Nesse sentido, ao macronismo coube muito bem a persistência e o progresso do partido de Marine Le Pen, assim como a aliança da líder francesa com Matteo Salvini e os outros representantes dessa corrente, como o primeiro-ministro húngaro Víctor Orban. O que assusta é a configuração perfeita para que, espantado por um lado e, por outro, surdo às retóricas e aos programas da social-democracia e da direita, o eleitor volte a perceber o macronismo quase como a única opção diante dos extremos.

No espaço europeu, as pesquisas adiantam que as expressões populistas de direita serão as vencedoras. A Liga de Salvini seria a segunda força política com 27 cadeiras, apenas atrás das 29 da CDU alemã. As direitas agrupadas no seio do Partido Popular Europeu têm a possibilidade de continuar sendo a força majoritária, com 183 deputados. Os socialistas chegariam a 135 e os liberais a 75.

No entanto, caso sejam somadas todas as opções eurocéticas, estas alcançariam mais de 150 deputados. Aí está outro paradoxo monumental: as forças que são contra a construção europeia, que lutam para sair da União e para acabar com o euro, participam das eleições das instituições que almejam apagar do mapa. Há alguns dias, o presidente da Eurocâmara, Antonio Tajani, ressaltou que a União Europeia era “um projeto único e compartilhado, consolidado mediante a cooperação pacífica, que se vê ameaçado por distintas forças que querem destruir o que conseguimos juntos”.

Centro-direita liberal contra ultradireitas serão novamente os atores das eleições deste mês de maio. Fora algumas exceções como o Bloco de Esquerda português, o Vänsterpartiet sueco e o Podemos na Espanha, as chamadas esquerdas radicais ou pós-comunistas tiraram pouco proveito do desencanto massivo que a social-democracia suscitou. A esquerda da esquerda, aquela que ainda responde às tradições operárias da Europa, não adquiriu o estatuto de ator maior. O eleitorado tem preferido o populismo de extrema direita e, como árbitro, o liberalismo mais ampliado.

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