Filme alemão mostra infância num mundo de extrema direita

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10 Maio 2019

Documentário retrata vida de ex-ativista de ultradireita educada conforme ideais nazistas. Obra reflete sobre as consequências da aplicação de conceitos ultranacionalistas na formação de crianças e adolescentes.

O filme Kleine Germanen (pequenos germânicos, em tradução livre), que estreia nesta quinta-feira (09/05) na Alemanha, conta a história de crianças que são educadas em famílias de extrema direita e até mesmo neonazistas.

A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 09-05-2019.

Ideias populistas de direita têm encontrado um terreno fértil em muitos países nos últimos anos, incluindo Alemanha e o resto do continente europeu. A produção teuto-austríaca, misto de documentário e animação, procura refletir sobre as consequências políticas e sociais dessa tendência, incluindo para gerações futuras, para crianças e adolescentes.

Os diretores Frank Geiger e Mohammad Farokhmanesh pesquisaram durante muito tempo para contar uma história baseada em fatos reais. A personagem principal é Elsa, criada numa família de extrema direita e que também educa seus filhos seguindo os mesmos preceitos de seus pais, até que uma mudança dramática em sua vida a faz mudar de perspectiva.

O destino de Elsa é contado com a ajuda de sequências em animação, permeadas por depoimentos de especialistas – os quais não aparecem em cena – e também por entrevistas com ex-neonazistas e ativistas de ultradireita. Um dos entrevistados é Götz Kubitschek, conhecido militante alemão de extrema direita.

Integrantes de movimentos nacionalistas na Alemanha e Áustria falam sobretudo sobre os ideais de educação e de seus próprios sonhos de infância, lembram de sua "infância feliz" e reclamam de uma suposta perda dos valores tradicionais do passado.

Os testemunhos dos ativistas de ultradireita são isentos de palavras de ordem ou declarações bombásticas. Estas, entretanto, aparecem em cenas curtas, quando eles são mostrados proferindo discursos inflamados durante manifestações de rua.

"Quando crianças, tínhamos que ser sempre fortes", conta Elsa, cujo nome verdadeiro não é revelado. "Não podíamos chorar nem nos ligar demais a coisa alguma. Disciplina e ordem eram as coisas mais importantes." Ela afirma que entendeu como isso funcionava quando era criança e após brincar de ser soldado. Numa "guerra contra os russos", foi condecorada pelo avô com uma medalha da SS, tendo que fazer a saudação nazista e dizer: "Pelo Führer, pelo povo e pela pátria".

Nascida em 1970, Elsa conta como provocava controvérsias na escola com declarações de extrema direita, como conheceu seu futuro marido Thorsten, famoso pelos discursos pregando a expulsão de estrangeiros da Alemanha. Ela diz que ambos educaram seus filhos segundo esse pensamento, os enviaram a colônias de férias onde é ensinada filosofia de ultradireita, segundo a qual o homem manda na casa e a mulher deve cuidar dos afazeres do lar.

"Em todas essas famílias, havia uma forte figura paterna que exercia pressão pelo desempenho das crianças", afirma Frank Geiger, em entrevista à DW. "Isso é muito acentuado naqueles casos, em que as pessoas recebem ordens e não há espaço para discussões. Sentimentos não são muito valorizados. Apenas o sentimento de amor pela pátria", acrescenta o diretor.

Nascido no Irã, o cineasta Mohammad Farokhmanesh, codiretor do filme, chegou à Alemanha com 22 anos. Ele afirma que uma das coisas que o levou a fazer o filme foi sua surpresa ao ver que existem poucas pesquisas sobre o tema. "Eu cresci num país que é ditatorial e não tinha nele muitas possibilidades de me desenvolver e me educar", afirma. "Mas me questionava como pode ainda haver tais coisas num país como a Alemanha? Como pode ser que ainda existam crianças assim, que são educadas desde pequenas a odiar estrangeiros e tudo o que lhes pareça pouco conhecido?"

Assista ao trailer do filme, em alemão:

 

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